I’m Not There (again)

Já houve um post sobre esse filme aqui no Cinefilia, quando o filme estreou nos EUA. Eu, atrasado que sou com quase tudo na vida, só vi o filme ontem. Mas, como sempre digo, “antes tarde do que nunca”.
i-m-not-there-poster-0.jpg
Todd Haynes entrou para a minha lista de diretores favoritos, até mesmo porque eu já gostava de Velvet Goldmine e Far From Heaven, dois de seus filmes anteriores. Ele fez de I’m Not There uma cinebiografia completamente fora dos padrões e, ainda assim (ou talvez por isso mesmo), fascinante. Talvez o único outro filme do gênero (biopic – biography + picture, como dizem os americanos) que eu goste um pouco mais seja Howl, mas esse seria outro post.
Nesse caso, a gente só sabe que o filme é sobre o Bob Dylan porque as músicas são dele, as falas são dele, os cabelos, óculos, gestos, fatos e citações também. Mas, “he’s not there”, em lugar algum do filme. Nenhum dos personagens se chama Bob Dylan. E ainda assim ele está em todos os lugares. É bom demais!
image0011.jpg
Tem o Dylan poeta na pele de Arthur Rimbaud (Ben Whishaw), tem o Dylan que ele queria ter sido (será?) na pele de Woodie Guthrie (o fantástico Marcus Carl Franklin), tem o Dylan marginal na pele de Billy The Kid (um Richard Gere deliciosamente melancólico) e tem aspectos de Dylan nos personagens vividos por Cate Blanchett, Christian Bale e Heath Ledger.
Blanchett levou as honras de melhor performance e ganhou prêmios e até indicação ao Oscar. E ela está maravilhosa, mas eu confesso que continuo fã de Christian Bale e achei que o pouco que ele fez, fez MUITO BEM. Entretanto, para mim, a parte mais atraente foi a história vivida por Heath Ledger e a ótima Charlotte Gainsbourg (filha de ninguém menos do que Serge Gainsbourg e Jane Birkin – dá pra ser mais “cool” do que isso??). Adorei a fotografia, os cenários, os cabelos, a maquiagem, os óculos, os cigarros, as roupas, tudo!
wet1nlbln76cc6l.jpg
wesx9924w2e5e22.jpg
Mas vamos ao que interessa! Nada disso teria sido tão bom se não tivesse Bob Dylan por trás, porque, afinal das contas, a estrela do filme é ele que não está lá, mas está na música.
Eu não sou nenhuma autoridade em Bob Dylan (aqui tem gente beeeeeem mais capacitada para falar sobre ele que eu), mas já conhecia seu lado autor por conta de ser fã dos autores da geração Beat, à qual Dylan está incluido, em especial o livro “Tarantula” que li algumas partes.
Quanto às músicas, eu simplesmente “descobri” coisas fantásticas que nunca tinha ouvido como Stuck Inside of Mobile with the Memphis Blues Again, Goin’ To Acapulco, Ballad Of A Thin Man e Pressing On que não me sai da cabeça!
Aí fui pesquisar mais músicas (thank God existe internet e eu já posso dizer que tenho uma coleção de músicas do Bob Dylan no meu iPod, pois antes só tinha duas) e reencontrei Hurricane, Jokerman e It’s All Over Now, Baby Blue. E, “de quebra”, vieram as já conhecidas e favoritas de todo mundo, All Along the Watchtower, The Times They Are A-Changin’, Lay Lady Lay, Just Like a Woman, Mr. Tambourine Man e Like a Rolling Stone.
Enfim, material fartíssimo para muitas e muitas horas de puro deleite! Agora vou ver No Direction Home, o documentário de Martin Scorsese que eu ganhei de presente há alguns anos atrás e nunca consegui ver. Como disse minha partner in crime, Fer Guimarães Rosa, citando “o homem”, Times they are a-changing.
nottherefull.jpg
Quero óculos assim! ;^)

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *