Camelot – Um musical nada óbvio

Quando eu era mais jovem eu achava os musicais um saco. Não tinha paciência para longas cenas onde os diálogos eram substituídos por canções. Como dizia o meu pai, “Quando essas cantorias começam, não terminam nunca.”
Eis que, de uns tempos para cá, eu tenho visto musicais de outra forma. Começou com a paixão pela Julie Andrews e por musicais famosos como My Fair Lady que eu vi a primeira vez por causa da Audrey Hepburn. Assim foi com Funny Face e, depois, The Sound of Music e Mary Poppins. Outro que me fez ver musicais (e aprender a apreciá-los) foi Gene Kelly com o maravilhoso An American in Paris.
Hoje estou vendo um musical um tanto “bizarro”, embora clássico e belo: Camelot, de 1967. Dirigido por Joshua Logan que, embora tenha experiência prévia com musicais, me faz pensar mais em Picnic, um drama, e não me pareceria uma escolha óbvia para essa adaptação da Broadway para o cinema. Outras escolhas que não me parecem óbvias estão no elenco principal. Quem poderia imaginar Vanessa Redgrave substituindo a PERFEITA Julie Andrews, que interpretara Guinevere na Broadway com tanto sucesso? Pois Vanessa está MARAVILHOSA. Nem tanto por suas qualidades musicais mas por seus olhares, sorrisos, ironias, encantos e talento puro. Vanessa é o grande destaque do filme, assim como foi em Blow Up e tantos outros.
Em Camelot outro destaque considerável é Franco Nero como Lancelot du Lac. A princípio um bobo, cheio de si, arrogante e ingênuo, Lancelot muda na metade do filme e, essa história é velha e conhecida de todos, se apaixona por Guinevere e vice-versa. Nero é dublado nas músicas (assim como Audrey foi dublada em My Fair Lady), mas sua presença, beleza e entrega são arrebatadoras. Acho que dá pra entender por que Vanessa e ele se apaixonaram durante esse filme.
Outra escolha não óbvia é Richard Harris para viver o Rei Arthur. Harris é excelente em tudo o que faz e, apesar de não ser famoso como cantor, é a voz do próprio que ouvimos ao longo do filme. Ele me fez pensar em Rex Harrison em My Fair Lady que praticamente inventou um estilo de “falar cantando” ao invés de cantar propriamente.
Como se não bastasse o visual do filme é arrebatador. Cenários, figurinos, fotografia, todos belíssimos. As músicas não são tão conhecidas para mim, como dos outros musicais que eu citei, mas ainda assim me pego querendo rever (ou melhor, re-ouvir) “The Lusty Month Of May” que Guinevere canta em meio a flores e danças deliciosas, pouco antes de conhecer Lancelot.
A propósito da lenda do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda, sou fã dessas histórias desde pequeno. Adoro Excalibur embora esse tenha um tom bem mais sombrio e também a bela adaptação de The Mists of Avalon de 2001.
Voltando a Camelot, outra obra-prima é o cartaz do filme. Vejam se não é maravilhoso. Pena que não temos muitos desses ultimamente (clique e amplie para apreciar melhor):

camelot.jpg

4 thoughts on “Camelot – Um musical nada óbvio

  1. Moa,
    há tempos gosto dos musicais. Mas houve uma época em que não os via não. Tentei assistir a “Camelot” dias atrás. Mas meu dvd não conseguiu ler o terço final do filme. Limpei, tentei, limpei outra vez, tentei de novo, rezei, fiz promessas (porque estava adorando o musical) e nada. Vou tentar locar em outro lugar. Mas pelo que vi, ratifico tudo o que você descreveu no post.
    Abração

  2. Meg, fiquei curioso para saber qual o musical mais violento! Vou fazer uma pesquisa. Hehehe.
    Conta aí pra gente!
    Beijocas pra vc!

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