Bell, Book & Candle vs. Breakfast at Tiffany’s

Ontem eu tive que dar o braço a torcer: Kim Novak está maravilhosamente linda em Bell, Book and Candle (Sortilégios de Amor, no Brasil). Dirigido por Richard Quine em 1958, repetindo a assombrosa dupla de Vertigo, James Stewart e Novak desta vez lidam com um material bem mais light do que no filme do mestre Hitchcock. A comédia romântica sobre uma bruxa, dona de uma loja no Greenwich Village em Nova York, que se sente entediada e resolve enfeitiçar o editor vivido por Stewart e fazê-lo se apaixonar por ela, é leve, despretenciosa, bonita de se ver e adoravelmente “Sessão da Tarde”.
Aliás, após ver o filme fiquei pensando no meu filme predileto de Sessão da Tarde, Breakfast at Tiffany’s e achei vááááárias semelhanças. Vejamos: ambas moram num prédio em NY e “enfeitiçam” seus vizinhos. George Peppard é um escritor e Stewart é um editor. Ambos lidam com livros. Audrey Hepburn usa preto quase o filme inteiro e Novak usa única e exclusivamente preto e vermelho (à exceção da última cena, quando já está transformada). Ambas têm um gato. Os gatos adoram andar nos ombros dos pretendentes de olhos azuis, que estão sempre prontos para ajudar suas vizinhas a se calçarem. Os dois filmes têm final feliz, é claro, senão não seria “Sessão da Tarde” e tanto Audrey quanto Kim percebem a transformação por que estão passando em meio a lágrimas ao procurarem seus gatos pelas ruas da cidade. A transformação, obviamente, veio através do amor. Uma se chama Holly Golightly e a outra é Gillian Holroyd. Holly poderia ser uma feiticeira e Gillian é praticamente uma Holly, perdida num estilo de vida que deseja abandonar. Um filme é baseado num conto e o outro numa peça. Como Breakfast at Tiffany’s é muito mais famoso poderíamos dizer que Bell, Book and Candle copiou a fórmula de sucesso do outro, mas este último foi filmado três anos antes. De fato era o estilo da época, ou apenas coincidências demais que não acabam por aí.
Existe uma outra mulher nas vidas dos dois galãs, que são trocadas pelas novas beldades. Novak é bonita, mas não é lá essas coisas como atriz. O mesmo se pode dizer de Peppard. James Stewart e Audrey Hepburn, ao contrário, são talentos incomparáveis, ganhadores de Oscar e tudo o mais, verdadeiras lendas do cinema. Dois atores das antigas fazem papéis secundários bastante cômicos e marcantes: Mickey Rooney como o fotógrafo japonês que mora no apartamento acima de Holly e Elsa Lanchester como a tia bruxa de Gillian, que mora no apartamento acima de James Stewart. Um é incomodado pelo barulho abaixo e a outra incomoda pelo barulho que faz acima. Ainda como coadjuvantes “cúmplices” temos Martin Balsam como o protetor de Holly e Jack Lemmon como o irmão de Gillian. São funções muito parecidas em roteiros pra lá de semelhantes. Até o estilo visual dos filmes é parecido e é bem provável que tenha sido isso o que me fez conectá-los em primeiro lugar.
Uma feiticeira e uma prostituta em Nova York, circa1960. Solitárias, marginais, cujas vidas são transformadas pelo amor que as colocaria no “eixo”. Quanto aos homens, podemos aí encontrar a maior diferença entre os filmes. Apesar de ambos serem “intelectuais” e viverem cercados de livros, o personagem de George Peppard é sustentado por uma mulher mais velha (Patricia Neal) e no conto original de Truman Capote ele era de fato gay e não havia romance algum entre ele e Holly. O que Hollywood consegue fazer é pasteurizar tudo e eu aposto que algumas tantas coisas foram adaptadas da peça original para que Bell, Book and Candle virasse a Sessão da Tarde que virou. É a força dos clichés. E não dá pra negar que são bem agradáveis. ;^)
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Em homenagem à Fezoca:

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One thought on “Bell, Book & Candle vs. Breakfast at Tiffany’s

  1. oh, que LINDA! 🙂
    tambem adoro esse filme, que ja revi trocentas mil vezes, nos meus velhos tempos de sessao da tarde e agora no tcm. que bela analise, nao tinha me tocado das semelhancas entre os dois filmes…
    btw, voce viu a neta da Tippi Hedren no Golden Globe? a menina – filha da Labioes de Gel e do Miami Vicio – eh a CARA da avó, impressionante [e que SORTE!].

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