Epifania #2

Quando escrevi sobre as escolhas do Tom Cruise, na verdade estava escrevendo sobre uma epifania que tive, ao perceber claramente que fazemos escolhas em todos os momentos de nossas vidas. E que todos os filmes, de uma forma ou de outra, trata disso: escolhas.
Ontem à noite tive outra sacação, ou epifania, como gosto de dizer. Então vou colocar aqui as epifanias que tiver, pois acho que a vida imita o cinema e vice-versa.
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Lendo 1984 do George Orwell encontrei a seguinte questão: “How could you communicate with the future?” Logo me veio uma resposta à mente: escrevendo! A personagem do livro que faz essa pergunta não tem certeza se está em 1984, e muito menos da data exata, quando começa a escrever um diário. E se pergunta para quem estaria escrevendo aquilo já que ninguém (a princípio) vai ler. E aí vem a pergunta: “Como se comunicar com o futuro?”
Em 1948, quando Orwell escreveu 1984 ele não imaginava que eu iria ler seu romance em 2002. Hoje ele está se comunicando comigo, através de sua obra. Tudo bem que agora já não é mais futuro e Orwell não está aqui para ler o que escrevo, mas as suas palavras, suas idéias, chegam a mim exatamente como ele as escreveu.
E se um dia, após a minha morte, esse texto (ou qualquer outro por mim escrito) for encontrado, estarei eu também me comunicando com alguém. Portanto, hoje, nesse exato momento, estou me comunicando com o futuro.

3 thoughts on “Epifania #2

  1. Concordo contigo. Ontem mesmo passou no Telecine o filme do livro 1984, e é emocionante, bem no começo, você perceber o quão estranho é o poder da escrita.
    “Será que estou escrevendo para o futuro ou para o passado?”

  2. Queridao, acho que esse pode ser um dos propositos de se escrever. O mais egoista deles, que eh guardar informacao [e em alguns casos, dividir!]. Eu escrevo com a real intencao de marcar esses textos na minha memoria, como se fosse um album de fotografias.
    Beijos!

  3. Moa, acho que tudo que a gente escreve fica pra sempre. A escrita, o papel, são suportes para a eternidade das idéias. Claro que quanto melhor a idéia – e mais universal – maior o seu “caráter de eternidade”. Você concorda?

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