Rumble Fish

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Quem já viu Rumble Fish? Eu vi. Só não consigo dizer quantas vezes já vi esse filme. Perdi as contas. Rumble Fish foi o meu cult movie predileto durante muitos anos. Eu vi o filme no cinema inúmeras vezes, antes de conseguir uma cópia em VHS. Primeiro foi uma cópia dublada, com intervalos comerciais, copiada de um primo que gravou o filme quando passou na TV Globo. Depois consegui uma cópia legendada. Até que fui aos Estados Unidos e comprei uma cópia bonitinha em VHS, sem legendas e imagem perfeita. A última aquisição foi comprar o filme em DVD, direto da banca de revistas, em formato Widescreen e tudo. Maravilha. Hoje me deliciei mais uma vez com essa obra de arte cinematográfica.
O filme é de 1983, dirigido pelo Francis Ford Coppola e aqui no Brasil ganhou o título (de gosto duvidoso) “O Selvagem da Motocicleta”. “Peixes de Briga”, tradução literal do original, teria sido mais adequado ao meu ver, mas “O Selvagem da Motocicleta” até que não é dos piores. Dá pra traçar paralelos com “O Selvagem” (The Wild One) que Marlon Brando estrelou na década de 50. E a personagem de Mickey Rourke não tem seu nome revelado no filme (ou no livro) e é conhecida apenas por “The Motorcycle Boy”. O mito do rapaz da motocicleta é o que ronda a cidade onde o filme se passa (Tulsa, Oklahoma) e a história poderia ser resumida da seguinte maneira: tenha espaço para viver, vá para um lugar onde você possa ser você mesmo, sem precisar brigar para se impor e onde não terá de viver à sombra de outras pessoas da família ou da própria cidade. Parece simplório e na verdade o roteiro não tem grandes pretensões. A mensagem final é de liberdade. Liberdade de formas pré-definidas e padrões a serem seguidos. Estilo “Easy Rider”.

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O melhor do filme é o “tom” geral, a fotografia brilhante em preto e branco que me faz pensar em “Orfeu” de Jean Cocteau e o uso exato de cores nos peixes de briga e num determinado momento final. Como o “Motorcycle Boy” é daltônico e o filme gira em torno de sua “lenda”, vemos tudo por sua ótica. Quando seu irmão, Rusty James, vive o momento decisivo (turning point) que dá início à sua nova jornada temos um vislumbre do que ele poderia enxergar e viver, em cores. O peixes são coloridos pois são exatamente a chave para a saída. Enquanto Rusty James permanecer em Tulsa, naquele lado da cidade, convivendo com aquelas pessoas, ele não passará de um peixe de briga.

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O elenco é de tirar o chapéu. Matt Dillon como Rusty James entrou para a história da sétima arte com esse papel. Ele tem a fúria de um jovem Marlon Brando enquanto Mickey Rourke lembra James Dean, introspectivo e cabisbaixo o tempo todo. “De quebra” temos Diane Lane, Nicolas Cage, Tom Waits, Vincent Spano, Chris Penn, Laurence Fishburne e Diana Scarwid sem contar, é claro, com pai bêbado dos dois irmãos, vivido brilhantemente por ninguém menos que Dennis Hopper, diretamente de Easy Rider, 20 anos depois. Tem até Sofia Coppola, ainda garotinha, como a irmã de Diane Lane. Sofia é creditada como “Domino”, mas não há dúvidas de que seja ela.
O que eu sei é que mesmo depois de muitas e muitas visões de Rumble Fish, eu continuo gostando de ver esse filme. Não me canso. Meu cult. Uma das minhas identidades cinematográficas.

7 thoughts on “Rumble Fish

  1. Este filme faz parte da historia da minha vida. Desde meados dos anos 80 reflito sobre a trajetoria dos personagens dessa obra-prima. Interessante notar que temos um pouquinho de cada personagem em nossa forma de pensar. Tenho copias do filme em VHS e DVD. E tambem consegui um CD com a excelente trilha sonora do incrivel Stewart Copeland (ex-the police). Sempre que tenho tempo ou preciso refletir sobre determinados assuntos, volto assistir o filme. Gostaria de me corresponder com pessoas que queiram discutir teses sobre o filme e outras obras de S.E.Hinton.

  2. Ainda não assisti a este filme apesar das diversas indicações, espero poder vê-lo ainda este fin de semana. Já li muito a respeito dele que tem vários atores que gosto muito e ahistória é bacana. A propósito, o comentário da Fer [* o Tom Cruise esta bem ridiculinho nesse filme….!! 🙂 ], acho que ela está confundindo com “Vidas sem Rumo – The Outsiders” Rumble Fish não tem Tom Cuise! Certo??
    Obs. Já coloquei este site em meu bookmark e estarei consultando sempre.
    Abraços

  3. Caro Moacir,
    Esse filme também permanece em minha cabeceira, mesmo depois de tantos anos.
    Adoro a fotografia expressionista!
    Gostaria de saber onde achar aquela música do final do filme?
    Pelos créditos iniciais li que era do Steve Copland.
    Atenciosamente,
    Frida

  4. Pô Moacir, curti muito o que voçe escreveu.Eu vi esse filme em 1986 e rapidamente virou o meu predileto, por tudo o que vç falou e mais a visão particular de cada um, realmente é um filme apaixonante.Merecia muito mais referencias.
    Um abraço, Luiz.

  5. Valeu Moa , to todo dia aprendendo com vcs, vou correndo alugar este filme ….. adorei seu texto me fez ficar curiosa para assistir.
    Um beijo….

  6. Moa,
    Esse filme tem um clima delicioso. E o Mickey Rourke esta maravilhoso. Sempre que penso nele, sinto uma pena enorme por ele ter desperdicado uma carreira promissoria em favor de se deformar em rinks de boxe…. hoje ele esta tao absurdamente desfigurado, que tenho dificuldades em liga-lo aos personagens que ele fez antes de despirocar.
    beijaooo!
    [* o Tom Cruise esta bem ridiculinho nesse filme….!! 🙂 ]

  7. Em 88, a rede Metropolitana comprou uma rádio em SJRPreto. Passei um mês por lá. Promeira noite na cidade, um calor danado. Ar condicionado de cinema me pareceu uma boa idéia. Fui atrás e achei o cinema fresquinho. Assisti duas sessões, uma atrás da outra. Não foi pelo ar, mas pelo filme. Nem preciso dizer qual era o filme, né?
    Baita abraço.

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