Quando aconteceu a tragédia de Columbine em 1999, meu filho era senior na high school aqui em Davis. Como milhares de outros pais, nós tivemos o nosso dia de pânico – poderia ter sido nessa escola onde estava o nosso filho, ou em qualquer outra, cheia de filhos de outros pais chocados e preocupados.
Quando eu vi o documentário Bowling for Columbine do Michael Moore, eu fiquei muito perturbada com as cenas em preto e branco dos meninos armados caminhando pelos corredores e pela cafeteria da escola. Eu chorei muito, tremi e gelei, fiquei num estado horrível, porque foi como ter testemunhado o ocorrido, e o pensamento era sempre o mesmo – aquele guri deitado no chão poderia ser o meu filho.
Por isso não sei por que raios eu coloquei o filme do Gus Van Sant, Elephant, na minha lista na Netflix. Acho que até pensei em retirar, mas não fiz e um dia o disco chegou pelo correio, no envelopinho vermelho.
Fiquei um mês enrolando para ver o filme. Quase devolvi sem ver. Ontem finalmente encarei o bicho de frente. Fiquei decepcionada, porque eu pensei que o filme iria ter algum impacto, iria acrescentar algo. Para mim ele não acrescentou nada. Foi um festival de nucas e pescoços caminhando pelos corredores da escola. Nunca vi um filme tão monótono. E cheio de clichês: os jocks, os nerds, os brains, as prom queen bitches. Se o filme tivesse sido ambientado na ex-escola do meu filho, aqui no norte da Califórnia, as cores dos alunos iriam se multiplicar Teria que ter o imenso grupo latino, com suas variedades e sub-grupos, outro imenso grupo asiático, os indianos e os siks de turbante, os muçulmanos, os negros, e uma variedade de estrangeiros.
Então os meninos mataram metade da escola porque os colegas jogaram papel molhado neles e o diretor pegou no pé deles, ou ignorou a situação marginalizada deles. E eles tocam piano, jogam videogames violentos, assistem documentários sobre nazismo e fazem sexo no chuveiro. Tanto clichê para dizer nada, absolutamente nada……

2 thoughts on “Elephant

  1. menina, vou falar aqui baixinho tá? Concordo com você, absolutamente. Aliás o filme que o Gus Van Sant fez depois, The Last Days, teve um impacto semelhante em mim.
    Mas Elephant é meio monótono, diz muito pouco, um tanto clichê demais pro meu gosto e até esse menino loiro que está tão bem no papel de Peralta no Lords of Dogtown está definitivamente fazendo o papel de retardado nesse filme. Tudo é meio devagar. Eu que fui assistir toda amedrontada sai do cinema com a sensação de ter sido enganada.

  2. Engraçado, Fer.
    Se tem uma coisa que eu não acho desse filme é que ele seja monótono. De jeito nenhum. Baseado nos fatos de Columbine, ele me mostrou como é fácil acontecer uma tragédia – a partir de incidentes banais – numa sociedade onde as armas são tão acessíveis. A maneira natural como Gus van Sant filmou tudo, repetindo cenas sob o ponto de vista dos vários grupos de aluno, me colocou naqueles corredores. E os desenhos, os jogos, a tv, a música e o piano mostram um lado dos garotos-assassinos que poderia ser bacana, real, não fosse talvez o descaso com que a família e as autoridades vêm tratando seus adolescentes. Sei lá, Fer, mas por essas e tantas outras coisas de que nem me lembro direito (vi “Elefante” há tempos), guardo boas recordações do filme.
    Beijo.

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