Katharine Hepburn em “Summertime”

Há algumas semanas atrás eu fui ao cinema ver Matrix Reloaded. Eu gostei muito do primeiro Matrix e sou um grande fã do Keanu Reeves. Estava ancioso para ver esse novo filme. Entretanto, no fundo da minha mente algo me dizia que eu não deveria ter expectativas muito altas. Bem, o filme foi uma verdadeira BOSTA pra mim! Que coisa horrorosa! Saí do cinema com uma única certeza: gastei 10 reais à toa!
À noite, zapeando pela televisão, peguei a primeira cena de um filme passado em Veneza. Cores brilhantes, fotografia belíssima. Eu tenho uma estranha relação com Veneza. Nunca estive nessa cidade (nunca fui à Itália), mas sinto que em outras encarnações já vivi por lá. Fiquei apreciando a paisagem e me acomodei na cama para ver o filme. Logo vi Katharine Hepburn, bela, hipnótica, magnética e interessante como sempre. O filme, acabei concluindo, era “Summertime” do David Lean, filme que eu queria ver há anos e nunca tinha conseguido. Que belo presente!

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David Lean fez alguns dos filmes mais belos de todos os tempos. Pelo menos Lawrence da Arábia e Doutro Zhivago são obrigatoriedade para qualquer cinéfilo que queira assim se intitular. Summertime é de alguns anos antes. Não é um filme tão grandioso, não tem cara de épico e nem dura longas horas. É um filme intimista, cheio de luz, cor e uma enorme sensação de férias. Sabe aquele sentimento delicioso que a gente tem quando sai de férias e vai descobrir lugares novos, pessoas novas? O filme é bem assim.

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Katharine Hepburn interpreta mais uma solteirona em sua carreira, que vai a Veneza em busca de prazer. Ela o encontra na figura de um belo italiano e vive um tórrido caso de amor, cheio de medos e prazeres. Infelizmente o cara é casado e ela resolve voltar pra casa e esquecê-lo. Pra mim foi PERFEITO! Era isso mesmo que ela tinha que fazer e pelo menos aproveitou e teve as melhores férias de sua vida. Daquelas que a gente nunca esquece.
Eu vivi isso em Paris. Foi tão bom…
Bem, voltando a Katharine Hepburn. Eu nunca a tive na minha lista das prediletas. Sempre a admirei, mas não conhecia muitos de seus filmes. Depois de ver Summertime e de ter gostado tanto de passear ao seu lado em Veneza resolvi ver “The African Queen”. A Fer me deu esse filme, há anos atrás, mexendo nas coisas dela que ainda estavam na casa da mãe dela em Campinas. Eu ainda não tinha sentado pra ver o filme. E tenho um livro, escrito pela própria Katharine sobre as filmagens do African Queen. Outra experiência deliciosa (embora não tão bela quanto Summertime)!
Fiquei fazendo planos de escrever sobre Hepburn para o Cinefilia, procurar outros filmes dela para ver, estudar sobre sua carreira, tal. Eu tenho uma amiga que mora em Miami, a Susan, que é a CARA da Hepburn. Eu vejo os filmes dela, fotos e penso na Susan. Dá uma saudade gostosa e é mais uma razão para eu gostar de Katharine Hepburn.

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Poucos dias após ver Summertime estou vendo CNN e descubro que Katharine morreu, aos 96 anos de idade. Não cheguei a ficar triste pois ninguém deve ficar triste por que alguém morreu aos 96 anos, depois de ter tido uma vida tão plena. Mas me pareceu que eu iria virar “oportunista” de dizer que eu gostava de Katharine Hepburn no Cinefilia, no dia seguinte de sua morte. Resolvi esperar um tempo. Agora tô aqui, fazendo uma homenagem a uma das maiores atrizes de todos os tempos (eu a coloco ao lado de Bette Davis e Meryl Streep no topo da lista).
Quanto à Matrix Reloaded… que perda de tempo!

2 thoughts on “Katharine Hepburn em “Summertime”

  1. Moa, nem perdi meu tempo com porcarias de Reloaded…. Felizmente estou ficando MUITO seletiva com o que gasto o meu suado dinheirinho… 🙂
    Quanto a Hepburn, tambem nunca a tive na minha lista de atrizes favoritas, mas sempre a achei divertida e interessante. Sempre que a via, pensava ‘quero envelhecer como ela!’. E ela era otima em comedias, mas tambem muito boa em dramas. Vi The Lion in the Winter, com ela e o Peter O’Toole, onde ela esta fenomenal [e ele tambem]. Eu tambem gostei muito dela naquele filme com o Sidney Poitier, onde ele eh namorado da filha dela [e o Spencer Tracey eh o pai]. Ela era uma atriz classuda!
    Mas tambem senti o mesmo que voce qdo soube da morte dela: que maravilha e privilegio ter vivido uma vida tao longa e plena! E vai ser lembrada por muitos e muitos anos!
    * tambem curti Summertime…. nunca vivi aquela experiencia, mas posso ate imaginar…. 🙂
    bjao!

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