Eu sempre me relacionei com o cinema de forma “passional”. Raramente consigo dizer as razões pelas quais gosto de um filme. Em geral é algo mais subjetivo e que me toca em algum nível “pessoal”. Apesar disso eu estudo sobre cinema há anos. Leio de tudo um pouco, até livros bem técnicos, que falam sobre enquadramentos, cortes, montagem, uso de cores, formatos e outros recursos cinematográficos. Apesar disso não me sinto capaz de escrever sobre o assunto com distanciamento e razão. Invejo quem o faz. Queria fazer análises minuciosas dos filmes que gosto e, invariavelmente, falho.
Isso não significa que eu não goste do que escreva, mas eu só consigo falar da minha paixão pelo cinema. Um exemplo de como eu NÃO sei escrever sobre filmes está no blog do Marcos: marcosnocinema. Leio o que ele escreve e me sinto um “incompetente” na análise de filmes.
De qualquer forma, sigo estudando. Atualmente estou lendo Going to the Movies, do Syd Field, um cara que é considerado um dos “gurus” dos roteiristas de cinema. Ele já deu aula pra um monte de gente e tem vasta experiência no ramo. Nesse livro ele discorre sobre o que faz os grandes filmes serem grandes filmes. A leitura é ótima (e o preço do livro foi fantástico, já que o encontrei, por acaso, num sebo super charmoso no Paço, no centro do Rio) e os exemplos que ele dá também. Fiquei com vontade de escrever. Aí, resolvi pesquisar que roteiros ele já tinha escrito e, para minha surpresa, descobri que o cara NUNCA escreveu um único roteiro! Hahahaha! Tem gente que o critica e diz que ele é uma fraude, mas outros o defendem dizendo que ele sabe do que fala porque assistiu muitos filmes na vida, estudou sobre eles e faz uma análise detalhada da estrutura dos filmes nas últimas quatro décadas. Não é pouco.
Eu gosto de ler críticas/análises de gente “profissional” para ver se a minha opinião bate com as deles. Lembrei que tenho o DVD de Citizen Kane onde o Peter Bogdanovich gravou uma trilha de comentários e também o Roger Ebert gravou seus comentários. Fui olhar meus DVDs para ver que outros comentários tenho nos “extras” que não fossem de gente envolvida na produção do filme. Geralmente é o diretor ou alguém do elenco que faz os comentários. No DVD de Sunset Blvd. um cara chamado Ed Sikov gravou comentários. Lá fui eu pesquisar sobre ele. O cara escreveu uma biografia sobre Billy Wilder e tem vários outros livros publicados (nem todos sobre cinema), e fiquei animadão para re-ver Sunset Blvd, ouvindo os comentários do Ed Sikov. Assim o fiz.
Em geral esses comentários nos dão informações “ocultas” sobre a produção e, muitas vezes, insights sobre o filme como no caso dos comentários do Bogdanovich para Cidadão Kane, que nos ajudam e entender melhor o filme, nos ensinam a apreciá-lo ainda mais (Abrindo um parênteses: tudo o que o Peter Bogdanovich fala sobre cinema é maravilhoso). No caso de Ed Sikov e seu comentário sobre Sunset Blvd fiquei bastante frustrado. Tá certo que ele parece saber bastante sobre Billy Wilder, mas ele não foi muito além de dizer que frases do roteiro são geniais e merecidamente famosas. Senti uma frieza muito grande na fala dele e me pareceu que ele não gosta do filme tanto quanto eu. Hehehehe. Voltei ao ponto inicial. É como se, ao fazer uma análise menos passional, menos “envolvida” com o filme, esta perdesse o interesse para mim. Um tanto contraditório já que eu disse que gostaria de ser capaz de fazer isso, não é mesmo?
Bom, outro dia eu falo sobre o que vejo em comum entre Brandon Routh e Tippi Hedren. Me aguardem.

6 thoughts on “ESTUDANDO CINEMA

  1. Olá… assim mesmo, como alguém que já o conhece… desculpe-me a intimidade.
    Estou perdida. Me falta alguns anos, algum tempo para que inicie um curso de cineasta. Já que não me vejo fazendo outra coisa nessa vida. Entrei por acaso em uma página que, li por pura curiosidade. Como já havia dito, estando perdida… qualquer coisa que se lê já é ponto. Mas fiquei satisfeita com seu texto. E penso que: seria você também um ser dado a boas ações? Por que Gomes, Moacir Moreira, esperarei ansiosamente com/e sem esperanças, dessa maneira alternada que, gentilmente e talvez por mera curiosidade, ajude essa alma sonhadora a encontra mais que a porta, mas a chave secreta.

  2. Eu gosto de ler Roger Ebert.Mas no momento estou descobrindo Pauline Kael, ela disseca um filme de forma ímpar.Estou aprendendo isto no livro Criando Kane e outros ensaios.

  3. Hum, quer dizer que ele nunca escreveu um roteiro…
    Vai ver que é a Sally Field mesmo, com um pseudônimo, hehehe!
    (eu só entro aqui pra escrever bobagem.. 😉

  4. Moa,
    Nem pense em adotar um tom “tecnicista” nas suas críticas, rapaz. Isso vale para a Fer também. Vocês são muito bons pra isso. Sejam irrelevantes. Falem das cenas de picnics em filmes antigos,da beleza de Veneza em “Summertime”, whatever… Deixem o blá-blá-blá teórico para os filisteus da Contracampo.
    😉
    ps1: Eu tenho o “Afinal quem faz os filmes” do Bogdanovich, é GENIAL!
    ps2: Nos extras da primeira temporada de “Sopranos” tem uma entrevista do David Chase, criador da série, feita pelo Peter Bogdanovich. Muito boa também!
    Abraços,

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