Minha instrução musical com relação à Jonnhy Cash era limitada à sua participação no album Nashville Skyline de 1969 do Bob Dylan, onde os dois cantam a maravilhosa Girl of the North Country. Dylan com sua voz anasalada, Cash com a sua voz gutural. O dueto transformou a música, que é lindissima, numa favorita.
Outro dia vi um filme interessantíssimo na TCM: Hootenanny Hoot de 1963, onde um produtor de tevê caí de amores por um grupo de country & folk que se apresentam em pequenas cidades e quer levá-los para o horário nobre da telinha. Johnny Cash aparece tocando com o seu grupo. Sua presença é dark, sua voz quase falada é pesada, ele é grande e tem um carisma incrível.
Mesmo não tendo muito conhecimento da carreira e do body of work de Cash, Walk the Line do James Mangold já estava na minha lista dos pouquíssimos filmes que eu precisava ver na tela do cinema. O coringa era Joaquin Phoenix no papel do legendário Cash. Vi primeiro o cartaz do filme, que na minha humilde opinião é um dos mais bonitos das últimas décadas. Cash associado à Dylan e Phoenix associado à Cash, nem precisa mandar, o filme estreiou e eu fui vê-lo.
A história vai de 1944, quando Cash era um menino de 12 anos e perde o irmão num acidente horrível, até 1969, quando ele faz um concerto na Folsom Prison e pede June Carter [Reese Witherspoon] em casamento no palco do teatro onde fazia um show em London, Ontario, no Canadá. O filme passa pelos traumas de infância do cantor, seu relacionamento difícil e amargo com o pai, sua passagem pela força aérea, o primeiro casamento, as dificuldades do início de carreira, as primeiras turnês que fez pelo país com Elvis Presley, Carl Perkins, Roy Orbison, Jerry Lee Lewis e Waylon Jennings, o seu envolvimento com as drogas e a paixão por June Carter. Claro que tudo no filme é legal. A história de Johnny Cash é legal e Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon cantam com suas próprias vozes. Mas o ponto alto do filme pra mim foi a história de amor entre Cash e Carter. Ela mudou a vida dele e viveram trinta e cinco anos juntos, até a morte súbita dela em 2003, que foi seguida por ele quatro meses depois. Uma história clássica de amor, além de tudo mais…

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