
October 1935. Matinee at the Casino Cinema in Amite City, Louisiana.

Chicago moviegoers waiting to see “The Philadelphia Story” starring Stewart, Grant and Hepburn. April 1941. [via @librar-y]

Photo by Nina Leen—boys have a very difficult time finding a place to put their long legs. Des Moines, June 1945—via We Had Faces Then
Já houve um post sobre esse filme aqui no Cinefilia, quando o filme estreou nos EUA. Eu, atrasado que sou com quase tudo na vida, só vi o filme ontem. Mas, como sempre digo, "antes tarde do que nunca".

Todd Haynes entrou para a minha lista de diretores favoritos, até mesmo porque eu já gostava de Velvet Goldmine e Far From Heaven, dois de seus filmes anteriores. Ele fez de I'm Not There uma cinebiografia completamente fora dos padrões e, ainda assim (ou talvez por isso mesmo), fascinante. Talvez o único outro filme do gênero (biopic - biography + picture, como dizem os americanos) que eu goste um pouco mais seja Howl, mas esse seria outro post.
Nesse caso, a gente só sabe que o filme é sobre o Bob Dylan porque as músicas são dele, as falas são dele, os cabelos, óculos, gestos, fatos e citações também. Mas, "he's not there", em lugar algum do filme. Nenhum dos personagens se chama Bob Dylan. E ainda assim ele está em todos os lugares. É bom demais!
Tem o Dylan poeta na pele de Arthur Rimbaud (Ben Whishaw), tem o Dylan que ele queria ter sido (será?) na pele de Woodie Guthrie (o fantástico Marcus Carl Franklin), tem o Dylan marginal na pele de Billy The Kid (um Richard Gere deliciosamente melancólico) e tem aspectos de Dylan nos personagens vividos por Cate Blanchett, Christian Bale e Heath Ledger.
Blanchett levou as honras de melhor performance e ganhou prêmios e até indicação ao Oscar. E ela está maravilhosa, mas eu confesso que continuo fã de Christian Bale e achei que o pouco que ele fez, fez MUITO BEM. Entretanto, para mim, a parte mais atraente foi a história vivida por Heath Ledger e a ótima Charlotte Gainsbourg (filha de ninguém menos do que Serge Gainsbourg e Jane Birkin - dá pra ser mais "cool" do que isso??). Adorei a fotografia, os cenários, os cabelos, a maquiagem, os óculos, os cigarros, as roupas, tudo!
Mas vamos ao que interessa! Nada disso teria sido tão bom se não tivesse Bob Dylan por trás, porque, afinal das contas, a estrela do filme é ele que não está lá, mas está na música.
Eu não sou nenhuma autoridade em Bob Dylan (aqui tem gente beeeeeem mais capacitada para falar sobre ele que eu), mas já conhecia seu lado autor por conta de ser fã dos autores da geração Beat, à qual Dylan está incluido, em especial o livro "Tarantula" que li algumas partes.
Quanto às músicas, eu simplesmente "descobri" coisas fantásticas que nunca tinha ouvido como Stuck Inside of Mobile with the Memphis Blues Again, Goin' To Acapulco, Ballad Of A Thin Man e Pressing On que não me sai da cabeça!
Aí fui pesquisar mais músicas (thank God existe internet e eu já posso dizer que tenho uma coleção de músicas do Bob Dylan no meu iPod, pois antes só tinha duas) e reencontrei Hurricane, Jokerman e It's All Over Now, Baby Blue. E, "de quebra", vieram as já conhecidas e favoritas de todo mundo, All Along the Watchtower, The Times They Are A-Changin', Lay Lady Lay, Just Like a Woman, Mr. Tambourine Man e Like a Rolling Stone.
Enfim, material fartíssimo para muitas e muitas horas de puro deleite! Agora vou ver No Direction Home, o documentário de Martin Scorsese que eu ganhei de presente há alguns anos atrás e nunca consegui ver. Como disse minha partner in crime, Fer Guimarães Rosa, citando "o homem", Times they are a-changing.
Quero óculos assim! ;^)
Pedro Almodóvar não é o meu diretor favorito número 1. Mas é sobre ele que eu quero falar primeiro. Comecei a gostar dos seus filmes depois dele já ter estourado com Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos. Mas não foi esse filme que me fez colocá-lo na lista dos prediletos. Foi só depois de Todo sobre mi madre, de 99 que eu me encantei de fato com suas histórias trágicas, cômicas, emocionantes e inesquecíveis. Hable con ella, o filme seguinte, me pareceu à época ainda melhor, mas hoje não consigo sequer pensar em ver as cenas de touradas.
De qualquer forma, de todos os seus filmes, incluindo La ley del deseo, que é fantástico, o melhor de todos para mim é La mala educación que eu já revi inúmeras vezes e nunca me canso. É uma história de paixão pelo cinema, quando a sétima arte é usada como forma terapêutica para sarar os traumas e armar vinganças. Adoro de paixão!
Hoje, mais uma vez, saí do cinema inebriado, "babando" com a inventividade e capacidade de transformar um monte de clichés em uma história original e hipnotizante. La piel que habito marca o reencontro de Almodóvar com seu ator fetiche predileto (pelo menos no início da carreira), Antonio Banderas. Banderas só deveria fazer filmes em espanhol, de preferência com Almodóvar pois ele está magnífico no papel do médico a la Frankenstein, obcecado, apaixonado, vingativo e, no final das contas, "doido de pedra".
A história desse filme me fez lembrar também de algumas cenas de Death Becomes Her (A Morte Lhe Cai Bem) com Bruce Willis retocando a pele de Meryl Streep. Só que no caso de Almodóvar é algo tragicômico, e o drama é levado tão a sério que chega a emocionar.
Enfim, como é bom saber que um diretor que já fez tanta coisa boa não secou a fonte e continua se superando a cada novo trabalho. Quero mais!!
Claudette Colbert & Miriam Hopkins no delicioso The Smiling Lieutenant [um Lubitsch de 1931].

Fahey’s Palace Theate in Long Beach, CA - 1917

United Artist’s Theatre in downtown Los Angeles, CA - 1929

The Fox Wilshire Theatre in Los Angeles, CA - 1931
Já revi esse filme umas 7543 vezes e em todas elas eu choro e choro e choro. The Best Years of Our Lives é um clássico tear jerker e ganhou sete Oscars em 1946, contando a história de três veteranos voltando da Segunda Guerra e se ajustando à uma sociedade em pleno processo de transformação. Depois de milhares de filmes sobre a guerra, os heróis deixam os campos de batalha e são colocados em outro cenário—obrigados a guardar as medalhas na gaveta e enfrentar a rotina, emprego e crises familiares.
Todas as vezes que revi esse filme, talvez por estar com a vista embaçada pelas lágrimas, nunca tinha reparado no tanto que os personagens bebem e comem. Até que num dia, revendo mais uma vez [e me acabando de tanto chorar mais uma vez] percebi a cena onde o personagem do galante Dana Andrews, um piloto de combate durante a guerra, pega um trabalho preparando sundays, banana splits e vacas pretas no soda counter da farmácia da cidade. Dei um rewind no filme e revi tudo com outros olhos.
Os três personagens principais, Fredric March, Dana Andrews e Harold Russell, retornam ao país e à cidade onde viviam antes e reencontram amigos e família. A vida não é mais a mesma, nem pra eles que estiveram ausentes por anos, nem para os que ficaram. Harold Russell tem a adaptação mais difícil, já que ele perdeu os braços numa explosão e volta para casa com um mecanismo de ferro no lugar das mãos. Ele é realmente um veterano de guerra sem os braços, o que deixa a história mais impressionante. E ganhou um Oscar de melhor ator coadjuvante pelo desempenho nesse papel, que foi o único da sua breve carreira como ator.
Fredric March volta ao seu emprego de bancário, mas agora ele tem um problema com a bebida. Dana Andrews volta para a esposa, uma bimbo fútil que logo lhe dá um pé na bunda. Ele decide procurar um emprego na farmácia da cidade e tem um choque ao entrar no local e encontrar um ambiente totalmente diferente, quase uma loja de departamentos. Tudo mudou nas cidades americanas depois da guerra. Os supermercados substituiram os mercadinhos e as grandes drugstores tomaram o lugar do pequeno balcão onde se vendia remédios e produtos de higiene. Andrews começa vendendo perfume e depois vai para o soda counter, onde serve sorvetes.
Mãe [Myrna Loy] e filha [Teresa Wright] conversam seriamente na cozinha enquanto preparam o almoço, descascando batatas e debulhando ervilhas.
O filme tem muitas cenas num bar, onde os três amigos se encontram frequentemente para beber e conversar. E também tem cenas em restaurantes, onde a familia de Fredric March vai jantar e dançar, e onde Teresa Wright se encontra com Andrews. Nas cozinhas servem-se o café da manhã, com ovos e torradas feitas numa engenhoca acoplada à porta do forno. E eles comem, bebem e dialogam, tentando entender o papel de cada um nessa nova estrutura. Porque tanto pros heróis quanto pros cidadãos comuns, nunca mais o mundo seria o mesmo como o de antes da guerra.
