Cinema e Linguagem Visual

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River Phoenix, na estrada, em My Own Private Idaho.

(O texto a seguir foi retirado da minha tese de conclusão do curso de Comunicação Visual que fiz na PUC-Rio, em 92. Mais sobre isso virá oportunamente.)
O cinema é uma arte áudio-visual, sem dúvida, mas é essencialmente um fenômeno visual. Como diz Marcel Martin em A Linguagem Cinematográfica, “a imagem em si mesma é carregada de ambigüidade quanto ao sentido, de polivalência significativa”; o que definitivamente enriquece o valor simbólico e o número de diferentes leituras de uma mesma imagem. Imagine-se então, o grau de amplitude simbólica e significativa que encontramos em um filme, que poderia ser definido como uma imagem em constante movimento e transformação.
Já em 1926, Alfred Hitchcock inaugurava seu estilo marcadamente visual em The Lodger. Não só esse é o primeiro filme de Hitchcock com o tema do homem injustamente acusado de um crime que tem que provar sua inocência, como é também um dos filmes onde melhor explora elementos visuais. Em se tratando de um filme mudo, foi necessário utilizar artifícios puramente visuais como na passagem a seguir descrita por Hitchcock em uma de suas entrevistas com François Truffaut:
“O locatário instala-se no seu quarto. Pouco depois, ele anda de um lado para outro, seu vaivém faz oscilar o lustre. Como, eu o relembro, nessa época não tínhamos som, mandei instalar um piso de vidro muito espesso através do qual via-se o locatário agitar-se. Naturalmente alguns desses efeitos seriam absolutamente supérfluos hoje e substituídos por efeitos sonoros, os ruídos dos passos etc.”
É realmente uma pena que esse tipo de recurso visual, tão sofisticado em estilo, seja substituído por efeitos sonoros. Mas o próprio Hitchcock não abandonou a utilização de elementos visuais em seus filmes subseqüentes. Em 1954 ele continuaria a contar suas estórias quase que exclusivamente através de imagens; como na seqüência inicial de Janela Indiscreta (Rear Window, Hitchcock, 54) quando com um único e contínuo movimento de câmera, o espectador conhece a personagem principal (James Stewart), onde mora, o que faz e o que causou seu atual condição física.
Entretanto Hitchcock não é o único a elaborar elementos visuais para a constituição de seus filmes. Em Garotos de Programa (My Own Private Idaho, Van Sant, 91), Gus Van Sant mostra uma maior polivalência simbólica ao montar, paralelamente, um momento de orgasmo sexual do protagonista (River Phoenix) e a queda de uma casa de madeira que se estraçalha em uma estrada deserta. Durante todo o filme de Van Sant temos exemplos do incrível poder simbólico da imagem, além de experimentarmos claramente o que Martin classifica como a “originalidade absoluta da linguagem cinematográfica”. Através da montagem das cenas reais e das imagens de lembranças e sonhos da personagem de River Phoenix, temos o “privilégio” de passar praticamente todo o filme dentro de sua mente, assistindo ao que ele vê e pensa.

11 thoughts on “Cinema e Linguagem Visual

  1. Sou estudante de turismo e estou fazendo um trabalho sobre linguagem cinematográfica.Gostaria de obter mais informações o assunto.
    desde já muito grato.

  2. Ângela Lessa – sou estudante de mestrado da UFAL e o assunto interessa-me pois, estou pesquisando sobre linguagem cinematográfica. Gostaria de saber tudo sobre a linguagem fílmica porque os mecanismos ou instrumentos do cinema são importantes para o minha dissertação. Mas mesmo assim, valeu!

  3. adoro cinema tb. mas, no momento, estou procurando textos sobre linguagem p/ filmes publicitários.

  4. adorei este site, pois eu assisto filme todo dia,
    adoro cinemaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. adoreiiiiiiiiiiiiiii, mas estou procurando textos sobre a linguagem cinematografica em filmes publicitarios.. alguem pode me ajudar?????! obrigada bjossss

  6. Acredito que o cinema seja uma espécie de mágica. Mexe com todos nossos sentidos de uma vez e traz de volta a sensibilidade e delicadeza do trabalho com as imagens falando por elas próprias .Sou professora de português e até solicitei uma pesquisa sobre essa linguagem aos alunos .

  7. Gostei muito, tanto do que li, como do que vi …
    Sou engenheiro e professor e hoje pesquiso como a linguagem cinematográfica pode facilitar a formação do professor, para tal, estou pesquisando o professor no cinema.
    Para dar conyinuidade ao meu trabalho, necessito de alguma orientação sobre a linguagem cinematográfica, já que pretendo relacioná-la, tanto a múltipla inteligência, como a inteligência emocional …
    Na sua opinião, isto é possível?
    Saudações e obrigado …

  8. ADOREI! EXPRESSOU O Q EU GOSTARIA. E ALEM DISSO, MATOU UM POUCO DA MINHA SAUDADE DO MEU AMADO RIVER PHOENIX E DSSE FILME Q NÃO CANSO DE ASSISTIR!

  9. Queria que podesse explicar melhor o que é linguagem cinematografica.E se podesse comentasse certas curiosidades do cinema.Tornaria o texto muito interessante.

  10. Na verdade o assunto me interessou, porém, agora, não posso comentar.
    Conhece o Guga Stroter? Era amigo pessoal de River P.
    Até mais.

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