Eu quis muito ver esse filme australiano no cinema, mas não deu certo, por um motivo ou outro. Como eu raramente alugo filmes, precisei esperar até o dia em que coincidentemente eu estivesse navegando por um canal de tevê na hora exata em que Rabbit-Proof Fence fosse começar. E finalmente isso aconteceu, me dando a oportunidade de finalmente ver e me emocionar com um filme belíssimo.
Molly, Dayze e Gracie são três meninas mestiças de aborígene com branco no início da década de 30, na Austrália. Elas são tiradas do lugar onde vivem com a mãe e avó para se cumprir uma lei abominável, que vigorou até os anos 70. Através dela, o governo colocava crianças half-castes em instituições especiais, onde elas seriam educadas e treinadas para anular o lado aborígene e promover o lado branco. A menina Molly, de quatorze anos, não se resigna e decide voltar pra casa. Com ela vão Dayse e Gracie. Elas andam por nove semanas pelo outback australiano, seguindo uma cerca infinita, que protegia as terras cultivadas dos coelhos. Perseguidas, famintas, cansadas, elas não desistem. Dayze é pega e levada de volta para a instituição, mas Molly e Gracie conseguem voltar para casa.
O mais chocante dessa história é que ela realmente aconteceu. No final do filme, o diretor Phillip Noyce mostra as verdadeiras Molly e Gracie, já com mais de oitenta anos, contando brevemente como persistiram depois da volta.
O único ator conhecido no filme é o irlandês Kenneth Branagh, que faz o mentor e diretor do programa que retirava as crianças mestiças de suas famílias originais. Rabbit-Proof Fence é um filme triste e bonito, como a paisagem ríspida do interior do continente australiano.

:::

rabbit-proof fence
:::