HABLE CON ELLA

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Dos filmes atualmente em cartaz no Rio e, certamente, entre os últimos filmes que vi em muito tempo, não há um mais poético e bonito que “Fale com Ela” de Pedro Almodóvar, 2002. Depois de “Tudo sobre Minha Mãe” eu não achava que poderia gostar ainda mais de um filme de Almodóvar. O cinema espanhol nunca foi necessariamente meu favorito e alguns dos trabalhos iniciais de Almodóvar eu gostei apenas parcialmente. O filme que o tornou famoso mundialmente, por exemplo, “Mulheres À Beira de Um Ataque de Nervos”, nunca me impressionou muito. Agora, entretanto, Almodóvar está suave, lírico e demonstra um enorme carinho por suas personagens. Em “Tudo Sobre Minha Mãe” ainda tínhamos tipos marginais por excelência (prostitutas e travestis), mas em “Fale com Ela” as personagens de Almodóvar são marginais por serem tão solitários e incompreendidos. O filme fala ainda sobre o universo feminino, mas desta vez ele é visto por olhos masculinos. As mulheres amadas estão em coma e é através da amizade de dois homens que nos envolvemos com elas.

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“Fale com Ela” é uma poesia cinematográfica pois poéticas são as cenas de tourada e a música que Caetano Veloso canta, arrancando suspiros da platéia. Poético é também um filme sonhado por um dos atores principais, que conta a história de um homem que encolheu até ficar tão pequeno que entrou na vagina da mulher amada. O poder dessas imagens é extraordinário mesmo que risível em alguns momentos. Poética é também a participação magistral de Geraldine Chaplin como a professora de balé. Apesar de aparecer pouco, Geraldine rouba a cena toda vez que está na tela. Uma homenagem indireta ao cineasta Carlos Saura, com quem Geraldine foi casada e que estrelou diversos de seus filmes. Saura foi um dos primeiros cineastas espanhóis a me chamar atenção para fora de Hollywood (sem contar Buñuel, é claro).

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Voltando ao filme de Almodóvar, basta ver algumas imagens do filme pra gente perceber a beleza da história e o quão singelo Almodóvar consegue ser. Não deixem de ver. No site do filme a gente pode ouvir uma parte da belíssima trilha sonora: Talk to Her

6 thoughts on “HABLE CON ELLA

  1. Na minha escola passaram o filme e eu gostei mt pk além de tratar de uma situação que pode acontecer nos dias de hoje tem um caracter cómico.
    Só penso k ao fim podiam morrer tdos em coma… era um piada.
    adorei.
    leandro.

  2. Moa & Fezoca,
    Se vcs gostaram do belíssimo “Hable con ella”, precisam assistir ao seu concorrente ao Oscar:”El hijo de la novia”, argentino, que na minha opinião não vai levar a estatueta, MAS QUE MERECIA, AH ! MERECIA !
    Un abrazo,
    Marianna

  3. Moa,
    esta é a segunda vez em q leio seu texto na íntegra, e tinha te prometido comentar algo a respeito, já q assisti a esse filme duas vezes. Só posso dizer-lhe q me emocionei ainda mais na segunda vez, mas me sinto incapacitada (nao é bem o termo) pra expressar qq coisa, apenas vejo e sinto, e nada comento, assim como um Alberto Caeeiro de Fernando Pessoa, q só vive e sente e se emociona, e nao necessita dizer coisa alguma. É muito bom entrar neste templo sagrado chamado Cinema e se sentir vivo, ainda q levando uns bons socos no estomago – assim foi a minha experiencia vendo Fale com Ela. Dá vontade de dar mais um tempo, e revê-lo mais uma vez.
    Beijos mil,
    Bia.

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