O ladrão inglês “aposentado”, Gary “Gal” Dove (Ray Winstone), vive sossegado numa villa isolada no sul da Espanha. Ele passa os dias à beira da piscina, torrando no sol escaldante, na companhia da sua esposa DeeDee (Amanda Redman), uma ex-estrela pornô e seus amigos Aitch e Jackie (Cavan Kendell e Julianne White). Sua vida é monótona, mas ele se diz feliz. Juntos eles comem, bebem e se divertem. Um dia a tranqüilidade da vidinha do grupo é quebrada por um telefonema de Don Logan (Ben Kingsley), um ex-companheiro de crimes de Gal.
O terror nos olhos das personagens já antecipa quem é esse tão temido ladrão. A violência e agressividade estão implícitas nos olhares e comentários. Não precisamos ver Dan Logan espancando ou matando alguém por pouco ou nenhum motivo, para saber que ele é capaz de tal ato. Dan sai de Londres e vai até a casa de Gal na Espanha para fazer-lhe uma proposta de trabalho. E ele não está disposto a aceitar um ‘não’como resposta.
Teddy Bass (Ian McShane) é a cabeça que planeja um grande roubo, num banco com a mais moderna tecnologia de segurança. Teddy é a personificação do demônio. Gal não terá somente que enfrentar Dan, mas terá que exorcizar Teddy.
O diretor inglês Jonathan Glazer dirigiu videoclipes para bandas como Radiohead, Blur e Jamiroquai antes de estrear na direção de longa metragens com Sexy Beast. É notável a sua mão ágil para imagens e cortes. Além da deliciosa trilha sonora, que embala o frenesi da trama. Sexy Beast seria um filme perfeito, se não fosse pelas gírias e o pesado sotaque inglês, que foram uma ‘pedra nos sapatos’ para os nossos ouvidos acostumados com o suave sotaque californiano. Mas quem precisa entender em detalhes as farpas e grosserias proferidas pelo Dan Logan de Ben Kingsley. Neste caso, um olhar equivale a mil palavras.