Adaptation

hair.jpg

Charles Kauffman precisa escrever um roteiro. Sua missão é adaptar o livro The Orchid Thief da jornalista Susan Orlean. Susan escreve para a revista The New Yorker e seu livro é sobre John Laroche, um cara um tanto excêntrico que estuda plantas e se especializou em orquídeas. O livro de Susan é sobre as orquídeas e a beleza de sua capacidade de adaptação (mutação) de acordo com as necessidades.
Charles fica atordoado com as palavras de Susan e não consegue escrever. Entra em crise e tem um “writer’s block”. Acaba se apaixonando de certa forma por Susan, por sua foto na orelha do livro e simplesmente não consegue escrever. Para completar o quadro, seu irmão gêmeo está “morando de favor” na sua casa por um tempo e resolve escrever um roteiro também. Donald, o irmão de Charles, pede zilhões de conselhos e Charles fica meio puto com todos os clichês que Donald quer usar em seu roteiro. Charles sonha em escrever um filme sobre a beleza da vida, sem conflitos, sem drogas, violência, perseguições de carros e cenas de sexo.
Na realidade, de todas as personagens do filme, só o irmão gêmeo de Charles não existe. E também o final do filme não aconteceu. Só na cabeça de Charles e diante da câmera de Spike Jonze, o diretor do filme. Felizmente para todos nós que ganhamos de presente um filme inteligente, irônico e com um trio de atores irrepreensíveis. Nicolas Cage como os gêmeos roteiristas, Meryl Streep como Susan Orlean e Chris Cooper como o excêntrico Laroche estão divinos.
O grande barato é o filme dentro do filme, a história do livro de Susan Orlean (baseada em pessoas reais: John Laroche e a própria!) sendo adaptada por Charles Kauffman para o cinema e a maneira bizarra como seu “irmão gêmeo” o ajuda a terminar o roteiro, mesmo que enchendo seu filme de clichês. Afinal isso é Hollywood e é difícil fugir de sexo, drogas, perseguições de carro, ação e suspense. Mas com muita inteligência e bom humor.
Minha cena predileta: Susan doidona, ao telefone com Laroche, tentando reproduzir o tom de discagem do telefone.

phone.jpg

2 thoughts on “Adaptation

  1. (risos)
    também adorei o filme e a cena que a Meryl está doidona , imitando som de discagem pelo telefone, mas a parte q o personagem principal tem um surto criativo, misturando imagens no qual, numa delas, Darwin aparece dando golpes de boxe é hilário.
    Sou meia suspeita a falar, adoro todos os trabalhos do spike jonke ( desde quando ele era diretor de video-clipes).Porém ,gostei mais de “Quero ser jonh malkovich”_ é menos hollywoodiano, mais livre…
    opiniões pessoais à parte, adaptação é um ótimo filme.
    aindo não vi as horas, por falta de tempo. tentarei aproveita-lo melhor semana q vem; alem de “as horaS”, quero ver “o pianista” do Polanski
    que , me disseram q é muito bom.
    bjos, anonima

  2. Oi, Moa
    Interior do Paraná… aqui não chegaram, ainda, nem As Horas nem Adaptação (este, aliás, perdi a chance de assisti-lo, semana passada, quando estava em São Paulo; tremenda mancada). Agora, é esperar pela boa vontade dos poucos cinemas locais prá poder conferi-los.
    “Adaptação” quero ver por causa do Nick Cage (adoro) e por causa do Spike Jonze/Charlie Kaufman/Quero ser John Malkovich; e “As Horas” quero assistir prá ver a Nicole feia. Brincadeira.
    Vou aproveitar e também prestar mais atenção no trabalho da Meryl Streep.
    Beijos,
    Eli.

Comments are closed.