edição número oitenta e um

Parece brincadeira de mau gosto que com trezentos e tantos dias livres para acomodar qualquer desastre, vá chover e cair um poste deixando toda a área da minha casa sem eletricidade por muitas horas justo no dia do Oscar! Quando eu liguei na companhia elétrica e a gravação me informou que a perspectiva de conserto ou novo informe era para às nove da noite, despiroquei. Fiquei realmente estressada, também porque a casa foi ficando fria, fria, fria, os potes de sorvete na geladeira começaram a amolecer e só tínhamos um log de três horas para queimar na lareira. Enquanto o Uriel fazia arranjos com o Gabriel pelo telefone e se preparava para sair e fazer compras provisórias no supermercado, eu entrei no chuveiro para tomar um banho quente, daqueles pra esquentar os ossos e acalmar. Já estava quase aceitando o fato de que teria mesmo que ir, carregando um pote de milho de pipoca e meu mau humor, assistir à cerimônia do Oscar na casa do meu filho.
Mas o castigo não foi tão cruel e o poste foi consertado às três da tarde, a energia elétrica voltou e eu me joguei na minha única longa jornada anual em frente de uma televisão.
Já estava sabendo que haveriam mudanças para o Oscar deste ano. O diretor de arte e o de música contaram que a inspiração para o palco vieram das grandes bandas da década de 30 e 40, que a atmosfera seria intimista, que a orquestra teria lugar no palco e que os cenários teriam inspiração nas coreografias maravilihescas de Busby Berkeley. Me alegrei muito!
Realmente, a entrega do Oscar número 81 foi rejuvenescida, melhorou muito do marasmo que tinha se tornado. Achei o apresentador, Hugh Jackman, muito chatinho. Faltou algo ali, apesar dele ser bonito e charmoso, dançar e cantar. Na verdade, faltou muito. Eu prefiro apresentadores mais ousados, mais engraçados, mesmo que a graça seja perigosa e politicamente incorreta. Aliás, faltou política neste Oscar.
A inovação nas apresentações de melhores atores, atrizes e coadjuvantes foi o melhor da festa. Emocionante e gratificante, esse formato ficou genial, com o grupo de ganhadores do passado falando coisas bacanas para o grupo de nominados, Todo mundo ganhou um elogio rasgado, sentiu-se especial—um pouco mais do que já eram. O único porém desse formato foi que ele alongou a angustia da espera pelo resultado. Mas tudo bem.
Também faltou humor nesse Oscar. A parte mais engraçada pra mim foi o sketch dos dois emaconhados [James Franco e Seth Rogen] assistindo aos filmes no sofá. Nada mais me fez rir. Já a parte que me fez chorar foi a entrada do Jerry Lewis para receber o Oscar por sua dedicação às crianças com distrofia muscular. Foi um choque ver como ele está envelhecido, o comediante que foi meu herói de infância, a pessoa que eu queria ser, uma das grandes inspirações da minha vida.
No restante achei todas as roupetas bonitas, não vi nenhuma cafonice chocante, a não ser a mumificação da deusa Sophia Loren, que com quase 80 anos teima em parecer ter 30. Ela poderia ter seguido as dicas do personal stylist da Shirley MacLaine ou da Eva Marie Saint, que estavam lindas, porém elegantes e discretas.
Achei que todo mundo que ganhou Oscars mereceu. Só cansei um pouco da animação indiana, de tanto prêmio para o filme indiano, porque não vi o filme e não sei se ele é tudo isso mesmo. Eu torcia mais pelo The Curious Case of Benjamin Button, que foi o único candidato que eu vi. Gostei muito do prêmio para o Sean Penn e do discurso dele, que foi o melhor da noite. É isso, mais uma entrega de Oscar, desta vez com algumas novidades interessantes, sem muito riso, mas também sem muito susto ou ataques de revolta ou raiva.

2 thoughts on “edição número oitenta e um

  1. O filme vencedor é bonitinho como fábula, nada mais do q isso. Dos indicados, acho q o melhor é MILK, mas é pena q outros filmes realmente excelentes (O LUTADOR, WALL-E) não tenham sido indicados. Abs!

  2. Pois é, Fer. Eu adorei essa entrega dos prêmios. Achei glamouroso como sempre, achei a maioria do povo super bem vestido e gostei do novo “formato”. Achei que foi mais rápido, inclusive. 2h da manhã já tinha terminado. E eu já fiquei acordado até 3h da madruga no passado!
    Sean Penn venceu! ÊÊêêê!!! Meryl não venceu. ÔÔôôô… Mas ela foi reverenciada por todos, inclusive pela Kate Winslet. Então tá bom. Menos mal.
    Minhas férias estão arrastadas e passo as tardes vendo filminhos e dormindo em frente à TV. Tô velho!
    Beijocassssss

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