Eu já tinha descartado esse filme da minha “to see list”. Martin Scorsese? Máfia irlandesa? Jack Nicholson? Leonardo DiCaprio? Matt Damon? Afe, não. Mas um casal de amigos muito querido nos ligou no sábado à noite – vamos? Então fomos. Eu já sabia que iria ser um filme longo e cheio de sangue. Até li umas reviews antes, a maioria positiva, pra ver se eu me animava. Mas por precaução vesti uma calça confortável e um casaco quentinho, pois tinha plena consciência de que estava embarcando numa longa e penosa jornada.
Sinceramente, queria muito que o Scorsese fizesse mais documentários sobre o Blues, um sobre o Jazz, e fizesse com o Neil Young e o Van Morrison o mesmo que fez com Bob Dylan. Mas queria muito que o Scorsese parasse de fazer filmes sanguinolentos sobre qualquer tipo de máfia. E parasse de escalar o Leonardo DiCaprio para os seus filmes. Esse cara não tá com nada, é um chatonildinho, com uma vozinha de boboca e fazendo uma cara forçada de sujeito durão – mas não tem de onde tirar talento desse fulano, nem espremendo, nem espancando.
Na metade do filme eu já estava com os pés na cadeira da frente, curvando o corpo numa posição fetal, escondendo a cabeça entre os joelhos, com o estômago todo embrulhado e murmurando ” chega, chega, chega, CHEGAAAA!” . Não quero estragar o prazer móbido de ninguém, mas todos os personagens tomam um balaço nos miolos. E todo mundo morre. Eu até achei legal a idéia do policial mau e mancomunado com o vilão trabalhando para o suposto lado do bem e o policial bonzinho, com um histórico familiar de bandidagem, trabalhando para o cara mau, como undercover dos supostos bonzinhos. Sim, é confuso, mas faz um certo sentido. Até o momento que Scorsese pesa a mão e você não sabe mais quem é quem, e tudo acaba num massacre. Deus do céu, a realidade já está pra lá de sangrenta e violenta – notícias ruins abundam, é gente morrendo às pencas, bombas matando hordas em Bagdá, terremotos, aviões caindo, trens se chocando, loucos atirando pra todo lado, matando grávidas e criancinhas, ditadores testando bombas nucleares, o planeta se desertificando, pragas, pestes, o demônio a quatro. Nesse panorama, quem precisa ver mais um filme de máfia do Scorsese?

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