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Eu já falei algumas vezes sobre o prazer de se ver um bom filme pela primeira vez. Hoje vou me repetir um pouquinho, porque não é sempre que se tem a oportunidade de ver The Misfits pela primeira vez. Só vi meia hora de filme e isso já é o suficiente para me inspirar e querer escrever sobre mais uma experiência cinematográfica.
Em 1961 John Huston dirigiu o roteiro de Arthur Miller, baseado em um conto de sua autoria sobre um grupo de pessoas em Reno, que na época, pelo que eu entendi, era uma cidade para onde as pessoas iam para conseguir se divorciar ou jogar. O elenco é algo de outro mundo. Dos papéis principais, até as participações especiais passando por coadjuvantes de altíssimo calibre. Clark Gable empresta seu charme de Rhett Butler a um cowboy durão, mas com coração de ouro. Marilyn Monroe, que eu já vi em vários filmes, nunca esteve tão bem. Vulnerável, sofrida, bonita, e realmente magnetizante. Não dá pra olhar para outro lado quando ela está na tela. Montgomery Clift não apareceu ainda nessa primeira meia hora, mas mal me contenho de antecipação (I shiver with an-ti-ci . .. pation…), curiosíssimo para vê-lo em um dos seus últimos filmes. Thelma Ritter está maravilhosa como sempre. Uma das minhas atrizes prediletas, com carisma de sobra e um timing perfeito, rouba todas as cenas. Eli Wallach, que nunca foi bonito, está soberbo, com uma doçura nos olhos que encanta. Ele e Marilyn têm uma cena de dança que é uma delícia. Kevin McCarthy e Estelle Winwood fazem pequenas participações e tê-los em pontas é um luxo que não se consegue toda hora.
A fotografia em preto e branco me lembra Who’s Afraid of Virginia Woolf? e tem “CLÁSSICO” escrito em todos os frames. Por que demorei tanto tempo para ver esse filme? Vou terminar de vê-lo. Depois conto o resto.

Fala de Thelma Ritter: Here’s to Nevada, the Leave-it state. Got money you wanna gamble, leave it here. Got a wife you wanna divorce, leave it here. I’ve even left my southern accent here. The slogan of Nevada is “Anything goes, but don’t complain if it went.”

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Três dias depois eu acabei de ver o filme. Fiquei em estado de choque, maravilhado com a fotografia, a dramaticidade da história, a magnitude da direção e o talento dos atores. Montgomery Clift só aparece depois de um terço de filme e, apesar do destaque nos créditos, é tão coadjuvante quanto Wallach e Ritter. Sua performance, no entanto, é a mais tocante, feita menos de falas e mais de olhares e reações.
Ao final do filme eu estava com a cara inchada de tanto chorar. A seqüência da caça aos cavalos é a cara do John Huston e, embora perfeita dentro do filme, me deixou com o estômago embrulhado de tanta dó dos cavalos. É o ponto alto do filme, mas eu me senti a própria Marilyn, implorando para que os cavalos fossem poupados. Felizmente tudo acaba bem melhor do que eu temia e ainda que alguma coisa, que eu não consigo definir bem o que é, me diga que o filme não é perfeito, eu estou morrendo de vontade de ver esse filme novamente. Tem um quê de cult movie, daqueles que dá vontade de ver de novo, de novo e de novo, até que a gente tenha degustado cada cena do filme.

One thought on “The Misfits

  1. Moa, eh inacreditavel a nossa sintonia!
    Tambem vi esse filme pela primeira vez uns meses atrás, na tevê. Achei lindo, a fotografia, a historia e a interpretacao de todos os atores, como voce bem comentou. Fiquei impressionada com a tensao dramatica do desempenho da Marylin Monroe. Dizem que esse filme foi um parto, porque ela estava numa crise emocional terrivel e provocou atrasos interminaveis na producao do filme. Esse filme tem muito diz-que-disse. Diz que o Gable insistiu em fazer toas as cenas do cavalo sem duble e foi isso que causou a sua morte, uns meses depois. Ele estava muito fora de forma. E o Montgomery Clift, apesar de aparecer pouco, tem uma presenca marcante. Dah vontade de abraca-lo, de tentar ajuad-lo. O papel dele eh bem marcante.
    Eu tambem fiquei ARRASADA nas cenas dos cavalos. Nossa, chorei ate ficar desanimada e senti o que a personagem da Marylin sentiu, o desespero, a inutilidade daquela empreitada que era para simplesmente matar os animais. Um FILMAO, neh? Diz que o Arthur Miller escreveu a historia para a Marylin, que era casada com ele na epoca. E tem muito dela na personagem, nao?
    Eu nao tenho esse filme em dvd, voce sabe, ainda nao peguei o BUG.. 🙂 Mas esse eh um must have em qualquer dvdteca.
    Beijaoooo!

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