Musicais, um gênero subestimado

O nosso querido amigo Demas nos convocou para um desafio— listar os cinco filmes mais subestimados em nossa opinião. O Moa já publicou sua fabulosa e refinada lista com filmes que ele escolheu a dedo e que argumentou serem realmente desprezados, por este ou aquele motivo. Eu já tenho uma dificuldade imensa de escolher coisas, fazer lista e atribuo essa situação estorvante ao signo que rege o meu sol. Sei lá, mil coisas, simplesmente não consigo!
Mas quero deixar meu palpite sobre esse tema que o Demas lançou. Pode não ser cinco filmes subestimados, mas um gênero subestimado. Quero escrever sobre os musicais, e de como eu me choco com o fato de que muita gente os considera inferior a outros gêneros, porque eles não têm ação dramática e os atores não precisam gastar lagrimotas produzidas por suco de cebola, nem torcer a cara ou se aprofundar em gestos dramáticos. Tudo o que se pede dos participantes de um musical é que eles sejam bem apanhados, estejam sempre com a dentadura brilhante e sorridente, e saibam dançar e cantar—e se não souberem, aprende-se rápido, uns passos básicos aqui, umas notas cantarolantes dali, arruma-se um jeito, nem que seja um dublê. Mas como o Richard Gere já provou em Chicago, dançar e cantar num musical é possível sim!

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Pra mim, os musicais são especiais. Já ouvi muita gente desdenhar desse gênero, até dizendo que odeia os musicais. Assim como também está cheio de gente por ai que não assiste à filmes velhos, que pode ser qualquer coisa de mil novecentos e noventa e nove pra baixo, há os que evitam os musicais. Este não é o meu caso, pois sou uma aficcionada por musicais antigos. Adoro todos os filmes cantantes e dançantes da década de trinta, aqueles coreografados e dirigidos pelo Busby Berkeley, qualquer um com o Fred Astaire, com ou sem a Ginger Rogers, entre mil e outros atores e atrizes que dançaram e cantaram. Joan Crawford está simplesmente adorável em Dancing Lady, sapateando e cantando para o show do irritadinho Clark Gable. Acho que todo ator ou atriz passou por uma experiência de cantar e dançar, até o celebrado Marlon Brando. As tramas dos musicais beiram à imbecilidade, muitas das histórias não têm pé nem cabeça, mas quem é que se importa? Queremos ver os fabulosos números musicais, no palco giratório, em cima do piano, dentro da água. Aliás outro dia estava vendo o musical The Kid from Spain de 1932, com o Eddie Cantor, um comediante muito interessante e famoso na época. O filme tem coreografia do Berkeley e começa com as bailarinas acordando num dormitório e transformando a camisola sexy num traje de banho. Elas dançam, dançam, tralálá pra cá, tralálá pra lá e de repente, tchigum, mergulham numa piscina cinematográfica. Eu pisquei e perguntei pra mim mesma—elas mergulharam na água vestindo sapato de salto??? Sim, logo nos primeiros pulos dos dancetês aquáticos pude ver, as bailarinas nadando e dançando dentro da piscina, vestindo sapatos de salto!
Embora subestimados, os musicais são a epítome da diversão. E quem diz que não gosta deles só pode ser ruim da cabeça ou doente do pé.

5 thoughts on “Musicais, um gênero subestimado

  1. Hummmm… comentários novos, hein? Quer dizer, visual novo para os comentários. Já tá liberado pra postar? O findi tá chegando. ;^)
    Beijo!
    P.S.: O que é “captcha”???

  2. Fer, eu tive uma época na vida em que dizia não gostar de musicais. Confesso que me cansa ver filmes cantados do início ao fim, tipo “Evita”, do Alan Parker. Mas gosto muito de “Os Guarda-chuvas do Amor”, que é igualzinho, nesse sentido. Não tem uma “fala falada”, é tudo cantado.
    Mas o que mais gosto é quando as músicas se integram à história como “The Sound of Music” ou “Mary Poppins”. Claro, com a Julie Andrews tudo fica mais fácil, melhor, mais bonito.
    E “An American in Paris” ainda é, para mim, O MELHOR DOS MELHORES! Imbatível e de sonhar, sonhar, sonhar…

  3. Oi, Moa e Fezoca. Não conhecia o blog de vcs! Não se sintam mal, conheço poucos blogs, principalmente de cinema, mas gostaria que houvesse mais diálogo entre blogs cinéfilos. Portanto, apareçam sempre no meu blog, que tratarei de fazer o mesmo aqui no Cinefilia. Sobre musicais, fiz a minha lista aqui: http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2008/05/minha-lista-de-melhores-musicais_05.html (mas não tem nada a ver com filmes subestimados, até porque eu amo musicais. Sei que tem muita gente que detesta. Provavelmente musicais e terror sejam os gêneros mais “divisores de água”, desses que vc ama ou detesta). Abração!

  4. Fer,
    adorei sua defesa dos subestimados musicais. Conheço uma pá de gente que não vê sob hipótese nenhuma. E se já não vêem os recentes (Moulin Rouge ou Evita), os antigos então (O picolino, Cantando na chuva, Amor sublime amor, Sinfonia em Paris, Os guarda-chuvas do amor…)estão fora de questão. Eu adoro. Pena não encontrá-los (os antigos) facilmente por aqui.
    Abração
    PS: Acho que, dos meus convidados para listar seus subestimados, só faltava você para responder. Agora não falta mais 🙂 Obrigado.

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