Minhas férias chegaram ao fim. Entretanto não posso dizer que não tenha aproveitado. Fiz uma orgia cinematográfica e dvdeana. Fui de Oscar a leituras de estudos como o livro sobre o making of de Marnie. Redescobri o mestre italiano Luchino Visconti cujo filme The Damned de 1969 eu consegui baixando pela internet em uma cópia ESPETACULAR, com extras, legendas em diversas línguas, inclusive português, e um belíssimo formato widescreen, devidamente restaurado. Fiquei feliz, feliz, feliz. Vi várias temporadas da série, longamente esperada, Queer as Folk e adorei quase tudo, principalmente a paixão do personagem principal pelo mundo dos super-heróis em quadrinhos. Fui à primeira sessão, no primeiro dia de lançamento, da adaptação cinematográfica da obra prima de Alan Moore, Watchmen. Digam o que quiserem, eu AMEI o filme. Amei o visual espetacular, o cuidado em reconstruir os enquadramentos dos quadrinhos exatamente como no original e a maioria das versões em carne e osso dos personagens em quadrinhos. Posso até dizer que fora o Matthew Goode, que esteve tão bem em Match Point, todos estão maravilhosos. Ainda descobri, como sempre tardiamente, um dos melhores desempenhos de Paul Newman, no delicioso Cool Hand Luke, que eu comprei só agora apesar de já tê-lo visto diversas vezes em diversas lojas. A aposta de que ele é capaz de comer 50 ovos cozidos em uma hora é uma sequência inesquecível.

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Charlotte Rampling e Helmut Berger
The Damned, 1969
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Paul Newman
Cool Hand Luke, 1967
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Patrick Wilson
Watchmen, 2009
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Sean Connery e Tippi Hedren
Marnie, 1964

Fiquei pensando nas diferenças entre Hitchcock e Visconti… Hitch foi enormemente influenciado pelos artistas alemães do início do século que fizeram a arte ultrapassar os limites da realidade, tornando-se expressão pura da subjetividade psicológica e emocional. Vem daí o termo “expressionismo” e Marnie é um dos maiores exemplos de filme expressionista, na carreira de Hitchcock. Em seus filmes ele preferia trabalhar SEMPRE em estúdios com controle absoluto da luz, dos cenários e das condições gerais que não interfeririam com a sua programação e planejamento. Ele era metódico ao extremo e nunca atrasava suas filmagens ou as datas finais estipuladas pelos produtores. No caso de Marnie, todos os cenários foram construídos, e todas as cenas que necessitavam de ação externa forma feitas com o recurso do backprojection. Na época do lançamento do filme, 1964, isso já era considerado datado e as pessoas estranharam. Mas Hitchcock estava mais interessado em manipular as reações das pessoas e atraía a atenção delas para outro foco. Se o cenário não estivesse muito realista, isso não o interessava, mas ele parava tudo se Tippi Hedren tivesse um fio de cabelo fora do lugar desejado.
Viconti, ao contrário, exigia o realismo extremo. Rodava seus filmes em locações reais. Servia comida de verdade, tinha costumes desenhados exatamente como determinava os padrões da época da história e até detalhes (o que estava dentro da bolsa da atriz, por exemplo) eram genuínos. Mesmo que não aparecessem na tela. Visconti foi um dos criadores do “Neo-realismo italiano” e nada poderia contrastar mais com o “expressionismo alemão”. Em seu filme La Terra Trema, por exemplo, ele filmou de forma documental o dia-a-dia de uma colônia de pescadores. Embora eu prefira sua trilogia alemã (The Damned, Death in Venice e Ludwig), é nos seus primeiros filmes que ele impõe sua marca realista. Nesses três filmes as locações são deslumbrantes. Seja em Veneza ou nos castelos da Bavária, Visconti nos brinda com impecáveis composições visuais.
O que me fascina, entretanto, é a construção dos filmes, a forma como a escolha dos enquadramentos e movimentos de câmera direcionam nosso olhar e fazem com que a gente perceba uma determinada sequência de imagens de uma forma ou de outra. Essa é a magia do cinema e da edição das imagens, if you ask me.

7 thoughts on “Resumo da ópera

  1. Oi, Donna. Quando você fala em livro, você quer dizer o livro sobre o filme Marnie do Hitchcock, certo? Eu não fiz download desse livro, comprei no site da Amazon. Não sei se tem disponível para download. De qualquer forma, anota aí o nome completo do livro e o autor: “Hitchcock and the making of Marnie” – Tony Lee Moral – Scarecrow Press, Inc.
    Boa sorte na busca!

  2. Primo, pra você eu faço uma cópia do DVD e entrego na sua casa, né? Não preciso nem te mandar o torrent. Até porque, eu já o deletei. Hehehehehe.
    Levo o filme semana que vem.
    ;^)

  3. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaa…
    Eu tb quero esse torrent!
    E pode mandar para o meu mail, pq meu endereço é quente!
    bjs

  4. Luana,
    Eu enviei um email para você, assim que recebi seu primeiro comentário. Como eu poderia saber que o email era falso? Ao recebê-lo de volta, fiquei sem saber para onde escrever e te explicar como fazer o download do filme.
    Não foi egoismo meu.
    Eu não tenho um link para te mandar pois você precisa fazer o download do arquivo torrent e depois baixá-lo usando um programa do tipo Limewire ou Vuze. Não sei qual você usa. Não sou muito “fera” nisso.
    O torrent você encontra aqui:
    http://www.torrentz.com/d6cb6998c09830d7d2b063aa5d78cc9b54a7923b
    Caso esse link não funcione é só me mandar um email válido e eu te mando o arquivo do torrent que é o que eu tentei fazer da primeira vez.
    ;ˆ)
    P.S.: É “feio” usar email falso. Como as pessoas vão te responder?

  5. aiiiii vc é egoísta… onde conseguiu essa cópia excelente de “The dammed”??? PLEEEASE.
    me responde aqui na pág. pois esse email nao é valido.

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