No mês passado fomos ao cinema alternativo em Sacramento para tentar ver um “filme cabeça”. O verão em termos de cinema é uma josta, cheio de blockbusters chatinhos, filmes pra ocupar o tempo ocioso de milhões de crianças e adolescentes em férias. Escolhemos ver Crash do Paul Haggis, sobre o qual eu já tinha lido algumas críticas elogiosas.
O filme é um amaranhado de acidentes envolvendo pessoas de raças diferentes na cidade de Los Angeles. É um filme bonito e forte e toca numa ferida dolorida, uma realidade que muitos sofrem, poucos notam. A chinesa bate no carro da policial latina e seu partner [e amante] negro. Diz berrando, vocês mexicanos não sabem digirir! O casal negro voltando de uma festa é parado pelo policial branco, que molesta a mulher agresssivamente. O policial branco tem o pai sofrendo de uma infecção urinária e agride a atendente negra do plano de saúde. O comerciante iraniano compra uma arma pra se defender. A socialite branca tem seu carro roubado por delinquentes negros e explode, mais tarde, numa cena onde humilha um mexicano. O cenário de dramas vai se formando, a história de cada personagem se desenvolvendo, todos são agressores e todos são vitímas.
Crash peca apenas por duas coisas: algumas cenas extremamente melodramáticas, como o resgate da mulher negra pelo policial branco no carro em chamas e o confronto entre o iraniano e o mexicano com a criança no meio. Um exagero totalmente desnecessário para o desenvolvimento da trama. Peca também porque nos faz lembrar demais um outro filme com uma estrutura incrívelmente semelhante. É impossível assistir Crash e não pensar em Magnolia do Paul Thomas Anderson. Tem até uma certa “chuva” no final…

4 thoughts on “Crash

  1. Achei “Crash” genial, embora concordo que o filme peque por excesso de cenas melodramaticas. O livro, dizem, eh excelente.

  2. Eu gostei de Crash porque mostra que todos nós estamos sujeitos a discriminar e ser discriminado porque na verdade nós sabemos que é a atitude e não a raça que determina o caráter.

  3. Ai, Fer, se tiver chuva de sapos me avisa, que eu nem vou querer ver o Crash então!!!!
    Essa fórmula de vários eventos simultâneos já nem é novidade, vem do Robert Altman em Short Cuts, ou filmes mais recentes como Traffic e Magnolia.
    Bjs,

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