[* Eu revi esse filme outro dia na tevê e continuo gostando dele tanto quanto quando o vi pela primeira vez no cinema, anos atrás. Eu posso dizer que esse filme me tocou profundamente só porque nele o herói é um sujeito comum ou um pouco menos que isso – um cara medíocre – mas que descobre que também pode ter, e merece ter, um lugarzinho ao sol. Um dos meus filmes favoritos – Jesus’ Son.]
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Eu vi o cartaz do filme Jesus’ Son no saguão no Tower Theater em Sacramento e me senti magnetizada pelo close-up da foto do ator principal. Decidi que iria ver o filme, mesmo nem sabendo do que se tratava a estória. Foi paixão à primeira vista pelo sorriso e covinha de Billy Crudup.
O filme não decepcionou, pelo contrário, foi uma surpresa deliciosa. Baseado no romance autobiográfico do escritor Denis Johnson , Jesus’Son é o segundo longa metragem da diretora canadense Alison Maclean, que capturou com criatividade e lirismo a estória de um sujeito comum e sem glamour, suas peregrinação pelo submundo da mediocridade e das drogas, sua descida aos infernos e a final redenção. É um filme sobre pessoas comuns, os que acreditam que não tem nada de especial para oferecer nem a si mesmos, nem ao mundo. É também um filme sobre drogas – especialmente a heroína.
Billy Crudup é um cara sem eira nem beira, um vagabundo que todos chamam de FH (Fuck Head) por causa da sua tendência em sempre acabar fazendo cagadas e burradas, mesmo quando ele tenta desesperadamente fazer a coisa certa. Numa de suas tardes vazias, fazendo nada com amigos, ele conhece Michelle (Samantha Morton), uma drogada por quem ele acaba se apaixonando. Ela o introduz à heroína e acompanha FH na sua descida ao buraco negro das drogas e da pobreza. Quando Michelle tem uma overdose, FH se vê sozinho e caminha para uma apoteose que vai culminar na sua redenção. Ele descobre que não é um estranho no ninho, que há pessoas como ele no mundo e que a compaixão é um sentimento poderoso, que vai transformá-lo para sempre.
Jesus’s Son é um filme poético que nos leva a fazer pequenas meditações sobre a vida e a morte, provoca lágrimas e riso, enquanto testemunhamos uma lição de vida aprendida no submundo, na companhia dos seres que habitam esse lado escuro, de onde nunca poderíamos esperar encontrar tanta inspiração e sabedoria.
O filme também nos presenteia com atuações rápidas mas precisas de Dennis Hopper, Denis Leary, Holly Hunter e Jack Black (que já deu um show em High Fidelity e repete sua presença ‘rouba-cena’ como um atendente da emergência de um hospital, que trabalha com FH roubando drogas e perambulando pelas tragédias diárias do cotidiano junkie). Billy Crudup ganhou o premio de melhor ator no Paris Film Festival, pelo seu trabalho perfeito como FH – o idiota pelo qual toda a audiência se apaixona. O calvário pode ser um caminho sofrido, mas por pior que tudo pareça, sempre chega o dia de se enxergar a luz

One thought on “Jesus’ Son

  1. cinemania

    Filmes que eu assisti e não comentei: * Metroland [Christian Bale de costeleta… humhum!]; * Gadjo Dilo [um filme francês sobre ciganos romenos] * Rhapsody in Blue [bio de George

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