“I have existed from the morning of the world and I shall exist until the last star falls from the night. Although I have taken the form of Gaius Caligula, I am all men as I am no man and therefore I am a God.”

Talvez seja o fato de eu gostar tanto de cinema o que me faz capaz de apreciar os filmes mais diversos possíveis. Eu vou no mesmo dia de The Sound of Music a Calígula – aquele, célebre, de 1980. Sobre a noviça rebelde eu falo depois, outra hora. Agora preciso falar sobre um dos filmes mais polêmicos e controversos de todos os tempos.
Não se sabe muito sobre Calígula, o imperador de Roma de 37 a 41 d.C., quando foi morto pelo chefe da guarda romana. Gore Vidal escreveu um roteiro original sobre Calígula e o editor da revista Penthouse, Bob Guccione, enxergou nesse roteiro a oportunidade de unir duas grandes indústrias cinematográficas: a clássica, digamos assim, contando fatos históricos e com direito a belos e grandiosos cenários, dignos de um épico de DeMille, com atores shakespeareanos como John Gielgud e Helen Mirren, além do roteiro de Gore Vidal, e a indústria pornográfica, ilustrando de forma bastante explícita as extravagâncias e loucuras do famoso imperador.
Malcolm McDowell faz Calígula e aparece em praticamente TODAS as cenas do filme. É de se admirar sua performance pois ele apresenta todas as possíveis nuances, desde inocência, ignorância, medo até ódio, loucura e desespero, passando pela lascívia, prepotência e um olhar tão malicioso que chega a ser divertido.
Peter O’Toole faz o tio-avô de Calígula a quem ele substitui como imperador, após ser assassinado. O’Toole, McDowell, Gielgud e Mirren são os únicos atores realmente famosos do filme, o que já é mais do que suficiente para me fazer querer vê-lo. Helen Mirren faz a esposa de Calígula e está magníficamente linda. Ela tem seus momentos no filme, embora seu papel não tenha tanto destaque quanto o da atriz que faz a irmã de Calígula, por quem ele é realmente apaixonado. Lendo detalhes sobre a produção no IMDB, fiquei imaginando como Charlotte Rampling teria sido muito melhor no papel de Drussila, a irmã incestuosa. Ou mesmo Maria Schneider que chegou a fazer algumas cenas e depois desistiu do filme.
Enfim, é um filme tremendamente violento e as cenas de sexo hardcore não são essenciais para a história, mas adicionam um certo guilty pleasure à experiência. Com certeza a gente entra no “clima” de insanidade e lascívia do louco imperador. Em última análise, as tramas do alto escalão do poder romano não me pareceram tão diferentes das falcatruas atuais. Cada um queria o fígado do outro, embora em tempos pagãos como os de Calígula, esse “querer o fígado” significava algo bem mais ao pé da letra.
Não é um filme para qualquer um, mas é uma experiência cinematográfica como poucas. É um “filme doente”, como The Magnificent Ambersons ou Possession, já que Gore Vidal rejeitou o produto final, o diretor Tinto Brass foi impedido por Guccione de participar da edição do filme e este acabou montando o filme a seu jeito, o que nunca é um bom sinal (produtor não monta filme. Diretor é quem edita e ponto final!). Ainda assim, é fascinante pensar no que tudo isso poderia ter sido.
Como, para mim, imagens falam mais do que palavras, aí vai:

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O trecho abaixo eu tirei da Wikipédia. Achei o perfeito resumo da ópera:

O filme conta a história de Calígula, o mais louco dos imperadores romanos, que mantinha um bizarro caso sexual com sua irmã e era casado com uma prostituta. Ao mesmo tempo que Calígula vivia cercado de bajuladores, possuía também inimigos perigosos, que desejavam vê-lo distante do poder. “Calígula” é talvez um dos filmes mais controvertidos de todos os tempos. Com cenas de sexo explícito, de flagelação sadomasoquista e a encenação do processo de enlouquecimento gradativo do imperador, Calígula evoca as experiências cinematográficas de Pier Paolo Pasolini. No entanto, o que parece uma encenação gratuita revela-se um filme de grande alcance expressivo.

One thought on “Calígula

  1. Good Lord! Eu vi esse filme seculos atras, nem lembro mais de nada, nao deve ter me impressionado. Mas lembro do bafafah. Que novinho esta o McDowell e a Helen Mirren, qUE agora faz a rainha de 88 anos! ha ha ha! to rindo, mas eh de nervoso… Todo mundo fica véio, né fio? :-))
    beijos caolhos! 😉

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