“(…)bons filmes farão de nós seres melhores.”

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Essa frase está na introdução do livro do Roger Ebert que estou lendo. Que eu comentei aqui outro dia. Ao começar a falar dos filmes selecionados por ele para figurarem em sua lista dos cem melhores, Roger Ebert cita Sean Penn falando para uma platéia num festival de cinema: “Se você explorar três conceitos num só filme, a regra será violada e o público desaparecerá.”
Eu entendo essa afirmativa do querido Sean Penn como uma crítica às fórmulas hollywoodianas atuais (e que já têm algum tempo de existência) de fazer filmes facilmente consumíveis, que não façam as pessoas pensarem muito, nem que envolvam conceitos demais para não “confundir” a mente do espectador médio. Lembro do Steve Martin numa entrega dos Oscar dizendo que estava “chateado” com Meryl Streep porque ele foi ver As Horas e ela “o fez pensar”.
Continuando, Ebert diz que todos os filmes incluídos em sua lista contém três ou mais conceitos. Ebert diz também que viu os filmes citados dezenas de vezes. Cita ainda um crítico inglês que disse que “sua lista simplesmente refletia os filmes que ele nem poderia cogitar a idéia de não revê-los.” Não consegui, ainda, chegar a uma conclusão da sua definição de conceito, mas vou fazer a minha lista (eu adoro uma lista pra quem não sabe) baseado em alguns pontos que considero importantes para me fazer gostar de um filme. E são filmes que eu também sequer poderia cogitar a idéia de não revê-los.
Os pontos são:
1. Roteiro – se a história fala ao meu coração ou me envolve de alguma maneira é o ponto principal para o filme me cativar;
2. Presença/performance do elenco ou de um ator/atriz em particular;
3. Aspectos visuais – fotografia, cenários, efeitos, qualquer coisa que transforme a experiência cinematográfica em um deleite visual, uma festa para os meus olhos. Sou extremamente visual e meu prazer passa, quase obrigatoriamente, pela visão. Isso pode contar pontos extras se a estrela do filme me agradar visualmente além de ter uma performance que me toque.
4. Direção – quando o diretor é BOM ele consegue combinar esses três fatores que citei e isso faz o filme ser grande, bom, gostoso de se ver e nos faz refletir e nos torna “seres melhores” como disse Roger Ebert.

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Talvez esses sejam os pontos principais para mim. Não consigo pensar agora em outros fatores. Lembro de filmes como What’s Eating Gilbert Grape? que me comoveram tremendamente e me tocaram fundo mas que eu simplesmente não consegueria ver novamente. Então a idéia de querer rever o filme é importante para que ele figure na minha lista. E vamos a ela (em ordem cronológica e não de preferência pois isso seria impossível):
Orphée, 1949 (Jean Cocteau)
Sunset Blvd, 1950 (Billy Wilder)
All About Eve, 1950 (Joseph L. Mankiewicz)
Rear Window, 1954 (Alfred Hitchcock)
Breakfast at Tiffany’s, 1961 (Blake Edwards)
The Birds, 1963 (Alfred Hitchcock)
Marnie, 1964 (Alfred Hitchcock)
Jaws, 1975 (Steven Spielberg)
Rumble Fish, 1983 (Francis Ford Coppola)
Out of Africa, 1985 (Sidney Pollack)
My Own Private Idaho, 1998 (Gus Van Sant)
Eyes Wide Shut, 1999 (Stanley Kubrick)

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Tem outros. Eu só fico com “medo” de colocar algo que não tenha absoluta certeza do quanto eu gosto. Uma lista da qual eu tenho certeza é dos meus diretores prediletos. Posso até incluir outros nomes, mas esses são nota dez e seus filmes SEMPRE me agradam. São eles:
Alfred Hitchcock
Tim Burton
Gus Van Sant
Billy Wilder
William Wyler
Orson Welles
Roman Polanski
Jean Cocteau
Woody Allen
Francis Ford Coppola
Ridley Scott
François Truffaut

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4 thoughts on ““(…)bons filmes farão de nós seres melhores.”

  1. Nossa! Que inveja!! Primeiro do seu site, que ta show!! Li ele inteiro! Segundo por vc ter ido no show da margaret Cho… eu sou fa, mas nunca consigo ir…
    com certeza voltarei mais vezes!

  2. Auri, esse texto que voce comentou é do Moa e não meu. Somos dois escrevendo no Cinefilia! 🙂
    Moa, que texto legal! O Ebert é fera, hein? 🙂 Eu também tenho minhas obsessõeszinhas e os filmes que marcaram. Outro dia estava pensando nesses filmes e fiz uma lista mental:
    * O Mundo de Henry Oriente [foi uma obsessão doentia]
    * A Força do Destino [An Official and a Gentleman]
    * Terms of Endearment
    * Flashdance [HAHAHAHA!]
    * The Big Lebowski
    * Jesus Son
    * Annie Hall
    * Eternal Sunshine of the Spotless Mind [o mais recente]
    Tem mais filmes, mas agora não consigo lembrar. Acho que vou fazer uma listinha cuidadosa e transformar num post!
    Beijao!

  3. Oi, Fer. Seu blog, como sempre, o máximo…! Assim como existem os filmes inesquecíveis, existem os livros inesquecíveis – e imprescindíveis – para quem é apaixonada pela magia do cinema. E este é um deles. De sua lista de diretores prediletos, para mim, o do coração mesmo é o mestre Hitchcock. Beijos.

  4. Oi, Fer. Seu blog, como sempre, o máximo…! Assim como existem os filmes inesquecíveis, existem os livros inesquecíveis – e imprescindíveis – para quem é apaixonada pela magia do cinema. E este é um deles. De sua lista de diretores prediletos, para mim, o do coração mesmo é o mestre Hitchcock. Beijos.

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