Há “trocentos” anos eu vi uma mostra de filmes da Bette Davis na PUC aqui do Rio, em cópias VHS emprestadas da videoteca particular do ator Sérgio Brito. Naquela semana eu vi um monte de filmes que eu nunca tinha visto antes e que nunca vi desde então. Alguns, é fato, se tornaram mais acessíveis com o advento do DVD e da proliferação de títulos clássicos disponíveis no mercado brasileiro. Mas outros ficaram só na memória. E a memória estava se esvaindo.

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Agora, graças a internet e suas maravilhas, estou novamente com acesso a algumas pérolas. Hoje eu revi, ou diria vi pela primeira vez, pois a emoção foi como se tivesse sido, Now, Voyager, de 1942. Nesse filme Bette está bem diferente do “normal”. Ela não tem uma personalidade muito forte e não é dominadora, muito pelo contrário. No início da história ela é um patinho feio, de fato horroroso, e sua mãe é quem a tortura ditando toda espécie de regra imaginavel para a vida da filha. Depois de um colapso nervoso Bette é internada num sanatório e passa um tempo lá. De uma cena para outra ela é praticamente curada, junto com um make over que a deixa glamourosa de um dia para o outro e ela embarca num cruzeiro para a América do Sul. O destino final é Buenos Aires, mas é no Rio de Janeiro que ela vive um grande amor com um homem que conheceu a bordo.
Algumas cenas engraçadíssimas com o taxista que fala português e os deixa numa estrada para passarem a noite depois de um acidente de carro. Graças ao back projection vemos Bette e Paul Henreid, o galã do filme, em várias cenas no Rio de Janeiro, com direito a, claro, Pão de Açúcar, Corcovado e Copacabana. Tem também algumas imagens aéreas da Cinelândia e do centro do Rio que são muito bonitas, embora rápidas.
Outra coisa que me chamou atenção é a quantidade de cigarros que eles fumam e o gesto “romântico” que virou assinatura do filme e moda na época, em que o mocinho acende dois cigarros ao mesmo tempo e estende um para ela. Eles se olham apaixonadamente através de cortinas de fumaça e parece que isso substitui as cenas de amor. Aliás, as cenas com os cigarros SÃO as cenas de amor. É o mais íntimo que eles mostram, pois até os beijos são menos numerosos que os cigarros.
Apesar disso tudo eu adorei o filme. Tem uma certa inocência que cai bem nesse tipo de filme. E Bette Davis está tão suave, tão sutil, que chegou a me surpreender. Vou ver de novo. ;ˆ)

One thought on “Now, Voyager

  1. Eu adoro esse filme, que ja vi e revi inumeras vezes. Adoro o exagero de tudo, de como ela desabrocha e de patinho feio vira a mulher mais sexy e popular do navio, da fumacao, do amor impossivel, do dramalhao com a menina feiuda e rejeitada, das roupas e poses da Bette Davis! Imagina o glamour que nao era o Rio naquela epoca, mas voar naquele aviaozinho, nem muerta!! 🙂
    beijoo,

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