O nome do Tom Hanks sempre me vem à cabeça quando penso num ator que começou com comédias leves e soube muito bem diversificar, evitando ficar typecasted, e hoje é bom fazendo quase tudo.
Já o Jim Carrey não conseguiu sair do estilo com que ele se consagrou. No caso dele talvez nem seja um typecasting clássico, porque ele se dá muito bem em comédia de humor negro [The Cable Guy, que pra mim é um dos seus melhores filmes] ou em filmes sérios, mas com um toque de humor diferente, como The Truman Show ou Man on the Moon.
Eu sou fascinada por um ator noir da década de 40, o John Garfield. Assisti à vários filmes dele, e em quase todos que eu vi ele fazia um deliqüente, um marginalizado, um bandidinho, um malandro. É muito interessante, porque quando eu penso nele, vejo o tipo dele [baixinho] e a maneira com que ele falava [com uma entonação e gírias típicas do cara povão], não consigo imaginá-lo num papel que não seja os que o caracterizou. É ele que faz o amante da Lana Turner no fantástico The Postman Always Rings Twice, de 1946. No mesmo ano, ele fez um romântico com a Joan Crawford, chamado Humoresque, onde ele interpreta um violinista. Pra mim tudo estava errado naquele filme: John Garfield não tem o perfil de um músico clássico; ele e a Joan Crawford não combinaram, não sintonizaram, não rolou a famosa ‘química’ e não formaram um casal sensual, como Garfield e Turner em Postman Always Rings Twice; e quando ele abria a boca, parecia um traficante de beco escuro falando…..
Eu gosto do Jim Carrey fazendo comédias. E gosto do John Garfield fazendo filmes noirs, onde ele sempre acaba mal ou regenerado….
E arriscaria dizer que muitos typecastings acontecem também por pressao do publico! Não só por falta de talento dos atores ou por manipulação do estúdio.

One thought on “typecasting

  1. Eu gostei dessas coisas que você escreveu, Fezoca! Dá pra fazer outra listinha dos typecasts. Como a Meg Ryan, por exemplo. Só faz a mesma coisa. Por isso ela nunca chegará a ser Katharine ou Audrey Hepburn!

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