julho 14, 2011

Teatro, quando é bom, é melhor do que cinema.

JGV.jpgOntem eu fui ao teatro. Eu quase não vou ao teatro. Vejo filmes, filmes e mais filmes. Vejo-os no cinema, na televisão, no computador. Tenho, entretanto, algumas experiências teatrais que nunca se apagaram da minha memória e as emoções vividas ficaram guardadas num cantinho especial do meu coração. Foi assim com As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant (com Fernanda Montenegro, Renata Sorrah e Juliana Carneiro), Odeio Hamlet (com Guilherme Fontes e Osmar Prado) e Mary Stuart, que eu vi duas vezes (com Renata Sorrah, Xuxa Lopes, André Gonçalves e, na segunda vez, Caco Ciocler substituindo André).

Ontem vi R&J de Shakespeare - Juventude Interrompida. De tudo o que eu gostei, e acho que gostei de tudo mesmo, o que mais gostei foi da felicidade que senti durante o dia de hoje, por ter tido mais uma experiência memorável e que já ocupa aquele cantinho especial do meu coração.

Fui por recomendação de um amigo, por ser fã de Shakespeare, por gostar do tema, das críticas que li e do elenco. Levei dois amigos. Do início da peça até o final, me entreguei à ação que transcorria à minha frente. Cenário e figurino que se prestam à diversas situações e personagens, do jeito que só a magia do faz de conta teatral é capaz. A utilização da música “Hawkmoon 269” do U2 é um achado SENSACIONAL e pontua alguns dos momentos mais intensos da peça. Eu podia sentir meus batimentos cardíacos aumentarem conforme a música aumentava e o riso inicial se transformava em emoção pura.

Não entendo de direção teatral, marcação de cena, coreografia ou qualquer coisa mais técnica em relação ao teatro, mas sei apreciar e reconhecer bons atores. E é uma vergonha que tenha chegado até esse quarto parágrafo sem mencionar Rodrigo Pandolfo, Felipe Lima, Pablo Sanábio e, “last but not least”, João Gabriel Vasconcellos. Todos estão brilhantes em suas atuações. Pablo Sanábio talvez seja o melhor ator do grupo e chega a “roubar” algumas cenas, mas João Gabriel leva os louros, para mim. Já o conhecia e admirava por conta da sua atuação no filme Do Começo ao Fim. Sou fã, confesso e, por isso, suspeito. Mas me surpreendeu, ainda assim, a leveza e descontração da sua performance no início da peça e a forma como fui, aos poucos, me esquecendo quem ele era e vendo o jovem apaixonado, que tudo faz para viver seu amor. Sem grandes gestos ou caretas mas olhar intenso e sorriso fácil, usando seu corpo e presença para transmitir suas emoções.

Como fã de cinema sei que cinema é ilusão. O que assistimos não é real, apenas uma projeção. Luzes na tela, sombras e cores. É fascinante, mas a energia é outra. No teatro a gente participa da ação, vive junto com os atores. Eles estão ali, em carne e osso, falando, andando, sofrendo, rindo, brincando e vivendo na nossa frente. Se eu quisesse poderia me levantar e fazer parte do jogo. Por uma questão de "educação" e “conduta apropriada”, permaneço sentado, mas é fato que a "mentirinha" a qual estamos assistindo é, no final das contas, verdadeira. É fato. Eles se abraçam, se beijam, choram, riem, lutam, contam suas histórias e nós reagimos, cada um a sua forma, a cada um dos gestos e expressões vivos que presenciamos naquele instante.

Em “Juventude Interrompida”, quatro jovens estudantes resolvem, para seu puro prazer, interpretar “Romeu & Julieta”. Os quatro se dividem em diversos papéis e “fingem” que são Romeu, Julieta, a mãe de Julieta, o Frei, a Ama de Julieta, os primos de um e de outro, e outros mais. É óbvio que “Romeu & Julieta” não tem um contexto homossexual e, como disse uma moça sentada atrás de mim, antes do início da peça, contestando a afirmação de seu acompanhante, “Não tem beijo gay nessa peça! Você vai ver. Presta atenção.” É... posso dizer que não há beijo gay, se a gente se lembrar o tempo todo que quem se beija, se abraça, se ama e se entrega um ao outro, são Romeu e Julieta. Mas o fato é que são quatro jovens estudantes, todos homens, que resolvem encenar o trágico casal de adolescentes e, por uma escolha deles, os beijos, abraços e “amassos” vividos no palco, são pra lá de ardentes e apaixonados. Digo “escolha deles” porque imagino que na época de Shakespeare quando todos os personagens eram também vividos por homens, a encenação dos momentos mais calorosos entre os personagens não eram tão sensuais ou explícitos quanto nessa montagem. Mérito dos atores (e do diretor). Sorte a minha, que sorvi cada momento e aproveitei para sonhar com uma história de amor com a qual eu pudesse me relacionar mais diretamente, sem ter que fazer muitos malabarismos na minha mente.

Ao sair do teatro, U2 na mente, coração leve, sonhando com um mundo de fantasias e romances de faz de conta, fui pra casa feliz. Hoje a sensação perdura. Quero mais.

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