Something’s Gotta Give

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Uma casa em Southampton, a praia dos ricaços de Nova York. Diane Keaton é uma escritora da Broadway de sucesso. Sua filha, a linda Amanda Peet, está de namorico com Jack Nicholson. Ele é dono de inúmeras empresas e, aparentemente, não precisa trabalhar e não sabe o que é “stress”. Mas, como já tem 63 anos e continua “abusando” dos prazeres da vida, tem um ataque cardíaco quando se preparava para transar com a namorada. Na casa de praia da mãe dela. O médico, muito atencioso, dedicado e extremamente lindo (Keanu Reeves), recomenda que ele fique na cidade para descansar. A contragosto da escritora famosa o rico empresário fica em sua casa dos sonhos. O que era ódio, obviamente, vira amor. Tem ainda Frances MacDormand como a irmã da escritora, professora universitária, super cabeça, que saca tudo o que vai acontecer ANTES que qualquer coisa aconteça.

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Aí está toda a história de Something’s Gotta Give que, por causa do título em português “Alguém tem que Ceder” eu fico sempre achando que deveria ser “SomeONE’s Gotta Give”! Eu sei que lendo o parágrafo acima o filme parece banal, comum e óbvio demais. Entretanto, essa produção tem sensibilidade de sobra para nos fazer rir e sair do cinema com a sensação de que a vida vale a pena. Mesmo quando a sua vida real não anda tão romântica quanto você gostaria e seu apartamento não tem vista para o mar e seus móveis não são tão lindos quanto os do filme.

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Diane Keaton, de quem eu nunca fui fã, apesar de gostar de vários de seus filmes (Manhattan, The First Wives Club, Marvin’s Room, Manhattan Murder Mystery…), está esplendorosa como Erica Barry, a escritora. Bonita, sensual, charmosa e divertida, suas neuroses são típicas de Diane Keaton. As golas altas, chapéus… aquela atitude “esquisita” que ela parece ter na vida real estão tão em sincronia com sua personagem que ela não parece estar atuando. O fato dela ser uma escritora é ainda mais atraente para mim, pois eu amo filmes sobre escritores. Mais pro final do filme (que, confesso, é um pouco longo e tem vários “fins”) ela tem uma cena divertidíssima, escrevendo sua peça, chorando e rindo, chorando e rindo, fazendo sua catarse, expurgando a dor através da escrita e se divertindo com isso, conseguindo elevar sua auto estima pelo prazer de estar produzindo um belo texto. Adoro isso! :^)

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Na vida de Erica Barry só houve, praticamente, um homem. Seu ex-marido de um casamento que durou 20 anos (Paul Michael Glaser, no less!). Agora Erica se vê entre dois homens: o empresário chovinista Harry Sanborn e o doutor Julian Mercer que tem quase a metade da idade de Harry. Se eu me colocar no lugar de Erica não teria, a princípio, dúvidas sobre com quem ficaria. Nas palavras do próprio doutor, “Algumas mulheres me acham bem atraente. Tenho 36, sou médico…”

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A maioria das pessoas, críticos e fãs de cinema, igualmente, não gostam do Keanu Reeves. Eu ADORO!! Acho que ele sempre traz um charme extra para os filmes e tem uma intensidade maravilhosa que pode ser usada tanto para a comédia (Bill & Ted) quanto para ação (Matrix), drama (My Own Private Idaho) ou romance (Sweet November). Em Something’s Gotta Give Keanu faz um papel secundário, mas muito importante porque ele ajuda a personagem de Diane Keaton a acreditar mais em si mesma como uma mulher sensual e atraente. E nesse ponto eu tenho que dizer que embora tenha gostado do final do filme, acho que Erica escolheu o homem errado. Não vou contar o final do filme, claro, mas quem quiser rebater a bola…

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Bem, apesar de amar Keanu e ter adorado Keaton, a estrela do filme é Jack! Teve uma época em que eu achava que nunca mais gostaria de vê-lo na tela. As Bruxas de Eastwick é um saco, sua performance como o Coringa em Batman não me agradou e o astronauta, namorado de Shirley MacLaine em Laços de Ternura é um chato (aliás, aquele filme TODO é chato!). Eu adoro Jack em Chinatown, em Easy Rider, Carnal Knowledge e outros filmes “daquela época”. Foi depois de As Good as it Gets que eu “voltei” a gostar de Jack. E nesse filme ele está ainda melhor. Melhor porque não tem exageros, não tem excessos e nos faz acreditar que está realmente apaixonado por Diane Keaton. E, mesmo velho e gordo, consegue ser charmoso, sensual e bonito. Suas cenas com Diane e com Keanu são inesquecíveis.

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Como se não bastasse tudo isso, o visual do filme é tão lindo que não dá para não sonhar com uma casa daquela. Os tons de azul claro e creme nas listras do tapete da sala, as pedras brancas (e algumas pretas) que Erica coleciona, a sala que serve de escritório para ela, com uma bela escrivaninha para colocar o laptop, com vista para a praia e a varanda com lindas cadeiras e guarda-sóis… tudo parece ter saído de um catálogo da Martha Stewart (que, aliás, é citada no filme). Saí do cinema sonhando… Me fez um bem danado ver esse filme. Não derramei uma lágrima, ri bastante e me senti confortavelmente “aquecido”. Mesmo que ao chegar em casa não tenha conseguido compartilhar minha vontade de viver momentos românticos e sofisticados como comer ovos mexidos e beber vinho à luz de velas no meio da noite. Fazer o que? Acho que é pra isso que serve um bom filme comum e previsível de Hollywood: nos fazer sonhar.

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8 thoughts on “Something’s Gotta Give

  1. Moa, muito legal o texto. Também gostei muito de “ATqC”. Mas acho que o final seria bem mais interessante se a Erica tivesse ficado com o Julien. Porque o mais chato do filme é justamente a postura careta de que a diferença de idade é empecilho para a felicidade. Pra mim, o encontro de Erica e Harry já tinha cumprido seu papel: mostrar pra ele que uma mulher é muito mais que um corpinho enxuto e mostrar pra ela que ainda estava viva para o sexo. É isso. Abraço, do Ícaro.

  2. Moa , concordo plenamente com você !
    Encantador , charmoso , muito gostoso de se ver e não tem como não sonhar ….pra mim foi muito especial fui ao cinema com meus pais , adorei estar com eles e vendo eles se identificarem com os personagens !!!!
    Um bjo !

  3. Olá, Moa!
    Sou fã declarada e coleguinha virtual da Fê e agora queria dizer que também estou me tornando fã de seus textos.
    Estou louca para ver esse filme, que acredito ter um título bem oportuno no português, mas meu marido acredita que esse é um “chick flick”, ou seja, um “filme de menina”. Ele gosta do Jack e do Keanu e, como 99.99% da população masculina não deixa a Amanda passar batido. Mas acho que só verei esse filme daqui a uns dois ou três meses, quando chegar no pay-per-view aqui.
    O Jack sempre foi ótimo. É daqueles caras que, só de estarem no filme, já tornam a história mais interessante. O máximo! Falando nisso, você assistiu o “Tratamento de Choque” (“Anger Management”)? A dupla com o Adam Sandler é o máximo!!!
    Quanto ao Keanu, estou tão em cima do muro quanto em relação à Nicole Kidman. Já amei Keanu na minha infância, até surgir aquele rumor de ele tinha se casado com o David Geffen e meu pai e o meu irmão começaram a me azucrinar. Como ator, o considero até um pouco técnico em dramas, como se deixasse escapar de antemão qual será sua entonação e seu olhar na próxima fala. Mas mesmo sendo um pouco crítica, não posso negar que existe um charme, um “quê” inexplicável. Tenho sentido o mesmo em relação à Nicole, porque adorei o trabalho dela em “Moulin Rouge”, mas ainda não me decidi se ela é uma fresca metida e falsa completa ou se passa essa impressão para tentar se proteger da imprensa. De uma maneira ou de outra, vou assistir a nova versão de “The Stepford Wives” com muitas reservas, já que o thriller cabeça da década de 70 é insuperável…
    Beijos!

  4. Oi, Fer…! Sumi, mas estou de volta a blogar. Mas olha, este filme é um que quero assistir o mais breve possível. EStou com muita vontade de vê-lo, por vários motivos, agora ainda mais, depois que li seu comentário aí em cima. Pelos atores, pela fotografia e pelo tema…Seu blog está cada vez melhor. Parabéns, menina! beijins.

  5. Moa, tinha certeza de q vc iria fazer todas essas observações do filme! A casa, os móveis, a praia…a Martha Stewart!! :-))
    o filme não é nenhuma obra-prima, mas é muito bom ter essa sensação de aconchego q vc teve – eu tb tive.
    beijocas mil,
    Bia.
    E.T. Fezoca, q lado capricórnio é esse? eu sou capricorniana, mas pelo visto ultimamente tenho estado mais pra outros signos!!! beijocas procê tb!

  6. Moa!
    Que textaooo! 🙂
    Adorei! Gostei do filme tambem, mas meu lado capricornio ficava dizendo o tempo todo – isso nao eh real, isso nao eh possivel, todo mundo nesse filme eh bonito, rico e bem sucedido, gente assim eh so coisa de cinema. Bom, na verdade gente assim existe, mas nao faz parte do meu circulo! 🙂
    Concordo com voce: se eu fosse a Erica, ficaria com o Dr. Keanu, sem sombra de duvidas! 🙂
    Eu AMO a Keaton de Annie Hall. Acho que ela sai fora de todos dos estereotipos de Hollywood. Se veste de uma maneira que eu gosto e eh desajeitada e atrapalhada de uma maneira que eu me identifico.
    So que ela eh chic e eu nao! 🙂
    O personagem do Jack eh dono de uma gravadora de rap, por isso eh podre de rico! Eh ai que esta o $$$! 🙂
    Grande filme pra distrair, mas muito dificil de revive-lo na vida real. Primeiro, nao tem praia na frente da minha casa…. 🙂
    Beijaooo!

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