outubro 20, 2009

Kim Carnes in Buenos Aires, Oct 16th 2009.



Este não é um post sobre filme algum, mas é certamente um dos mais cinematográficos do Cinefilia.;^)

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Buenos Aires, 18 de outubro de 2009.

Há dois dias eu vivi um dos momentos mais doces e esperados de toda a minha vida. Não posso dizer que tenha saído de acordo com meus planos, em todos os detalhes, mas certamente a espontaneidade do momento foi o que o transformou em algo realmente especial, embora breve e delicado.

Sempre fui uma pessoa extremamente sonhadora, admirador profundo de inúmeros artistas cujas obras e performances contribuiram para alimentar meus sonhos, povoando-os de diversas formas.

Cinema e música são minha maior paixão e foi em 1981, após ver o video clip da canção "Bette Davis Eyes" que uma nova etapa se iniciou. Cinematograficamente eu aprendi quem era Bette Davis e virei uma quase "autoridade e referência" sobre sua vida e seus filmes. Musicalmente descobri a voz, a música e o encanto de Kim Carnes que, magicamente, tem me feito companhia desde então.

Durante a década de 80 as músicas de Kim tinham uma forte tendência ao estilo "pop" da época e foram grandes sucessos, mas para mim, apesar de gostar de todas as músicas, em todos os álbuns, o melhor havia sido feito entre 1976 e 1982.

Em 2004 com o lançamento de "Chasin' Wild Trains" Kim Carnes voltou às suas origens numa obra madura, segura e com uma musicalidade própria onde suas composições e seus talentos vocais melhor se encaixaram. "Chasin' Wild Trains" é provavelmente o melhor trabalho de Kim Carnes até hoje.

Quando soube através do meu amigo Guilherme, o mais bem informado fã de todos os tempos, que a Kim viria à América do Sul, sonhamos juntos com uma apresentação no Rio de Janeiro. Quando um show em Buenos Aires foi confirmado, me programei para vir mesmo sabendo que o tema da ocasião seria um retorno aos anos 80 e as poucas músicas apresentadas não seriam necessariamente as minhas prediletas. O formato das apresentações que Kim tem feito nos últimos tempos, em Nashville e em outros lugares nos EUA, não seria o de Buenos Aires. O que imaginei, entretanto, foi a possibilidade de vê-la, falar com ela e, talvez, entrevistá-la para o fã clube. Guilherme vinha mantendo contato por email com Dave Ellingson, marido de Kim, e era certo que teríamos acesso a ela.

Eu poderia agora listar tudo o que aconteceu fora dos meus planos e tudo o que poderia ter estragado o momento. O fato de eu ter perdido meu emprego de 23 anos, duas semanas antes do show e da vontade que tive de desistir da viagem. A longa e cansativa espera desde o momento em que chegamos na entrada da boite onde o show aconteceu, às 22h30, até Kim Carnes aparecer no palco (por volta das 2h da manhã). O fato do show ter sido muito curto (apenas 8 músicas), sem acompanhamento de banda (todo o instrumental foi gravado anteriormente) e num local inapropriado para uma artista da importância da Kim (mas essa falta de reconhecimento e as injustiças do que caracteriza sucessos comerciais é assunto para outro momento).

Entretanto, o que poderia dar de errado, na verdade foi o que possibilitou a magia do momento. Por termos chegado cedo, ficamos à frente de toda a platéia, bem colados ao palco (embora nossos ingressos dessem acesso à áera VIP, mas que era numa espécie de mezanino, muito distante de onde ela se apresentaria). Não era um palco grande ou muito alto. Quando Kim entrou e começou a cantar "More Love" eu cantei junto. Em alguns segundos, como por um passe de mágica, ela virou o rosto na minha direção, nossos olhares se encontraram e eu percebi que ela havia notado que eu a acompanhava e que sabia a letra da música toda. Ela olhava para mim, apontava em minha direção quando cantava "you":

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"This is no fiction, this is no act
This is real, it's a fact
I'll always belong only to you
Each day I'll be living to make sure I'm giving you

More love and more joy..."

Como o microfone na mão, ela se posicionou bem à minha frente e estendeu o microfone para mim. Cantei o restante do verso "...than age or time, could ever destroy...", sorrindo, inebriado, sem acreditar que estava ali.

Aquele momento me bastaria e eu não poderia esperar mais nada. Ainda assim, a cada música eu cantava junto e, de tempos em tempos, ela me olhava e eu sabia naquele instante, que ela podia ver, sentir e perceber, o quanto sua presença e sua música são especiais para mim. Eu sabia que o brilho nos meus olhos comunicavam amor, admiração e felicidade. Em outro momento ela esticou a mão em minha direção e nossas mãos se tocaram enquanto cantávamos, olhos nos olhos. Eu estava nas nuvens! Ela não sabia quem eu era, qual minha história, que eu tinha vindo do Brasil, que era amigo do Guilherme e que participava do fã clube desde o início. Não sabia nada. Ainda assim, através da música e do meu olhar e do meu sorriso, tudo foi dito, tudo foi comunicado.

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Ao término do show, uma pequena multidão se aglomerou ao lado do palco, à entrada do camarim. Não conseguia me imaginar "brigando" pelo espaço para me aproximar dela. Na minha cabeça tudo já havia acontecido. Disseram para mim e para o Guilherme que ela iria para a área VIP em poucos minutos. Como eu tinha acesso a essa área, resolvi relaxar e me afastar. "Brigar" e me "acotovelar" para me aproximar dela naquele momento seria indigno, indelicado e desrespeitoso. Ao me direcionar para a área VIP me afastei do Guilherme e depois percebi meu erro pois ele entrou no camarim e ficou lá um bom tempo. Tentei voltar e entrar mas não consegui. Subi para a área VIP e esperei.

E então aconteceu. No melhor estilo "o melhor fica por último", eu estava de pé no topo das escadas quando ela chegou. De repente não havia mais ninguém em volta. Ela subia as escadas sozinha quando me viu. Abriu um belíssimo sorriso como só ela é capaz e, antes que eu pudesse falar qualquer coisa, disse, "I saw you there!" O que eu disse depois, sobre ter aguardado 28 anos por aquele momento, sobre ter vindo do Rio de Janeiro só para vê-la, sobre o quanto sua performance naquela noite havia sido especial, não me pareceu adequado o suficiente. Ela agradeceu, com uma expressão tão genuinamente feliz e fez menção de me abraçar. Meu adorado amigo Leonardo estava a postos com sua poderosa câmera fotográfica e registrou o momento para mim. Respeitosamente me afastei e várias pessoas se agruparam à volta dela.

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Pouco depois vi Dave Ellingson e resolvi me apresentar. Ele foi tão simpático e, mais uma vez, genuinamente interessado em mim. Ficou surpreso por eu ter vindo do Brasil, ao saber que eu era do Rio, do fã clube, e nunca ter ouvido falar de mim. Eu disse que eu era um fã quieto que atuava nos bastidores, ajudando nas traduções. Ele se preocupou em saber meu nome e o repetiu 3 vezes, como que para memorizá-lo. Me apresentou a Ry, filho deles, que também se mostrou gentilíssimo, agradável e acessível. Conversamos sobre novas músicas, sobre a possibilidade de um show no Rio e Ry me disse que esse é o próximo objetivo deles.

Leonardo tirou as fotos mais legais do MUNDO em que estou conversando com os 3 membros da família, como se estivéssemos socializando em uma festa. E não era isso que estávamos fazendo?

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Minha emoção, ainda agora, é grande demais para ser descrita adequadamente e eu só posso agradecer à Kim e sua família, ao Guilherme e ao Leo por compartilharem esse momento comigo.

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Comentários

Moacir,
Fico super contente por você. Tenho certeza que meu dia chegará.
Abraços

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NOSSA LINDOOOOOOOOOOOOO. FIQUEI EMOCIONADA!NEM TENHO PALAVRAS..

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MOA!
Descobri esse seu texto primoroso na rede graças ao Google! Acompanhei todos os passos desse show em Buenos Aires, que era para ter acontecido em Agosto, se não fosse a gripe suína. O adiamento para 16/10/2009, porém, possibilitou as conversações para um show em Santiago do Chile em 23/10/2009.
A convite do Davo, assisti a passagem de som, horas antes do show (por volta das 18:00). Cheguei antes do horário, apresentei-me ao empresário musical, mostrando o e-mail impresso do Davo como prova do convite, recebi dele um cartão de visita, que me foi útil para apresentá-lo aos seguranças do camarim da Kim Carnes após o show. Estava acompanhado da Karen. Um dos 2 seguranças disse que era de São Borja (RS). Disse que era filho de gaúcho e disse que a Karen era gaúcha. Ele, em seguida, pegou o cartão de visita, abriu a porta do camarim, e falou de nós para alguém lá dentro. Em seguida, eu e a Karen entramos no camarim. O Moacir já tinha se deslocado para a área VIP. Mais tarde a Kim foi para a área VIP. Eu e a Karen ficamos com o Davo e o filho Ry no camarim. Aproveitei a intimidade, e pedi para beber champagne que tinha na mesa. Diante do sim, peguei a garrafa e... glub! Glub! Glub! Mais tarde nos encontramos todos na área VIP. "Empurrei" o tímido MOA para conversar com o Davo. Disse a ele que o MOA era um membro antigo do fã-clube. Feitas as apresentações, rolou o papo entre os dois. A intimidade com os Ellingsons foi tanta que cheguei a ser convidado para passear com eles no bairro de San Telmo na parte da tarde (o MOA visitou o lugar na parte da manhã, e por pouco não nos esbarramos por lá). Depois de várias taças de champagne bancadas pelo empresário espanhol, tudo terminou em samba, tocado por um grupo local nas ruas de San Telmo. Depois veio o encontro em Santiago do Chile, mas isso é uma outra estória!

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Muito legal, Moa.


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Moa, eu acho q consigo imaginar sim tudo o q senti, exatamente toda a emoção.
Como eu já disse lá no facebook ou orkut, agora só falta o Sting!
Mil beijos

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Moa, que bacana. Estou tao feliz por voce e sonhando que um dia [sera?] terei uma experiencia assim. um beijo,

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