Um encontro com Bette Davis

Mais um episódio do Dick Cavett Show de trinta anos atrás. Desta vez a convidada era a Bette Davis. Eu estava jantando sozinha, uma omelete e uma taça de vinho. Ela já sessentona, entrou no estúdio toda vestida de preto: botas pretas de cano alto, blusa preta, boina preta e mini-saia preta. Sim, mini-saia! Uma comportada, mas era acima do joelho. Bonitona, com uns óculos arrendodados de aro e lentes amarronzados. Estava muito feliz e descontraída. Falou bem alto, animada, por cima das perguntas do host na maioria dos noventa minutos do programa, ganhou muitos aplausos pelas coisas que falou, e ganhou a minha mais profunda admiração. Nunca tinha visto uma entrevista com a Bette Davis. Vi documentários sobre ela, filmes com ela, mas nunca vi ela falando assim tão amavél e contente. Ela falou coisas que me fizeram pensar – como nunca mais vamos ter atores como aqueles dos anos 30 e 40. É incomparável com os dias de hoje. Um cara como o Claude Rains – exemplo dela, que eu concordei. Ou um Cary Grant, um Gary Cooper, ou mesmo uma Bette Davis. Não existem atores contemporâneos do calibre dessa gente. Gone, assim como a era dos magnatas dos estúdios, que segundo a Bette jogavam, arriscavam, investiam num ator. E depois do sucesso e de espremer até a última gota, não diziam obrigado, nada. Mas essa é outra história. Cavett perguntou como que Davis escapou de ser uma vitima da sua própria carreira, como aconteceu com Judy Garland. Ela respondeu – por causa da maneira como eu fui criada, por causa da minha disciplina – eu não poderia fazer os filmes que eu fazia bebendo ou tomando bolinhas, portanto eu nunca bebi ou tomei bolinhas. Ela conta também como lutou por independência, pelos papéis que queria interpretar. Ela fez o que fez pela carreira, não pelo dinheiro. Enquanto ela falava, eu conseguia ver a Bette mocinha, vinte e poucos anos, com aquela personalidade marcante que ficou para sempre registrada na nossas memórias através dos filmes que ela fez. Cavett diz num certo ponto – eu mal posso acreditar que eu te conheço! Deve ter sido mesmo um grande privilégio.

One thought on “Um encontro com Bette Davis

  1. QUE INVEJAAAAA!!!
    Mais do Dick Cavett que teve esse privilégio de entrevistar a Bette e um bocado de você por ter assistido a essa entrevista!
    Viu os 90 minutos? Nem me responde, pois vou me corroer de inveja! E no YouTube eu só poderia achar uns 5 min, é claro…
    Beijocas, conectadas,

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