Quando o filme do Cameron Crowe foi lançado, ele foi tão malhado que desisti de vê-lo no cinema. Mas outro dia, não sei muito bem por que, resolvi que iria vê-lo sim, por que não? Fiquei realmente surpresa, pois o filme é sensivel e delicado, não tem nada de chato, nem de todos os defeitos que apontaram para ele. Achei Elizabethtown um road movie interior, onde o personagem do Orlando Bloom faz uma daquelas viagens que se tornam um turning point, trazem coisas à tona, cutucam, torcem e provocam mudanças e tranformações. O filme tem sim cenas longas, diálogos extensos, mas não chega a comprometer o resultado final. A personagem da Kirsten Dunst é um tantinho estereotipada e aparece muito sem explicação – ela trabalha na companhia aérea, mas mora em Louisville? Como ela se locomove de um lugar para o outro tão rápido? E me digam que companhia aérea – United, American – é essa, que tem vôos vazios??
Duas coisas que eu pensei vendo o filme. Um, que eu queria muito encarar a morte como certas culturas encaram. Já estive em um funeral onde a vida do morto foi celebrada e não a sua perda lastimada. Como sou de uma cultura latina, onde chorar e se descabelar parece ser a única reação normal perante a morte, fico fascinada com a sobriedade que vejo por aqui, e que é bem retratada no filme. Dois, que me emocionei com a reverência com que a cidade trata a morte de um dos seus, com cartazes e faixas pelas ruas da cidade. Um certificado do legado que aquela pessoa deixou.
A trilha sonora do filme é linda e se acomoda muito bem com a história, enriquecendo e modificando muitas cenas. Não dava pra se esperar nada menos do que isso, do rock and roller Cameron Crowe .
Depois que vi o filme que lembrei que o Orlando Bloom é inglês. O sotaque americano dele está quase perfeito. Percebe-se apenas, no final das frases, um leve tom de um inglês mais acentuado, como se fosse um pequeno eco. Acho maravilhoso esses atores que transformam-se, mudam o sotaque e fazem-se passar por nacionalidades que não são.

2 thoughts on “Elizabethtown

  1. Quanto tempo sem vir aqui, Fer! 😉
    Olha só, eu a-do-rei esse filme! Foi para minha galeria de filmes pessoais (por razões meio óbvias, levando-se em conta o período em que o assisti).
    Por ser do Crowe, já prometia ser um tanto interessante – e eu também havia lido sobre o papel da trilha sonora, o que me chamou mais a atenção, pois sou fascinada por trilhas de filmes que realmente fazem parte da história.
    Há momentos em que a música tenta forçar um sentimento que não rola (eu achei), mas o filme, em geral, é bem sensível, e engraçado quando deve ser. E, apesar do Orlando Bloom ser considerado um galãzinho meio ruinzinho, eu gostei dessa atuação dele numa história moderna (ele sempre faz filmes de época!) e, como você, gostei do sotaque (melhor que o de Jude Law em I Heart Huckabees).
    Beijo, saudades! 🙂

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