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Platinum Blonde, dirigido pelo Frank Capra em 1931 é um daqueles filmes para se ver, rever e rever, e quando rever prestar uma atenção especial aos diálogos, que é praticamente o que faz este filme tão especial.
A história é basicona—Stew Smith [Robert Williams] é um cara bonachão, repórter de um jornal enviado à casa dos Schuylers, uns ricaços cujo filho se meteu num escândalo com uma corista de boate. Lá Smith conhece a loiraça Anne Schuyler [Jean Harlow]. Os dois, repórter pobretão e socialite mimada, se casam e daí vem o esperado choque de classes, de ideais, de atitudes. Enquanto isso, a colega de trabalho de Smith, Gallagher [Loretta Young], chora lagrimotas de ciúmes enquanto se finge de durona na frente do amigo, por quem é apaixonada.
Loretta Young com apenas 18 anos nesse filme, nos encanta com uma beleza impressionante. Já Jean Harlow é sempre a mesma coisa, a loiraça belzebu que mesmo no papel de uma figurete da alta sociedade deixa sempre vazar aquela imagem de vagaba de cabaré de quinta classe.
O destaque do filme é o charmoso ator Robert Williams, que faz o falador Stew Smith, por quem qualquer uma se apaixonaria, apesar dele não ter realmente um tipo de galã. Williams tem um carisma e rouba o filme com suas mil e uma tiradas, sempre atreladas à diálogos engenhosos e divertidos.
Numa cena de William e Harlow, em que ela quer obrigá-lo a usar um acessório para manter as meias esticadas, um tipo de mini suspensório para as canelas chamado garter, os dois iniciam um dueto, ele cantando que não vai não usar aquele troço, e ela replicando desafinada que sim, sim, sim, ele iria usar os garters, e ele acaba na redação do jornal sendo ridicularizado pelos colegas, que não usam, nem nunca vão usar aquela ridiculice elitista.
Assistindo à Platinum Blonde fiquei me perguntando como foi que nunca tinha visto nem ouvido falar nesse ator, que tinha tudo para ser um astro da mesma constelação de Clark Gable. O que foi que aconteceu que ele não virou um estrondoso sucesso? Pois descobri que ele morreu, aos 34 anos, em decorrência de um apêndice supurado quatro dias depois do lançamento do filme. Ele foi uma estrela abortada, infelizmente para ele e, principalmente, para nós.

3 thoughts on “Platinum Blonde

  1. Frank Capra iniciava aqui de certa forma a sua subida ao Olimpo cinematográfico, onde se contam obras como “Uma Noite Aconteceu”, “Peço a Palavra” ou o inesquecível “Do Céu Caiu Uma Estrela”, sendo sempre de recordar os episódios que fez para a série “Why We Fight”, durante a Seguanda Guerra Mundial.
    Cumprimentos cinéfilos
    Rui Luis Lima

  2. Lola, eu curto os filmes do Capra. Nao acho que sao datados.
    Por nome nao conheco o David Wayne, mas talvez se eu ver a foto dele, vou reconhecer. Eh impressionante a quantidade de coadjuvantes bons que figuravam nos filmes na decada de 30 e 40. Tem uns que sao meus favoritos. Mas eles nunca sairam da coadjuvancia.
    Ontem passou o Woman of the Year no TCM, voce viu? Eu vi ate a metade, dai cai desmaiada… 😉 Vou pegar em DVD pra terminar de ver. Adoro a KH e o ST!
    beijo! 🙂

  3. Ai, eu não sou tão fã de Frank Capra. Acho que seus filmes envelheceram mal. Eles já estavam datados antes de eu começar a vê-los (e isso faz tempo!). Apenas “Aconteceu Naquela Noite” ainda me parece ótimo.
    Mas tem uns atores antigos que a gente não consegue entender como não ficaram famosos. Outro dia eu vi Adam’s Rib, com a Katherine Hepburn e Spencer Tracy, que estão maravilhosos como sempre. Mas tem um ator que eu nunca tinha ouvido falar, David Wayne, que se sai muitíssimo bem. Vc já ouviu falar desse sujeito, Fer?

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