Tricotando com Michael Moore

Ontem tive minha primeira aula de tricot. Pedi à minha mãe que me ensinasse a tricotar, só para ter algo com o que ocupar minhas mãos nos finais de semana, algo mecânico que não ocupasse minha mente e servisse de “momento de terapia e meditação comigo mesmo”. Depois de aprender os pontos básicos, fui ao cinema com uma amiga. Fomos, finalmente, ver Bowling for Columbine o documentário do Michael Moore, premiado com o Oscar de melhor documentário do ano, que fez tanto sucesso e foi tão polêmico. Esse filme está em cartaz aqui no Rio há um tempão e eu ainda não tinha consegui ir vê-lo.
Eu amei o filme. Embora chocado com as estatísticas e com toda a realidade mostrada no filme, fiquei admirado com a coragem do Moore e com a genialidade de seu filme. A maneira como ele editou toda a sua pesquisa, atrás de “por que nos EUA há mais mortes por armas de fogo do que em qualquer outro país do primeiro mundo?”, é brilhante.
Em casa, à noite, comecei a tricotar uma possível futura capa para uma almofada. Não sei se vai dar certo. Como é a primeira coisa que faço tricot na vida, e minha professora não está por perto, acho que uns pontos vão sair mais folgados que outros e um ou outro pode até ter escapado, sem que eu tenha notado. Enfim, fiquei horas no sofá, e depois na cama, tricotando e pensando comigo mesmo. Michael Moore não me saía da cabeça…
Eu sempre gostei tanto dos americanos… Hollywood, o sonho da vida perfeita, a beleza loira dos Estados Unidos… tudo lá funciona tão bem… Mas também tem um lado tão podre, tão doentio. E o que mais me chocou foi a diferença entre canadenses e americanos com relação ao medo. Medo de quase tudo. Dos vizinhos, de assaltos, de morrer, de matarem suas famílias. No Canadá ninguém tranca as portas de casa para dormir. No meu prédio existem três portas de ferro até chegar à porta de madeira do meu apartamento. E nessa porta existem três fechaduras/trancas. Eu tenho medo também. Será que todo carioca é assim? Será que a Cultura do Medo dos americanos está na mente dos poderosos da mídia no Brasil? Será que o Rio de Janeiro é DE FATO tão perigoso quando a gente pensa que é? Ou a TV Globo nos faz temer mais do que deveríamos?
Sangue, morte, armas, tiros, violência vendem mais jornal do que qualquer outra coisa, né? A cultura do medo faz a gente consumir mais. Chegando a ridículos como o episódio Y2K que o Michael Moore mostra no filme…
Continuei tricotando, viajando nas idéias… Adorei saber que eles conseguiram fazer com que o Kmart parasse de vender balas e munição de qualquer tipo em suas lojas. Isso é verdade, Fer? Funcionou mesmo? No filme, cheguei a ficar emocionado com isso.
E os micos pagados pelo Dick Clark, explorador de mão-de-obra em um de seus restaurantes, e pelo Charlton Heston, presidente da NRA (National Rifle Association)? Que MICÕES!! Amei Michael Moore, por sua coragem, por sua determinação e cheguei ao final do filme com a sensação de que não há mal nenhum em gostar dos americanos pois ainda há vida inteligente por lá. Assim como em todo lugar tem também muita gente babaca e aproveitadora. O azar é que eles formam o país mais poderoso do mundo e com isso a influência que essa Cultura do Medo tem no resto do mundo é muito grande mesmo. Mas é mais prejudicial para os próprios americanos.
Bom, deixa eu ir que tenho muito o que tricotar ainda.

5 thoughts on “Tricotando com Michael Moore

  1. Moa, o Michael Moore eh um tipico “blue collar”…. e ele defende o mesmo povao que critica! 🙂
    Bom, eu nao so vivo num meio universitario, como vivo na California, que nao eh um estado igual aos tradicionais americanos. Entao minha visao eh bem estreita com relacao aos white trash desta pais…. 🙂
    Mas povao eh povao em qualquer pais. Se formos julgar quem eh que elege os politicos como essa prefeita ai do RJ, com certeza nao sao os conhecedores e leitores de Gandhi.
    O que a sua amiga canadense falou? Eu tambem so conheci o oeste do Canada. Nao sei como eh o leste.
    bjus!
    [* nao sei se tem jeito de nos dois recebermos as notificacoes …. vou dar uma olhada no site do Movable Type]

  2. Pois é, Fer. Acho que o problema maior é o “povão” que tem a mentalidade dita “típica” dos americanos, aquele povo que só come junk food, vive se achando os melhores do mundo, nunca ouviram falar em Gandhi (pra citar um exemplo do filme) e outras coisas mais da cultura e história mundial.
    Vc vive num meio universitário e acho que isso já dá um tom diferente, né?
    Também fiquei pensando se no Canadá TODO mundo é tão relax assim… Tenho uma amiga que mora no Canadá e falou a MESMA coisa que o pessoal do filme falou.
    Sei lá.
    Mas que o filme é bom, disso eu não tenho dúvidas!
    E o Michael Moore tem CARA de americano, desses “típicos”, mas não acho que seja! ;^))))

  3. Moa, eu ainda nao vi esse filme. Eu tenho uma antipatia pelo Michael Moore, porque nao gosto do jeito agressivo dele. Mas acho que ele eh extremamente necessario, porque cutuca, polemiza e tenta mostrar o outro lado da moeda para as pessoas. Mas o que eu li e ouvi falar sobre esse filme [documentario] eh que o Moore nao foi cem por cento honesto e manipulou cenas para forcar um ponto de vista. Todo mundo que viu, gostou. Mas como no Rio de Janeiro, aqui tambem ha sensacionalismo. Ele diz que no Canada o pessoal nao tranca as portas das casas e eu concordo. Eu mesma vivia esquecendo o meu carro com as janelas abertas na rua. Mas eu divido que em cidades como Vancouver e Toronto voce possa fazer isso. Aqui eu tambem posso deixar a minha casa aberta [e as vezes eu faco, sem querer..]. Mas em Sacramento, se voce fizer isso, vaio estar arriscando. Entao eu acho que essas estatisticas do Moore estao meio manipuladas, porque nada eh um branco no preto. A historia das armas eu nao sei, porque cada estado tem suas leis. Aqui na California eu nao sei como isso funciona, mas eu nunca vi armas pra vender em lugar nenhum. Mas eu so tenho a visao daqui… nao sei como eh no sul ou no meio oeste…..
    beijao!! [ e bom tricot! ;-)]

  4. “Será que o Rio de Janeiro é DE FATO tão perigoso quando a gente pensa que é? Ou a TV Globo nos faz temer mais do que deveríamos?”
    depois que a Rosinha assumiu, tenho a impressão que o crme se transferiu todo de São Paulo para o Rio. não se fala mais da criminalidade paulista, já o Rio…

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