Eu comprei o filme para o Moa, mas não resisti e acabei abrindo e assistindo. Eu estou sempre comendo mosca com relação aos filmes mais impressionáveis. Culpa dessa minha mania de não alugar fitas, nunca!
E o Moa já tinha comentado esse filme diversas vezes, até aqui no Cinefilia, num texto de junho chamado Andy Warhol Meets Sunset Blvd [leia, se ainda nao leu!]. Mas até uma marca-touca crônica como eu tem seu dia de cair na real. E o meu dia foi quinta-feira, quando finalmente assiti Heat, o filme do Andy Warhol de 1972, dirigido pelo Paul Morrissey e estrelado pelo nosso pin-up idol Joe Dallesandro.
O filme é muito trash… algumas cenas estão tremidas, os atores às vezes parecem que estão improvisando ou apenas recitando um monólogo decorado. A trama é similar a de Sunset Boulevard, do Billy Wilder – só que parece mais uma paródia do que uma homenagem.
Joey Davis [Joe Dalesandro] é um ex-astro infantil de um programa de tv estilo “Família Do-Ré-Mi“, agora desempregado e buscando uma chance de trabalho. Ele vai morar num motel de quinta categoria em Los Angeles, onde uma verdadeira fauna de figuras esdrúxulas e bizarras circula pelo páteo e piscina. Entre elas, Jessica [Andrea Feldman], uma maluca com um filho bebê e uma amante lésbica. Jessica é filha da atriz decadente Sally Todd [Sylvia Miles], de quem Joey fica amante, na esperança que ela lhe faça contatos em Hollywood. Joe também troca favores sexuais por descontos no aluguel, com a dona do motel Lydia [Pat Ast]. Ninguém parece ter um pingo de sanidade e caráter. A calhordice dos personagens chega a ser caricata. Mas como desprender os olhos das cenas longas cheias diálogos hilários e de close-ups dos atores [com destaque para Joe Dallesandro, que parece ter hipnotizado o cameraman e tem zilhões de cenas em close]?
As atrizes, Miles, Feldman e Ast, colorem o filme com suas caras, corpos, vozes e atitudes. Miles é a diva acabada e decadente apaixonada pelo bimbo Joey. Feldman é a garota mimada, drogada, amalucada que faz tudo para provocar e chamar a atenção da mãe. E Ast é a gorda sexy e desbocada que dirige o motel de uma maneira bem peculiar. E entre elas circula o Deus grego Joe Dallesandro, que é simplesmente uma lindeza! Não é só a câmera que gruda nele. Nossos olhos também! Oh-la-la…………
O filme tem trilha Sonora de John Cage e um cenário escolhido com primor – do motelzinho chinfrim da sexy Lydia, ao casarão da carente Sally em Hollywood [que pertenceu à Boris Karloff na vida real]. A cena final, que pensamos vai ser igual a de Sunset Blv, é completamente histérica e engraçada. Tudo é memorável em Heat – de tão ruim só podia ter virado um filme cult!
Heat é puro trash!! Delicioso!
Andrea Feldman cometeu suicídio de uma forma teatral alguns meses antes do lançamento do filme. Comentou-se que o clima criado por Warhol e Morrissey nos sets das filmagens contribuiu para a tragédia. Feldman deu uma entrevista para a revista Interview em julho de 72, que nunca foi publicada, onde ela disse:
“They just throw you in front of a camera – they don’t care what you look like. And they just use you, and abuse you, and step on you, and they don’t pay you anything. I am very depressed about the whole thing, because I know I’m a damn good actress and I’ve been brought down by Warhol and I’ve been mistreated by them. And Paul Morrissey told me I was the best actress he ever had.”

heat

2 thoughts on “Heat

  1. Onde eu estava todo esse tempo, que não conheço esse Deus Grego??? Bem, tá certo que eu nem havia nascido em 72, mas daí a nem saber da existência do ator e do filme…
    Aluguel certo no próximo final de semana!!!

  2. Fer, vc não imagina como estou feliz! Esse seu texto está maravilhoso porque vc conseguiu capturar exatamente todo o charme trash, underground do filme. Os outros dois da trilogia “Morrissey / Dallesandro” são ainda mais “vagabas”. Heat é mesmo muito divertido, mas não é todo mundo que aguenta! Fico radiante de saber que vc curtiu tanto! E mais ainda por que agora vou ganhar o DVD! OBA!!!!
    Agora, a Andrea Feldman não era a melhor atriz do mundo!! Hahahaha!! Era a mais weird, isso sim!
    E o Joe, definitivamente, é o pin-up dos sonhos! ;^)))

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