Terror. Humor e Sexo

Depois de ver os quase experimentais Heat, Trash e Flesh – filmes com direção de Paul Morrissey e produção de Andy Warhol Blood for Dracula , da mesma dupla, foi uma surpresa! O filme tem até roteiro e tudo nele é bem feito e caprichado. Os atores até interpretam [dentro dos limites de suas canastrices] e existe uma estória, que será belamente contada.
O vampiro Conde Dracula [ Udo Kier] está definhando no seu castelo na Romênia. Ele está morrendo pela escassez de sangue de mulheres virgens. Eu que pensava que vampiros já estivessem mortos, fiquei até comovida com a melancolia e a tristeza do Dracula de Morrissey e Warhol. Ele e seu assistente Anton [Arno Juerging] partem para a Itália, na esperança de encontrarem uma virgem [já que lá as famílias são religiosas e preservam as moçoilas para o casamento].
O vampiro e seu assistente arrogante encontram a família de aristrocatas falidos Di Fiore. O pai [Vittorio De Sica], a mãe [Maxime McKendry] e suas quatro filhas – duas virgens puras e duas que são lésbicas e transam o tempo todo com o único servente da família – Mario, o comunista [Joe Dallesandro].
Vai acontecer de tudo durante a estadia do estranho visitante na casa da italianada, louca pra tirar o pé da lama casando uma filha com o conde rico. Dracula vai até beber o sangue impuro das irmãs safadas e ficar com a cara verde e chamar o hugo no banheiro de sua suite.
Blood for Dracula tem cenários lindos, as mulheres do filme [comparadas com as de Heat, Trash e Flesh] também são líndissimas e até a música ajuda a criar um clima todo especial. As atuações são um pouco exageradas, mas não comprometem. Cada ator tem um sotaque diferente [italiano, alemão, inglês e americano], o que forma uma mixordia interessante. E tudo é tão extremamente dramático que acaba nos levando às gargalhadas [como nas cenas do conde desesperado, chupando um pão embebido no sangue de uma virgem atropelada ou lambendo o chão para beber o sangue de uma virgem deflorada, ou nas dos vômitos ou na do esquartejamento]. Uma catarse!
Joe Dallesandro tem muitas cenas de sexo onde ele está pelado [ou de torso nu – as usual] e as irmãs lésbicas, além de devassas, só andam pelos cantos da casa semi-nuas. O contraste entre Mario, o servente comunista revoltado e o enfermo e fraco Conde Dracula é gritante. As lésbicas preferem o Joe – e eu também preferiria!!
O filme tem uma ponta do diretor Romam Polansky, numa cena numa taverna onde ele trapaceia o servente do conde [que me fez lembrar David Hyde Pierce, o Niles Crane do seriado Frasier] num joguinho idiota.
O legal no DVD do filme é ouvir todos os comentários, que o Morrissey, o Warhol e o Udo fizeram anos depois do filme ser lançado, explicando cada micro-detalhe de cada cena. E eu acabei passando a minha tarde entretida com Blood for Dracula. Não deu outra!

3 thoughts on “Terror. Humor e Sexo

  1. Oi, Fer!
    Ontem vi na TV Shadow of the Vampire e me deu a maior vontade de assistir a Nosferatu não como citação, mas para para ver mesmo, tentando entrar na “brincadeira”.
    Obrigada sobre o texto sobre Minority Report 🙂
    Não, eu não vi Abril Despedaçado. Tenho ido muito pouco ao cinema, mas acho que já tem em dvd, portanto devo ver em breve.
    Beijo,
    CC

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