Marathon Man

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Não me lembro quando vi esse filme pela primeira vez. Lembro apenas de algumas cenas que ficaram marcadas na memória. Laurence Olivier como o dentista nazista que tortura Dustin Hoffman ao tocar o nervo certo. Ele encostava um daqueles instrumentos de “tortura” que os dentistas usam em um determinado nervo e depois aplicava um líquido que aliviava a dor imediatamente. Entre dor e alívio ele achava que conseguiria fazer Dustin Hoffman confessar algo. Além dessa cena me lembro de outra marcante: Roy Scheider na sacada de um quarto de hotel em Paris, sem camisa, e um chinês sinistro que aparecia por trás da cortina e o atacava. A luta entre os dois, o sangue jorrando da mão ferida de Roy Scheider e a cortina branca manchada de sangue são imagens que eu nunca esqueci.
Agora, na gloriosa versão em DVD, que revi ontem à noite, a perfeição desse filme de John Schlesinger volta a me assombrar. A história é, a princípio, banal. Tudo se resume em ganância por dinheiro em forma de diamantes. Mas o roteiro é cheio de reviravoltas e a gente fica até sem saber, no final, se as personagens secundárias são bandidos ou mocinhos. Fora Dustin Hoffman que é do bem e Laurence Olivier que é claramente do mal, todos os outros (Roy Scheider, William Devane, Marthe Keller) são dúbios e jogam nos dois times. Isso é instigante e mesmo quando não se entende exatamente o que está acontecendo, a gente fica ligado, tenso, acompanhando a história. Filme bom é assim. E não há mais tantos filmes assim.
O meu maior prazer ao rever esse filme foi o fato de saber que era um filme maravilhoso, que eu gostava do filme mas estava vendo-o como se fosse a primeira vez, pois eu não me recordava do que aconteceria em seguida. Tem filmes que a gente revê, depois de muito tempo, e acha que vai gostar, mas se decepciona. Nesse caso, eu ia gostando mais e mais, conforme o filme se desenrolava. Roy Scheider está magnífico, charmoso, carismático e com aquela “cara de tubarão” que sempre me fez gostar dele. Dustin Hoffman está no auge da forma, numa época pré Rainman, quando ele era muito mais legal. Gosto dele especialmente nesses primeiros filmes – The Graduate, Midnight Cowboy, Marathon Man. E Laurence Olivier é um show a parte. Sua transformação é tão grande que na verdade pouco se vê do charmoso Olivier de Wuthering Heights ou Hamlet. Não apenas por ele estar envelhecido, mas principalmente pela força maligna em seu olhar, pela presença ameaçadora de poucos gestos e expressões. “Is it safe?”, ele pergunta a Dustin Hoffman na cena da tortura. Pergunta tantas vezes, sem se alterar, e ninguém sabe do que ele está falando. O medo vai crescendo em Hoffman e em quem estiver assistindo. “Is it safe?” Dustin não sabe o que responder. Uma hora diz que sim, outra diz que não. Nada satisfaz o dentista. “Is it safe?”

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Brrrrrrr!! Que medo!
Uma das cenas que mais gostei foi mais perto do final do filme, quando Laurence Olivier vai a rua 47 em NY que é cheia de lojas de diamantes e outras pedras preciosas, conhecida como Diamond Row. Ele quer saber quanto vale cada diamante no mercado e visita algumas lojas para saber. Só que NY, como todos sabem, é cheia de judeus. E ele é um nazista famoso que estava se escondendo no Uruguai por muitos anos. Ao andar pela rua, algumas pessoas mais velhas, judeus que estiveram em campos de concentração, o reconhecem. Uma mulher na rua, um homem em uma das lojas que ele visita. Na rua, a mulher começa a gritar seu nome, do outro lado da calçada, a multidão vai se formando ao redor dela e todos pensam que ela é louca. Olivier continua andando do outro lado da rua, tentando não ser reconhecido por mais ninguém. O homem da joalheria vem atrás dele. A tensão vai aumentando. Não vou contar o desfecho dessa cena, mas toda a seqüência é magnífica. Aliás, John Schlesinger está de parabéns. Marathon Man (que aqui no Brasil se chamou “Maratona da Morte”) é um filme recheado de magníficas seqüências: os dois velhos (um judeu e um alemão) brigando no trânsito, Dustin Hoffman sendo atacado no banheiro do seu apartamento, Roy Scheider no hotel em Paris, o confronto final entre o bandidão e o mocinho, entre outras além, é claro, da mais famosa cena do filme, a do dentista em ação e Dustin Hoffman correndo pelas ruas de NY a noite.
Além de tudo isso, Marathon Man tem um “plus adicional”. Com tantas cenas em NY (e algumas em Paris), o filme faz com que esta cidade seja uma personagem a mais. Além da rua 47, tem cenas importantes em várias partes do Central Park, no campus da Columbia University, e em outras ruas. Enfim, Marathon Man é para ser visto e revisto. Não percam.

3 thoughts on “Marathon Man

  1. Puxa, que bom que você voltou, Moa!
    Também estava sentindo falta dos seus textos…
    Realmente, virei uma cinéfila viciada em Cinefilia! (E isso também vale para os seus textos, Fezoca!!)

  2. Queridao, eu vi esse filme ha muitos anos e nao me lembro de nada….. Agora VOU TER que rever. E tasca Netflix!! :-)))))
    Mais um pra minha listinha…..
    E depois eu digo o que achei! :-))
    Beijaoooooo!

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