O monólogo de Hepburn

Eu adoro a Katharine Hepburn. Adoro ela, os filmes com ela, queria até ser ela lá no fundinho, porque ela tinha tudo o que eu considero legal: bonita, inteligente, independente, charmosa. Viveu como um homem, ela mesma disse isso para o entrevistador, Dick Cavett. Então eu fiquei animada com o episódio do show do Cavett, que seria apresentado em duas partes, com a Katharine Hepburn. Ele explica que essa foi a única entrevista que ela deu para a tevê. Ela e o Cary Grant eram aversos à dar entrevistas pra televisão. Acho que ele nunca deu. Ela, depois de muitos telefonemas da produção e muita insistência, cedeu. Mas impôs os seus termos. E o primeiro deles é que não poderia ter platéia. Então o talk show foi gravado sem platéia, e teve umas cenas iniciais muito informais, pois Hepburn não sabia que a câmera já estava rolando. Ela se mostra mandona, pentelha, arrogante, chata. Põe o pé na mesinha. Aliás, primeiro ela manda trocar a mesinha por uma mais firme, pois iria apoiar o pé ali. E manda Cavett calar a boca, pois ele ficava interrompendo com perguntas e ela estaria ali pra contar a longa história da vida dela. Mas que história chata! Talvez no segundo episódio a entrevista fique mais interessante, mas nesse primeiro não deu. Eu distraí e comecei a fazer outras coisas. Voltei a prestar atenção no final, quando ele diz que o tempo tinha acabado e ela levanta e diz, então já posso em ir embora? Ele diz, mas você não vai se despedir. Ela, já saindo do palco, se vira e replica – você faz isso por mim.

One thought on “O monólogo de Hepburn

  1. Grandes talentos, os gênios da humanidade, personalidades fortes como Katharine Hepburn, têm permissão de fazer essas coisas. A gente abomina na hora que vê e critica até não poder mais, mas é só rever um filmezinho dela para esquecer (e perdoar) tudo isso. Excentricidades…
    ;^)

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