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O filme que vi ontem foi Brokeback Mountain e ele foi quase tudo o que eu esperava. Eu poderia discorrer sobre algumas coisas que eu não gostei na montagem do filme, nos saltos no tempo, em uma narrativa não muito clara para quem não tem o olho treinado para ver filmes, mas isso poderia soar como se eu não tivesse gostado do filme. Melhor falar sobre o efeito do filme em mim. Há anos eu não saía do cinema tão abalado emocionalmente. Quando entrei no carro comecei a chorar um choro calmo e triste, mas não desesperado. Ainda agora as lágrimas vêm sem que eu as convide.
Jack e Ennis se conheceram em 1963. Trabalharam isolados no alto de uma montanha, cuidando de ovelhas, por alguns meses. Entre eles surgiu amor e atração sexual que perduraria para o resto de suas vidas. E aí está um problema que só quem vive um amor proibido consegue entender. Como sufocar um sentimento tão forte? Como viver sem expressar sua paixão, seus desejos mais fortes? Jack e Ennis, ao longo de vinte anos de convivência, se encontram por uma semana, a cada tantos meses. Casam e têm filhos. Nunca se sentem tão felizes quanto em suas fugas no oásis que é a Montanha Brokeback. O resto do tempo é uma espera para que o novo encontro aconteça.
Não precisa muito mais para entender a dor das despedidas, o medo da solidão, o nó na garganta, o peso de viver o cerne de sua existência de maneira furtiva, secretamente e de forma tão interrompida.
Ao mesmo tempo, é fácil imaginar o quão intensos são esses encontros, quando a liberdade da natureza os permite viver sem restrições. Desses momentos eles tiram a energia necessária para sobreviver até o próximo encontro. Provavelmente poucas pessoas tiveram a oportunidade de viver momentos tão fortes e intensos.
Adicione a tudo isso as inevitáveis diferenças entre um e outro. Jack é o mais “assumido” dos dois. Se aventura com outros homens de tempos em tempos e sonha com uma vida ao lado de Ennis. Ennis mal consegue expressar seus sentimentos. Sufoca seus desejos ao máximo e nunca considerou o sonho de Jack como algo possível. Isso o torna violento e solitário, na maior parte do tempo.
O final do filme é de partir o coração de qualquer um. Típico de Ang Lee, nada convencional, sutil como The Ice Storm. Meu coração dói só de lembrar. Palmas para o diretor.
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Heath Ledger é uma surpresa. Não imaginava que ele pudesse estar tão bem. Seu Ennis é contido, sempre a ponto de explodir e quando o faz, seja de paixão (o primeiro reencontro deles, depois de 4 anos sem se ver, tem uma urgência incontrolada que Ledger demonstra com maestria), de violência ou angústia pura por não saber o que fazer é sempre na medida exata.
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Jake Gyllenhaal eu já sabia que era bom. Além de bonito e gostoso. Seu Jack é corajoso, destemido e um marco na minha vida. Ele vai do palhaço brincalhão ao amante sedutor, passando da entrega ao abandono. Está tudo lá.
As partes do filme que eu não gostei não importam nem um pouco. A nota é dez. E não poderia ter sido diferente.

3 thoughts on “Brokeback Mountain

  1. Vi esse filme faz dois dias e desde então minha vida virou de cabeça para baixo. Não sei explicar, não sei entender, sei lá…

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