Quando Paris Cinefilia

Outro dia me falaram sobre os cinemas de Paris. Sobre o fato de que em Paris a gente tem a possibilidade de escolher entre, aproximadamente, 300 filmes diferentes para ver numa semana. Me falaram do Pariscope, uma publicação semanal que fala de toda a programação cultural da cidade, entre elas os inúmeros cinemas, filmes dos mais diversos etc.
Isso me fez lembrar, obviamente, das vezes em que estive em Paris, em 93 e 95 e do fato de que eu não deixava passar uma semana sem comprar o Pariscope (que sai – ou saía, naquela época – às quartas-feiras) e programar minha semana cinematográfica.
Em Paris eu tive algumas das minhas melhores e mais inesquecíveis experiências cinematográficas. E visitei lugares que eu sequer sabia que tinham sido cenário de alguns dos meus filmes prediletos. Entre eles, e talvez principalmente, vários com a Audrey Hepburn, a maravilhosa bonequinha de luxo, símbolo de eterna elegância, delicadeza e bondade. E esses lugares eu encontrei por acaso. Um dia, visitando o Louvre pela primeira vez virei num corredor e vi uma enorme escadaria à minha frente, com a estátua da Vitória de Samontrácia (que eu nem sei se traduzi certo!) no topo. Meu coração bateu forte pois eu reconheci o local de uma das cenas mais belas da Audrey, sendo fotografada pelo Fred Astaire em Funny Face. Dias depois, fui ao cinema ver Love in the Afternoon, com a Audrey e o Gary Cooper. No filme, ele mora no hotel Ritz, em frente à uma praça. Na semana seguinte, estava passeando a pé (que foi o que fiz o tempo todo em que estive em Paris) quando “descobri” a Place Vandôme, com o Hotel Ritz e todo seu glamour. Outros locais mágicos de Paris eu reconheci em Charade, onde Audrey e Cary Grant correm o tempo todo, atrás de um dinheiro escondido, ladrões assassinos e a CIA atrás deles, passando pelo Palais Royal, os Jardins du Luxembourg e outros cantos mágicos dessa cidade inesquecível.
Além dos filmes da Audrey eu vi também uns 30 outros filmes na tela grande, em Paris. Dentre eles:
Gothic – Ken Russel
Women in Love – Ken Russel
Ludwig – Luchino Visconti
Streetcar Named Desire – Elia Kazan
The Piano – Jane Campion
My Fair Lady – George Cuckor
Les Nuits Fauves – Cyril Collard
La Belle et la Bête – Jean Cocteau
Teorema – Pasolini
Flesh – Paul Morrissey
Indochine – Régis Wargnier
Strangers on a Train – Hitchcock
The Rocky Horror Picture Show – Jim Sharman
Zabriskie Point – Antonioni
The Killing – Kubrick
Morte em Veneza – Luchino Visconti
Nosferatu – Murnau
Orphée – Jean Cocteau
The Damned – Luchino Visconti
If – Lindsay Anderson
Os dois últimos eu vi no Accatone, cinema símbolo dos estudantes revolucionários e ponto de encontro em Maio de 68. Outras salas inesquecíveis, cheias de escadinhas escondidas, nos subterrâneos de Paris incluem Cine Beaubourg, Action Christine, Entrepot e outras. Paris tem também um número invejável de livrarias e lugares especializados em cinema, onde se pode comprar posters e fotos, onde eu consegui o cartaz italiano de Heat do Paul Morrissey e os cartazes franceses de The Letter e Sunset Blvd. Como se não bastasse, Paris tem um museu do cinema, dentro da Cinemateca Francesa, onde eu vi com esses olhos que a terra a de comer (não é assim que a vovó dizia?) partes do cenário do Gabinete do Dr. Caligari, um vestido usado pela Bette Davis, como Elizabeth I em The Virgin Queen, os storyboards do Abel Gance para Napoléon e o robô de Metropolis, entre outras coisas.
Paris é, enfim, o paraíso dos amantes e dos amantes do cinema em particular. Preciso voltar!

3 thoughts on “Quando Paris Cinefilia

  1. Fer, essa cena final de Funny Face é bem bonita, mas não é a que eu mais gosto. A sequência das fotos que o Astaire tira da Audrey mais pro início do filme, quando ele a transforma em modelo, essa sim é a mais mágica do filme. Veja de novo, do início, e vá a Paris!
    Beijoca

  2. Moa e Fezoca queridos;
    First of all: obrigada por esse texto belissimamente escrito. E em mim quanta saudade.
    Sim, o Pariscope é quase o sinônimo de Paris e cada vez está mais forte:-)
    Agora, o Musée du Cinéma ( o nome é Henri Langlois) é remarquable, mesmo.
    E tem também aqueles cinemas do Quartier Latin, rue des Écoles, pertinho da Sorbonne.
    Ah, mon Dieu! Bom, ver La dame de Xangaï:-)
    bisous
    meg

  3. ohmaigod! acabei de ligar a tv e o que estava passando??? A cena final de Funny face, com a Audrey de noiva, dancando com o Astaire!! :-))))
    Preciso ir a Paris…. Ja comprei ate um guia! Me aguarde!
    Bjus!

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