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Essa é a história de um dia na vida de um professor cujo companheiro de 16 anos morreu em um acidente de carro, com seus dois cães, em viagem para visitar a família, há 8 meses atrás. George é professor de literatura e, além da memória de seu companheiro Jim, passa o dia em companhia de várias pessoas: sua amiga Charlotte, o belo espanhol Carlos que conhece casualmente numa loja e o jovem Kenny, seu aluno que o persegue durante o dia, aparentemente fascinado pelo professor.
Me identifiquei com George em quase tudo (o companheiro, os cães, a profissão, a amiga de longa data, o bonitão na rua, o aluno que o admira, a dor que eu sentiria se tivesse a mesma perda) e não tive dificuldades em me colocar em seu lugar.
O filme A Single Man é a primeira incursão do fashion designer Tom Ford na direção de um longa metragem e ele faz jus à sua fama e experiência. O filme é absurdamente lindo. Todos são lindos, tudo é lindo. A fotografia é magnífica, os cenários são deslumbrantes (George mora numa casa toda envidraçada, belíssima), os figurinos, como não poderiam deixar de ser, são impecáveis. A história é uma adaptação de um romance do inglês Christopher Isherwood (o mesmo de Cabaret) e eu encomendei o livro à Amazon assim que voltei pra casa. A trilha sonora é assombrosa (também comprei na Amazon, junto com o livro) e não sai da minha cabeça. Os enquadramentos são sempre sofisticados e a gente percebe influências de várias fontes como Douglas Sirk e até Pedro Almodóvar.
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Como se não bastasse, no melhor estilo the icing on the cake, o elenco do filme é simplesmente perfeito. Colin Firth como George tem o melhor desempenho de sua carreira (cheia de ótimos desempenhos, diga-se de passagem) e eu acho que ele deveria ter ganho o Oscar, embora eu seja fã de Jeff Bridges. Eu acho que o Jeff Bridges já devia ter ganho o Oscar há mais tempo, esse ano era do Colin Firth.
Julianne Moore, Matthew Goode, Nicholas Hoult (aquele menininho de About a Boy cresceu!) e o modelo Jon Kortajarena são os coadjuvantes ideais para Colin Firth. Cada um a seu modo, com destaque para Julianne Moore que é sempre tão magnetizante. George e Charley (apelido de Charlotte) dançando o twist é uma cena deliciosa.
No fim, chorei porque senti a tristeza de George. Acho que poucas vezes me vi tão bem em um personagem. Felizmente minha vida se diferencia da dele em diversos pontos. Não uso os óculos Wayfarer que ele usa, não tenho os ternos de alta costura que ele usa, não vivo em Los Angeles nos anos 60 e nem naquela casa maravilhosa, mas meu companheiro está vivo e bem. Não dá nem pra comparar.
Mais uma coisa: eu amei, amei, amei o filme. Há tempos não gostava tanto de um filme novo. Que bom. A sensação de ver um bom filme no cinema é indescritível.

9 thoughts on “A Single Man

  1. Yedita-Lulu (quantos pseudônimos, meu deus!), se você conseguir “A Single Man” em DVD me avisa, pois eu acho que ainda não saiu por aqui. O título nos cinemas foi “Direito de Amar”. É mole?
    Mas enfim, é um filme maravilhoso. E eu acabei de ler o romance que deu origem ao filme, ontem à tarde. E, pasmem, gostei MAIS do filme! First time EVER. Acho que o Tom Ford fez umas mudanças maravilhosas na história e ficou muito bom mesmo.
    Beijocas!

  2. Nega Lu! Eu achei o filme lindo, mas só isso. O discurso foi muito cansativo. Ja o dos Coen não tem nada de lindo, mas é muito bacana. Veja e depois nos conte o que achou.
    Eu nao vi Across the Universe, pois não sou muito fã dos Beatles. mas um dia verei, vamos ver! 🙂
    beijooo :-**

  3. Nega, só mesmo uma capricorniana de ascendente com saturno colado ali pra dizer que “o filme é claustrofóbico e angustiante” mas… EU AMEI! hehe Eu gosto de muitas coisas dos irmãos Coen – mas não de tudo. E, como o Moa, aprecio muito as coisas farta e vastamente estéticas, um filme em que “tudo é lindo”. Vou passar amanhã na 2001 e alugar, depois comento se minha opinião vai bater mais com a do Moa ou com a da Fer (Fer, cê não comentou nada sobre o Across the Universe, cê não viu? Não vai ver? Acabei de adquirir o cujo na 2001 vídeo, eles vão me entregar aqui.
    Besitos para los dos y buen final de semana! Yedita-Lulu

  4. Assim que sair em DVD eu recomendo fortemente, Patricia, que você o veja. Estou doido para ter uma cópia. Aqui no Rio ainda também ficou pouco tempo em cartaz, infelizmente.
    Obrigado pela visita!

  5. Este filme ficou pouco tempo em cartaz aqui em LA e infelizmente não tive tempo para ver. Mas ouvi um artigo na KCRW onde elogiaram muito o filme e Colin. Esta na listinha do “must see”.

  6. Fer, vou tentar ver A Serious Man. Eu gosto dos Coen, mas não sou apaixonado pelos filmes deles. Mas é interessante ver essas comparações. Eu tenho sempre a noção cinematográfica de que as décadas de 50 e 60 era tudo lindo e perfeito. Os filmes do Douglas Sirk me deixaram com essa imagem. E o “Far From Heaven” também, lembra? Acho que o Tom Ford foi por essa linha estética.
    Mas além da estética eu amei a história.
    E quanto à vida real, bom… basta a minha que também não é nada perfeita. ;^)
    BeijO!

  7. Moa, eu tinha certeza absoluta de que voce iria amar esse filme, se identificar e chorar litros. Concordo que o filme é lindo, mas fica só na estetica, como folhear uma revista de moda. Os convercês entre os personagens me cansaram imensamente, além de darem nos meus nervos, achei tudo superficial. Só Colin Firth salvou-se. E levou o filme nas costas, pois só dá ele. O resto são muitas caras e bocas, imagens bonitas. Mas não vou chatorongar mais, pois o que seria do verde se todo mundo gostasse só do amarelo, né? 🙂
    Depois que vi A Single Man, vi um filme bem diferente, A Serious Man dos irmãos Coen. Os dois filmes se passam na década de 60, mas o Tom Ford mostra uma época de revista, tudo lindo, roupas lindas e impecaveis, pessoal bonitas. No filme dos Coen a década de 60 é deprimente, roupas, casas, carros, estilo de vida, sem falar que todo mundo é normal, quer dizer, ninguém é lindo, modelo de fashion designer. É um filme angustiante e claustrofóbico, mas bem legal. Assista, se tiver paciencia, pra fazer uma comparação entre a visao do Ford e a visao dos Coen [Beavis & Butthead—hahaha!]. Claro que o mundo do Ford é o mais romantico e charmoso, mas o mundo dos Coen é mais real. Ao menos mais real pra mim, que sou mais cheia de feiuras e defeitos. 🙂
    beijo,

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