Festival William Wyler

Os canais de tv a cabo no Brasil são a salvação de alguns cinéfilos que curtem grandes clássicos da época de ouro de Hollywood. Os canais da rede Telecine são, na minha opinião, os melhores. A gente tem acesso a uma infinidade de Hitchcocks (o que pra mim é precioso mesmo) e tantos outros. Esse mês tem um mini festival William Wyler. Não tem “O Colecionador” com Terence Stamp, nem “Como Roubar Um Milhão de Dólares” com Audrey Hepburn e Peter O’Toole. Mas tem “O Morro dos Ventos Uivantes” com Laurence Olivier e “Pérfida” com Bette Davis.
Esses dois filmes são o bastante para que um apreciador do bom cinema se apaixone pela obra de Wyler. Wuthering Heights (O Morro dos Ventos Uivantes) é uma história apaixonante de Emile Brontë que Wyler adaptou tão bem para a telona. Laurence Olivier tem uma força descomunal e seu Heathcliff é inesquecível. The Little Foxes (Pérfida) é uma adaptação da peça de Lillian Hellman e Bette Davis brilha como nunca! Realmente parece que Hellman escreveu a personagem Regina Giddens pensando em Davis. Todos os seus maneirismos, o jeito de mexer as mãos para ajeitar o penteado, o olhar ameaçador, a frieza da risada, Bette Davis como Regina é algo incomparável e assombrador. Momentos marcantes são culminados com a cena em que ela “mata” o marido por simples omissão, sem fazer coisa alguma, enquanto ele se arrasta escada acima, tentando alcançar um remédio para o coração. Davis “assiste” a cena de costas, sem se mexer. Apenas seus olhos mantém-se alertas, aguardando a queda do marido. Isso sem contar que algumas cenas antes ela diz a ele, “I hope you die, Horace. I hope you die soon. Very soon.”
A cena final, última imagem do filme, é Davis através da janela fechada, vendo a filha ir embora sob a chuva. Ela fica rica, viúva, sem a filha, sozinha, com medo e cercada por irmãos traiçoeiros e sem escrúpulos(iguais a ela). O medo é visto em seus olhos, um misto de “e agora?” e “eu vencerei novamente”. Talvez Glenn Close tenha se inspirado nela para o close up final de “Ligações Perigosas”. Nota dez.
Como se não bastasse, William Wyler ainda fez outras pérolas. Anotem aí:
*Ben Hur, aquele famoso, com Charlton Heston, que ganhou 11 Oscars (melhor ator para Heston).
*Jezebel (Oscar de melhor atriz) e *The Letter, ambos com Bette Davis, duas das melhores atuações dela (Rolou uma paixão e um caso “secreto” entre eles, e é óbvio pela maneira como ele dirige Bette).
*Roman Holiday, o primeiro filme da Audrey Hepburn que lhe rendeu um Oscar. Com Gregory Peck.
*Funny Girl, com esse filme Barbra Streisand dividiu o Oscar de melhor atriz com Katharine Hepburn (única vez que isso aconteceu, se não me engano).
*The Heiress, Oscar de melhor atriz para Olivia De Havilland, com Montgomery Clift, novinho, fazendo o papel do jovem ambicioso que corteja a solteira, feia e rica herdeira.
*Desperate Hours, com Humphrey Bogart.
A lista segue. William Wyler era um verdadeiro mestre.

One thought on “Festival William Wyler

  1. Moa,
    Bette Davis em “Pérfida” está mesmo um assombro. A cena da morte do marido é espetacular pelo desempenho de Bette e pelos rigorosos movimentos de câmera.
    Dizem que Wyler era um déspota com seus atores, semelhante a Otto Preminger, cujos filmes alguns atores saíram traumatizados. Mas vê-se que, no caso dos dois, o método funcionou, hehehe!
    Abraço.

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