Eu vi o filme sobre a vida da escritora Iris Murdoch duas vezes na tevê e nunca consegui escrever sobre ele. Eu tenho mesmo uma certa dificuldade para comentar filmes que me emocionaram demais e Iris é um deles.
O filme se concentra no final da vida da escritora, quando ela sucumbe às sombras do Mal de Alzheimer. Enquanto assistimos à decadência intelectual e emocional imposta pela doença de Iris, o filme nos mostra em flashbacks momentos da sua juventude, quando ela conhece o intelectual e professor John Bayley, que será o seu companheiro até a morte.
O mais tocante em Iris é a tortura de ver Murdoch [vivida na juventude por Kate Winslet e na velhice por Judi Dench] sendo engolida pela doença, que a coloca num mundo à parte, enquanto conhecemos a personalidade carismática e energética da escritora na sua juventude. Também emociona a dedicação e o amor de John Bayley [vivido na juventude por Hugh Bonneville e na velhice por Jim Broadbent] por ela. O contraste entre a intelectual e free spirit Murdoch da juventude e a frágil, confusa e decadente Murdoch arrasada pela terrível enfermidade é enorme. E o sentimento de tristeza é devastador. O trabalho dos quatro atores está maravilhoso e Judy Dench, Jim Broadbent e Kate Winslet ganharam indicações para o Oscar de Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante em 2002.

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4 thoughts on “Iris

  1. Fer, como tinha dito no post anterior, vi “Iris” ontem: é encantador…Interpretações maravilhosas, roteiro e edição idem. O confronto entre a vitalidade da Iris jovem e a decadência da Iris idosa forma um contraste que realça ainda mais a personalidade e a trajetória da escritora/filósofa/mulher. Só uma correçãozinha no seu texto: quem foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante (e que merecidamente levou) foi o Jim Broadbent. É isso. Abraço, do Ícaro.

  2. Fer, há tempos vejo o dvd de “Iris” na locadora. Mas na hora de definir o que levar, ele acaba sendo preterido. Mas seu texto vai fazer a diferença na próxima vez que eu for à locadora: “Iris” não vai me escapar mais. Abração, do Ícaro.

  3. Rafaela, tbm gostei de Heavenly Creatures, mas nao posso negar que eh um filme desconfortavel e sombrio…. E onde foi parar a atriz que faz a outra menina, a morena, filha da vitima?
    Ainda estou sob os efeitos de Eternal Sunshine… 🙂
    Ontem vimos o novo dos irmaos Coen – The Ladykillers. Achei legal, mas nao sensacional, como sao todos os filmes dos Coen.
    bjus,

  4. Kate Winslet é a atriz da vez aqui em casa. No começo do ano, assistimos “Quill” via satélite e um amigo trouxe o DVD de “Holy Smoke”. Adoramos os dois.
    Esse mês eu vi a entrevista dela com o James Lipton, quando fiquei sabendo de “Iris”, e gravei o “Heavenly Creatures” para rever e apresentar para o maridão.
    Fomos ao cinema ontem para ver o maravilhoso “Eternal Sunshine” (escrevi lá no Caderno no sábado sobre o filme). Hoje nem precisei pressionar muito o maridão para assistimos “Heavenly”; foi necessário dizer apenas duas coisas: Winslet aos 17 dando beijo em outra menina e direção de Peter Jackson ;o)
    Agora só falta pegar o “Iris” no Bravo ou no HBO Signatures.
    Beijocas!

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