A busca da casa perfeita e o retorno de Terence Stamp.

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(O texto abaixo foi escrito há mais de um ano, quando eu estava mudando de volta, de Porto Alegre para o Rio de Janeiro. O conteúdo continua atualíssimo!)
Estou no Rio há duas semanas, procurando por um apartamento para alugar e fazer minha mudança de Porto Alegre pra cá. Em três dias visitei 20 apartamentos e casas, em diversos bairros da cidade. De Santa Teresa ao Leme, passando por Vila Isabel e toda a Zona Sul, acabei no velho e conhecido Jacarepaguá, onde morei a vida toda. Ainda estou às voltas com burocracias de imobiliária e isso é pior do que inferno astral, eu garanto. Quando não tenho mais o que fazer e só me resta esperar por respostas de corretor, proprietário, fiador e o escambau, eu vou ao cinema pra tentar esquecer.
?O Estranho? (The Limey) do oscarizado Steven Soderbergh finalmente chega às telas brasileiras. Terence Stamp, o ator fetiche de muita gente boa está magnífico em sua dureza e obstinação, britanicamente perseguindo o assassino de sua filha. O fato de que ninguém consegue entendê-lo (o sotaque e as gírias dele soam quase como alemão para os americanos de LA) adiciona humor à sua saga e nos sentimos estranhamente próximos a ele (mesmo sem entendê-lo). Soderbergh usa imagens de Stamp em um filme de Ken Loach, de 67, que é, como disse um crítico do jornal O Globo, ?um achado?. E sem querer comparar muito com ?Traffic?, eu diria que ?O Estranho? é um dos melhores filmes dos últimos tempos, com uma montagem nada linear e interpretações maravilhosas. Luis Guzman é sempre excelente, Leslie Ann Warren traz sensibilidade e um olhar de compaixão que humaniza o estranho Stamp e Peter Fonda está magnífico como o ex-rebelde envelhecido ainda cheio de falcatruas, covardão e aproveitador. Como se não bastasse temos Joe Dalessandro, velho, gordo e feio, quase sem falas, como sempre, de capanga capenga, como era de se esperar. O fim da versão masculina das pin-ups. Uma pena.

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Duas outras personagens são fundamentais nessa história: as casas. A primeira, com sua piscina que termina sem avisar, estilo anos 70, quadradona e acarpetada, digna de um produtor musical (Peter Fonda). A segunda, um esconderijo fincado em meio a rochas e jardins, próximo à praia, que nos fez babar e gerou algumas discussões após o filme.
– ?Aquela casa não servia de esconderijo, o cara tava muito vulnerável ali e não tinha pra onde fugir. Eu, se fosse ele, iria pra um hotel, cheio de gente.?
– ?É… aquela casa não tinha visibilidade alguma dos arredores. Ele precisava estar num lugar que não propiciasse uma emboscada, de onde ele pudesse ver quem se aproximava.?
– ?E aquela piscina na outra casa?? Eu nunca iria querer uma piscina daquelas! Parece que a gente pode cair a qualquer momento…?
– ?Nem eu…?
Fiquei depois pensando na minha procura pela casa ideal, o apartamento perfeito. Queria que tudo ficasse o melhor possível para o meu retorno ao Rio. Localização, espaço interno, distribuição dos cômodos, valor do aluguel… E embora não esteja alugando uma mansão em Mulholand Road e nem tenha uma piscina, terei a visibilidade necessária para saber quem se aproxima, com direito a enxergar até a Barra da Tijuca, do alto da colina onde o prédio se localiza. O aluguel é baratinho e o tamanho do apartamento ideal. É… parece que tem uma pequena infiltração (o que me causa algum arrepio só de pensar no problema que isso pode ser) e as portas são umas porcarias, mas eu não sou produtor musical nem traficante. Foi o melhor que achei.

One thought on “A busca da casa perfeita e o retorno de Terence Stamp.

  1. Moa,
    Ainda me lembro o quanto gostei de The Limey. Apesar do filme ser violento e cheio de cliches, fiquei com a impressao de ter voltado no tempo e assistido um filme fresquinho saido da cabeca de algum cineasta inovativo da decada de 70. Nao sei por que me lembrei do Antonioni e seu Zabriskie Point. E o Terence Stamp arrasando…. Um MUSO mesmo!!! :-)))
    Bjus!

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