O cliché do “Fim de Ano”

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Existe dentro de mim uma enorme vontade de escrever e contar as coisas que se passam na minha cabeça. Assim como às vezes eu sonho com um filme, também sonho com textos. Essa manhã, por exemplo, sonhei com um texto maravilhoso que escreveria para o Cinefilia e que não era, necessariamente, sobre cinema, mas sobre arte em geral. Obviamente, na hora que eu sento à frente do computador, as palavras somem, as vírgulas não encontram os lugares certos e tudo o que eu sonhei me parece um belo e enorme “cliché”.
Fui tomar meu café da manhã, meio chateado com a vida e com minha incapacidade de escrever “as mais belas palavras de todos os tempos”. Coloquei um CD para ouvir. Presente de Natal precioso: Emmerson Nogueira – “Versão Acústica Vol. II”. Sem me dar conta, fui aos poucos me envolvendo com a música, enquanto fazia minha refeição matinal silenciosamente, entre um carinho e outro do amor e do cachorro. A voz de Emmerson Nogueira é morna, envolvente e estranhamente “próxima”. A seleção de músicas que ele regravou nesse segundo CD é tão boa quanto a do primeiro e inclui clássicos da música pop que todo mundo gosta. Exemplos: “Skyline Pigeon”, “The Boxer”, “Blowin’ in the Wind”, “Follow You Follow Me”… Todas essas canções ganharam arranjos bárbaros, suaves e “aconchegantes”. De repente percebi que tinha lágrimas nos olhos. Ouvia “Crazy” na versão de Emmerson, e entendi pela primeira vez o que a letra da música dizia,
“In a sky full of people only some want to fly
Isn’t that crazy
In a world full of people only some want to fly
Isn’t that crazy
But we’re never gonna survive unless
We get a little crazy”

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Me lembrei de como o cinema me faz voar, me faz esquecer e me perder de mim mesmo. É sempre um abandono tão reconfortante. Seja vendo filmes brilhantes como “Fight Club” e sentindo a dor necessária para “acordar para a vida”, ou vendo bobagens corriqueiras, cheias de clichés, como “Serendipity” (“Escrito nas Estrelas”) em que as paisagens de Nova York ao cair dos primeiros flocos de neve do inverno enchem a tela de uma magia incontestável, coisa de cinema, como se nada de mal pudesse nos acontecer, jamais. São nesses momentos que eu percebo que a arte é o que move o mundo. A expressão de nossos sentimentos, desejos, medos e esperanças. Música, Cinema, Literatura, Pintura… As artes, em todas as suas formas, legitimam nossos esforços para melhorar a vida, melhorar e aumentar a convivência pacífica entre os homens, fazendo com que o dia a dia de pagar contas, trabalhar, enfrentar o trânsito, ir ao supermercado, superar diferenças entre as pessoas e procurar entendê-las com mais paciência e amor, seja uma seqüência de ações mais prazeirosa e significativa. É através da Arte que a vida ganha sentido e graças à Ela conseguimos sobreviver sem enlouquecer.
E para não fugir de mais um cliché:
FELIZ 2003!!!!!!!
Com direito a muito cinema, música, literatura e o que mais lhe convier!
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4 thoughts on “O cliché do “Fim de Ano”

  1. Ih, ficou bonito isso hein!!! vai dando uma paz, gostoso mesmo. que continue bacana assim e falando muito de cinema. O q vc acha da Lina Wertmuller (ih, tá certo?)?? Eu sei q o cinema dela é meio datado mas gosto pra caramba… fale qq coisa a respeito se tiver tempo e vontade.
    feliz ano vida nova pra vc.

  2. Moa, parece q é justamente nesses momentos em q vc se sente incapacitado para escrever “as mais belas palavras”, q os seus textos se tornam mais belos e tocantes.
    Vc sabe q te desejo tudo de bom nao somente em 2003, mas em todos os anos do resto de nossas vidas (isso foi um clichê, né? ou terá sido um trocadilho? ;^))).
    Beijos mil,
    Bia.

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