An Inconvenient Truth

Ver o documentário An Inconvenient Truth no final de um dia tórrido, depois de enfrentarmos um bafão de 107ºF [43ºC], não poderia ser mais efetivo. Aquecimento global não tem nenhuma chance de ser ficção, quando estamos vivendo dias tão quentes assim. Saí do cinema com uma dor de cabeça de rachar coquinho, mas também com a certeza de que nem tudo esta perdido. Eu e minha amiga sentamos no murinho para conversar. Eu precisava falar das mil coisas que me aperreiam neste momento – a eminência de uma pandemia, ou de uma guerra monstruosa, do degelo dos polos, dos fazendeiros e traficantes de cocaína na política e no poder, do crime organizado tomando o controle das cidades, da inércia geral, do muito papo e da pouca ação.
O filme do Al Gore é legal. Assusta, mas mesmo assim é legal. Ouvi dizer que ele abandonou a política para dedicar-se à essa causa. Acho sinceramente que, fazendo palestras, escrevendo livros e divulgando filmes sobre esse assunto, ele esteja prestando um melhor serviço para a humanidade. É fato que ele aparece mais do que deveria durante o filme. São muitos close-ups, ele falando em público, ele pensando com seus botões no quarto do hotel, ele usando o seu Mac Powerbook. E alguns toques pessoais que soaram um pouco melodramáticos e não muito eficientes, como a história do acidente do filho e da morte da irmã. Mas tirando a visível ego-trip e o fato incômodo de que ele é um político, An Inconvienient Truth passa eficazmente a sua mensagem.
É assustador pensar nas consequências de tanto maltrato ambiental. E já estamos nos confrontando com os resultados de algumas mudanças bem notáveis. Mas o mais importante desse documentário não é só os gráficos científicos que Gore apresenta, nem a constatação de que muito estrago já foi feito, apesar de muita gente achar que essa história de aquecimento global é balela. O mais importante do filme é mostrar que invés de ficarmos de braços cruzados discutindo se é ou não é, se vamos sucumbir ou não, ou praguejar contra o o tal governinho que não assinou o Tratado de Kioto, é começar – se já não começou – a fazer algo concreto. Eu sinceramente acredito que uma mudança geral se inicia com uma mudança individual. E tento há muitos anos fazer a minha parte. O que você pode fazer? Ainda não sabe? Felizmente, muita coisa! E se precisar de uma lista inicial, tem uma disponível AQUI.

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