The Science of Sleep

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Estou vivendo um dia pela metade, me sentindo uma zumbi, não estou cem por cento, não consigo focalizar, concentrar, estou até enxergando estranho. Não está sendo um dia completo, normal, e isso é a sequela de um sonho. É bem frequente eu ter um dia assim, arruinado, por causa de um sonho. Eu durmo e eu sonho. Não consigo me lembrar de uma noite sem ter sonhado. Sonhos são comuns, rotina, mas às vezes eles são também perturbadores e estranhos, interferem no meu dia, amargam ou adoçam o meu cotidiano. Eles são tão parte da minha vida, como a minha consciência de que estou viva. Acordar deles nem sempre é fácil, e alguns deles me perseguem, retornando noite após noite, e até tornando-se inesquecíveis. Sonhos – não consigo imaginar minha vida sem eles.
Stéphane [Gael García Bernal] também sonha. Como eu, ele sonha muito e sempre. Sua vida acordado está completamente entrelaçada com a sua vida dormindo. Ele conhece Stéphanie [Charlotte Gainsbourg] assim que chega na França para trabalhar num emprego arranjado pela sua mãe. Os sonhos de Stéphane montarão os cenários, coloridos e fantásticos, por onde a trama se conduzirá. Como já fez magnificamente em Eternal Sunshine of the Spoteless Mind, o diretor francês Michel Gondry coloca outra vez personagens comuns, sem atributos especiais, no centro da história. Nada em Stéphane e Stéphanie é excepcional. Eles vivem suas vidinhas comuns, e protagonizam um relacionamento romântico confuso e singelo. O único detalhe diferente é o fato de Stéphane sonhar o tempo todo e deixar os sonhos interferirem no seu relacionamento com Stéphanie. Mais uma vez me identifiquei com um filme do Gondry. Cheguei à conclusão que ele sabe das coisas e que devemos pertencer à mesma tribo, pois sinto uma identificação fortíssima com as histórias que ele conta nos seus filmes. The Science of Sleep não explica nada, mas me fez entender tudo.

One thought on “The Science of Sleep

  1. Hummm, acho que vou adorar esse filme também. Para quem tem uma vida “ordinária”, nada como sonhos para torná-la “extraordinária”. Eu faço parte dessa tribo, Fer!
    Beijocas

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