Jane Campion & The Portrait of a Lady

A grande frustração da minha vida será não fazer cinema. O que eu mais gostaria de fazer na vida é dirigir um filme. Não tenho mais dúvidas disso. Todas as vezes que tenho a oportunidade de ver um diretor em ação, nos documentários e making of’s dos filmes, me pego emocionado, vibrando, sentindo cada um daqueles mágicos momentos como se eu estivesse lá. Assim foi com Claude Lelouch em Um Homem e Uma Mulher, com qualquer Hitchcock ou Bertolucci. Foi também com Bryan Singer e seu Superman Returns e tantos outros documentários que vi nos extras dos DVDs.
Agora vi um documentário de 53 minutos sobre a diretora Jane Campion e a adaptação do romance The Portrait of a Lady, de Henry James. Como a própria Jane diz para Nicole Kidman quando elas se despedem após o fim das filmagens (que duraram aproximadamente 4 meses), “os sentimentos são tantos e tão profundos que fica difícil descrevê-los”. Parece letra de música do Roberto Carlos, mas é isso mesmo.
Ainda não li o romance de Henry James, mas o farei em breve. Entretanto tenho experiência e sensibilidade suficientes para perceber uma boa adaptação, um esmero artístico, escolhas específicas de um diretor que sabe deixar sua marca. Vi outros filmes de Jane Campion e vi em The Portrait of a Lady diversos sinais que são como assinaturas de um artista. Enquadramentos, paleta de cores, movimentos de câmera, slow motion e fast motion, imagens focadas e desfocadas, granulados, seqüências em preto e branco, uma abertura contemporânea num filme de época.
Durante uma boa parte do filme eu não conseguia parar de fazer comparações com Dangerous Liaisons. Talvez pela presença de John Malkovich no elenco, pois ele sempre me faz pensar naquele odioso e trágico personagem. Mas também por coincidências óbvias no enredo: Uma mulher jovem e inexperiente (Michelle Pfeiffer x Nicole Kidman) é arrastada, sem se dar conta, para um relacionamento com um homem frio e calculista, embora estranhamente sedutor (John Malkovich em ambos os casos), por uma mulher ambiciosa e manipuladora (Glenn Close x Barbara Hershey). Há uma outra jovenzinha virginal e inocente (Uma Thurman x Valentina Cervi) que não pode viver seu romance com o jovem que a ama (Keanu Reeves x Christian Bale).
Mas o filme de Jane Campion tem seus méritos próprios e o romance de Henry James tem força suficiente para se destacar e se sobressair a ponto de me fazer esquecer as comparações com o filme de Stephen Frears, apesar do John Malkovich (ator que não me agrada muito pois acho que é um daqueles que faz sempre o mesmo papel: ele mesmo).
Outro ponto forte do filme, por incrível que pareça, é a presença de Nicole Kidman, numa época pré-Oscar, pré-botox, pré-fake. Sua Isabel Archer é um poço de emoções e força, apesar da aparente fragilidade.
Ao terminar de ver o filme e o documentário, descubro que a minha “cara metade” está às gargalhadas no quarto, vendo Pânico na TV, com os repórteres Vesgo e Sílvio, correndo atrás do carro da Britney Spears em Los Angeles. Escovo os dentes e me deito para dormir. Sem comentários… Boa noite.

4 thoughts on “Jane Campion & The Portrait of a Lady

  1. “O CINEMA É UM ESFORÇO COLETIVO NO QUAL A CRIATIVIDADE COMPARTILHADA PRODUZ ALGO MAIOR QUE A SIMPLES SOMA DE SUAS PARTES.” Esta frase é de Ingmar Bergman.
    É exatamente isto que sentimos no final de cada filmagem.Não importa se é um curta, um médio, um longa. Se estamos filmando em Paris, Chigago ou no interior de São Paulo, a experiência é a mesma.Falta muito para eu poder dizer que dirijo filmes, mas minha pouca vivência em alguns curtas e média metragens me permite confirmar que cada filme, cada produção gera um envolvimento diferente, mas sempre muito intenso.
    Não desista, vc ainda pode dirigir um filme :o)

  2. “Ao terminar de ver o filme e o documentário, descubro que a minha “cara metade” está às gargalhadas no quarto, vendo Pânico na TV, com os repórteres Vesgo e Sílvio, correndo atrás do carro da Britney Spears em Los Angeles. Escovo os dentes e me deito para dormir. Sem comentários… Boa noite.”
    Qua quá quá quá..
    Moa você não pensou é que sua cara metade pode ter pensado o mesmo.
    “Vi um filme muito legal desopilando todas as vísceras nobres e quando termino minha cara metade estava vendo um filme e um documentário de dar ” volta no parafuso”. O filme era com com aquela loura pernalta que a Fer não gosta
    Hahahahahahah
    beijos, beijos
    assinado: The number two fan:-)

  3. “Ao terminar de ver o filme e o documentário, descubro que a minha “cara metade” está às gargalhadas no quarto, vendo Pânico na TV, com os repórteres Vesgo e Sílvio, correndo atrás do carro da Britney Spears em Los Angeles. Escovo os dentes e me deito para dormir. Sem comentários… Boa noite.”
    Ha ha ha! Moa, nao pude deixar de rir, sorry! Henry James e Panico na TV [que nem sei o que eh, mas imagino] sao dois mundos paralelos…
    Quem sabe um dia voce nao vai fazer o que gosta, com cinema, dirigir, ha tantas possibilidades nessa area.
    um beijo !

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