Modesty Blaise, o engodo!

Há muito tempo eu queria ver “Modesty Blaise”. Lia em meus livros de referência sobre esse filme e ficava sempre muito curioso para ver mais uma adaptação de uma história em quadrinhos para a telona. Nunca li um gibi de Modesty Blaise, portanto não poderia julgar se tinham sido fiéis ao original. Entretanto sempre houve um grande número de ítens a favor de Modesty Blaise, na minha opinião. São eles:
O diretor: Joseph Losey é um nome conhecido e sabia que ele tinha feito filmes elogiados. Depois eu me toquei que nunca tinha visto um filme dele.
O elenco: Monica Vitti é linda, já tinha visto “Eclipse” do Antonioni, com ela e Alain Delon e gostei bastante. Terence Stamp é um mito desde que vi “O Colecionador” e “Teorema”, então esse filme já estava na minha lista de “pendências” há tempos. Dirk Bogarde é outro mito. Já vi tanta coisa boa com ele (“Deuses Malditos”, “Morte em Veneza”, “O Porteiro da Noite”…) que eu não podia duvidar da qualidade de “Modesty Blaise”, o filme.
O tema: eu sempre fui fã de quadrinhos e suas adaptações cinematográficas. “Barbarella”, com Jane Fonda, está entre meus filmes prediletos. É divertido, leve e original. “Batman”, a série de televisão foi meu primeiro vício televisivo e compromisso obrigatório, todas as tardes, durante minha infância. Não precisava muito para uma adaptação dessas me agradar. Não precisava ser um “Homem-Aranha” ou “X-Men” super moderno, com efeitos inacreditáveis e grandes produções. E mais, sempre gostei muito de James Bond e vi praticamente todos os filmes de 007. Sabia que Modesty Blaise era uma espiã, ou coisa do gênero. Mais um ponto a favor.
Enfim, havia chegado o dia tão esperado. Eu veria “Modesty Blaise”. Gravei o filme do Telecine e, de férias, resolvi me refastelar no sofá e curtir a tão esperada pérola. Que engodo! Que decepção!!
“Modesty Blaise” é um filme CHATO! MUITO CHATO!! E, atenção, eu sou muito (muito mesmo) condescendente com cinema em geral. Eu gosto de praticamente tudo o que vejo. Mas eu levei três dias para conseguir terminar de ver “Modesty Blaise”. O filme tem cenas desconexas, sem pé nem cabeça. Tem momentos em que tenta ser engraçado e despretencioso como a série de TV “Batman”. Em outros momentos tenta ser sexy como “Barbarella” (Monica Vitti e Terence Stamp fazem tudo o que se pode esperar deles nesse campo) e em alguns momentos tentam “esquentar a trama” como se fosse um 007. Entretanto, infelizmente, Joseph Losey não consegue atingir nenhum de seus objetivos e se perde em meio a cenários elaborados e bonitos e um super elenco estrelar, completamente desperdiçado. É realmente uma pena ver Dirk Bogarde fazendo um papel tão bobo. Terence Stamp mal tem duas falas e é um mero coadjuvante. Monica Vitti apesar de bonita e, aparentemente, perfeita para o papel parece desconfortável por ter que proferir suas falas em inglês e não faz muito além de parecer uma modelo. Imaginem que resolvessem fazer uma nova versão de “Modesty Blaise”. Gisele Bünchen faria hoje a mesma coisa que Monica Vitti fez naquela época.
Enfim, depois de interromper o video três vezes e assistir outras coisas muito melhores, consegui chegar ao final e fiquei com cara de bobo: era isso? Esperei tanto tempo pra ver isso? Que anti-climax…
Comentei sobre o filme, rapidinho, com a Fernanda. Como vocês já podem ter lido, no último post aqui embaixo, ela AMOU o filme e se divertiu horrores. Tanto que foi até mais rápida do que eu e escreveu sobre o filme antes de mim. Para provar que mesmo sendo tão próximos e amigos, tem coisas sobre as quais a gente não concorda. Tippi Hedren vs Kim Novak e Tom Cruise, por exemplo. “Modesty Blaise” entra para nossa lista de controvérsias.

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