A Fantástica Parceria de Tim Burton e Johnny Depp

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Eu vi A Fantástica Fábrica de Chocolate algumas vezes na televisão, há anos atrás. Como acontece com todo filme que realmente marca nossas vidas, eu me lembrava perfeitamente da menina que adorava chicletes, ficava azul e virava uma enorme bola, rolada fábrica a fora pelos anõezinhos. Eu me lembrava dos quatro avós que dormiam na mesma cama, dois pra um lado e dois pro outro. Lembrava dos oompa loompa e lembrava das lindas barras de chocolate e dos convites dourados. Também lembrava do Gene Wilder de quem eu nunca gostei muito, exceto nesse filme.
Estranhamente eu não sabia quem havia dirigido a nova versão desse clássico da década de 70, mas quando as primeiras imagens surgiram na tela, floquinhos de neve passeando pelo logo da Warner Bros e os primeiros acordes entraram nos meus ouvidos eu disse para mim mesmo, “É claro! Esse filme é do Tim Burton e a música é do Danny Elfman! Eu vou adorar esse filme!” A única coisa que eu sabia era que o Johnny Depp fazia o papel do Willy Wonka, o excêntrico dono da fábrica de chocolates. Não preciso dizer que acertei sobre a direção e sobre a música do filme (eu reconheço essa dupla de longe), mas faço questão de dizer o quanto o Johnny Depp tá BOM no filme. Outro dia eu disse aqui no Cinefilia que o Paul Newman é meu ator predileto. Isso é verdade. Mas não dá pra resistir ao talento, à presença magnetizante e à capacidade transformadora de ser vários que o Johnny Depp tem. É só dar uma olhada nos suas atuações em filmes sem Tim Burton como Finding Neverland, What’s Eating Gilbert Grape?, Before Night Falls, Donnie Brasco e depois se deliciar com sua parceria com o mestre Tim Burton: Edward Scissorhands, Ed Wood, A Lenda do Cavelheiro Sem cabeça
Dessa vez Depp nos faz sentir repulsa e compaixão ao mesmo tempo pelo seu tipo esquisito, vestindo e calçando um modelito Prince, com cabelos de Rita Lee, voz e comportamento de Michael Jackson e um sorriso que lembra o gato de Alice No País das Maravilhas. Não consegui desviar os olhos dele.
Ainda sobre Tim Burton, ele consegue criar delírios visuais como ninguém, chegando ao requinte de reinventar mestres como Stanley Kubrick em uma cena onde o cenário todo branco nos faz pensar em Laranja Mecânica para, em seguida, homenagear 2001, Uma Odisséia no Espaço, com uma barra de chocolate no lugar do monolito. Aliás, Burton também faz referências a Psicose e revisita seu próprio universo (Batman Returns, The Nightmare Before Christmas e o clássico Edward Scissorhands).
Ao final da sessão a platéia bateu palmas, emocionada. Há tempos eu não presenciava isso. O conto de fadas continua sendo um gênero encantador. Impossível resistir.

3 thoughts on “A Fantástica Parceria de Tim Burton e Johnny Depp

  1. Hahahah!
    Eu nunca vi e nem sei quem são os oompa lompa.
    Eu sou muito estranha, mesmo.
    Ou então, eu estava “morta” (se é que me entendem hohoh)
    Ah Moa, o Gene Wilder tem uma cara que nem parece que é uma cara, não é?
    Eu a-do-ro ele em O jovem Frankenstein.
    Está maravilhoso, porque o filme é maravilhoso.
    M

  2. E o Johnny Depp esquisito como realmente sao muitos dos personagens dos contos de fadas… Quando eu era pequena, adorava mas tinha medo do Fantastica Fabrica! Depois, analisando, percebi que o filme tinha elementos que me atraiam muito (o visual, o chocolate, as atuacoes), mas tambem o moralismo assustador dos contos.
    Mas achei mais “creepy” ainda o J. Depp se inspirar no Michael Jackson para compor o personagem!
    Estou curiosa, claro. E, se o famoso Moa gostou, eu TENHO que ver!
    Fiquei tambem me lembrando de outros contos estranhissimos. Pele de Asno, por exemplo! Quem sabe so os autores desses contos compreendam a esquisitice das criancas.

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