Peguei em DVD Dark Victory de1939, pois estou realmente determinada em tentar alcançar o Moa na filmografia da Bette Davis! A minha visão do filme não é a de uma fanzoca da atriz mas nem por isso eu deixo de apreciar essas pérolas da história de Hollywood. Dizem que esse é o filme que a Davis mais gostou de fazer. E foi o filme que lhe deu sua terceira indicação para um Oscar – que ela não abocanhou.
Adoro as roupas, os chapéus, os modelitos usados pelas atrizes, os cenários, tudo! O Humphrey Bogart antes de virar um ícone, tentando imitar um sotaque de irlandês estava de lascar. E George Brent, o médico-marido da Davis, é o estereótipo do mocinho sofrendo em silêncio e no final sendo poupado, ou boicotado, pois a sua presença na cena final poderia ofuscar o brilho terminal da mártir-protagonista, a moribunda Bette.
Quantos exageros nesse melodrama…. Reparei que nesse filme a Bette Davis já faz aquela viradinha brusca de corpo, toda vez que volta-se para falar uma frase de impacto. Primeiro aturamos a rica mimada com os sintomas da doença e se recusando a ser examinada. Precisou um médico muito gentil e apaixonado à primeira vista. Depois tendo xiliques na cama do hospital antes de ser ser operada e sendo domada pelo médico gentil, quase um pai incestuoso. Depois da operação, num desfile de touquinhas no cucuruco e uma felicidade quase transcedental. Ela está viva e apaixonada. Depois a descoberta das cartas desencorajadoras dos outros médicos – choque e porre com o bebum e playboy oficial do filme, Ronald Regan. Revolta, raiva, remorso, reconciliação. Casam-se o médico e a moribunda feliz e vão viver na fazenda, onde ela corre pela neve com os cachorros e ele pesquisa uma cura para a doença.
Mas me digam, que doença é aquela? Onde alguém já viu uma doença assim, onde operam o cérebro da paciente e ela vive maravilhosamente saudável até o dia que perde a visão de repente, deita na cama e morre? Doença inventada por um roteirista de Hollywood, onde não tem decadência, fraqueza, palidez, pereba, feridas, espasmos, febre, vomitos, olheiras.
Bom, desde o principio do filme que não há esperança – fica mais do que subentendido que a Bette Davis vai MORRER no final. E que morte, hein? Quase rolou uma lágrima…

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Peguei no IMDB umas frases maravilhosas ditas pela Bette nesse filme. Através delas, tem-se uma idéia do tipo de dramalhão exagerado que é Dark Victoiry. Quase impossível de resistir!
“I want you to have a party and be gay. Very, very gay!” – logo após a operação, quando ela pensa que está curada.
“I think I’ll have a large order of prognosis negative!.” – quando a ex-feliz moribunda descobre que vai morrer.
“Nothing can hurt us now. What we have can’t be destroyed. That’s our victory – our victory over the dark. It is a victory because we’re not afraid.” – quando eles decidem viver juntos o pouco de vida que resta à heroína.

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3 thoughts on “Dark Victory

  1. Moa!
    Ufa, ainda bem que nao fui so eu que achei tudo exagerado…
    Eu vi esses outros filmes dela que voce citou. E estou vendo Of Human
    Bondage.
    Peguei um dvd meio estranho. Tinham dois na Netflix, eu peguei um que
    parece o filme original, sem uma restauracaozinha, nada. Tem horas que o
    filme fica bem escuro e granulado. Nao tem nem adicionais, menu [nao tem
    menu no dvd, acredita?], legenda, comentario, NADA! E estou vendo aos
    poucos, porque estou priorizando ler a noite. Entao todo dia vejo um
    pedacinho. Estou na parte do segundo peh na bunda da Bette Davis no Leslie
    Howard, qdo ele conhece a moca morena no hospital, que eh com quem ele vai
    ficar no final, neh? Ja vi o final na tv, qdo a Mildred morre e o Philip
    fica com uma mulher morena. Mas QUE FILME, hein? Eh da era pre-code, entao
    tem umas coisas bem interessantes. Umas fotos de mulheres peladas na
    parede da casa do Phillip, qdo os amigos analisam que eh melhor pintar
    mulher pelada que estudar um esqueleto. Depois tem uma cena da Bette Davis
    se olhando no espelho com um vestido justo e passando as maos pelas
    nadegas… ha ha ha! Ja pensou isso aparecendo num filme da decada de 40?
    Jamé!! E tem o fato dela engravidar do homem casado, ter o bebe e dar na
    mao de uma mulher pra cuidar dele, que deu a entender que o gurizinho vai
    viver na outra casa. Imagina, maior tabu! Vamos ver o que mais vai
    acontecer no resto do filme. Nao vejo a hora de chegar naquela cena onde
    ela chama ele de filthy swine! Ha Ha ha ha! To ficando boa nos filmes da
    Beth! 🙂
    Apesar que nao consigo ficar tao fan dela qto voce eh. Eu acho ela
    exagerada…..
    No DVD de Dark Victory tem um documentariozinho e eh dito que o filme foi
    um super sucesso comercial e de publico. Acho que as pessoas gostam de
    filme de martires bonzinhos…. Todo mundo eh bonzinho nesse filme,
    reparou? :-))
    Ontem vi The Third Man do meio pro fim. Ja tinha visto o fim uma vez.
    Nunca vi esse filme inteiro, mas achei MUITO legal! O Orson Welles era um
    PITEU, hein? Eu eu adoro o Joseph Cotten! Espero conseguir ver esse filme
    inteiro um dia.
    Bom, sempre tem a Netflix, neh? :-)))
    beijaooooo,
    Fer

  2. Fer, PASMEM!
    Eu não gosto de Dark Victory!! Eu acho o filme chato e fora a seqüência final, quando ela fica cega e vai caminhando com a ajuda do cachorro até o quarto, deita e morre, só essa cena eu acho legal. O resto é bem esquisito mesmo. Eu acho que a Bette esteve muito melhor em Jezebel, que ela fez no ano anterior. O diretor de Dark Victory não chega nem aos pés do William Wyler, que dirigiu Jezebel, The Letter e The Little Foxes. Esses são os filmes da Bette que você tem que ver, Fer!
    Ah! Pelo que eu sei, Dark Victory foi um sucesso ESTRONDOSO e as mulheres saiam do cinema com o rosto molhado pelas lágrimas.
    Você tem razão: a viradinha é meio forçada. Mas como e a Bette eu perdôo qualquer coisa. Hehehe.
    Beijocas Davianas!

  3. Na verdade quando se opera um tipo especifico de Aneurisma, a pessoa pode perder a visão.
    Não conheço muito da Bette Davis, mas o pouco que vi fiquei maravilhado. Poucas atrizes de duas décadas para cá conseguem tais performances, talvez apenas Glen Close ou Anjelica Houston.

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